Wes Anderson: conheça os principais filmes do cineasta

Para ajudar você a imergir completamente no mundo criado por esse texano excêntrico, organizamos uma lista com os principais filmes da filmografia dele

Wes Wales Anderson nasceu em 1 de maio de 1969, em Houston (quarta cidade mais populosa dos Estados Unidos) no estado estadunidense do Texas, é o segundo dos três filhos do publicitário Melver Leonard Anderson e da arqueóloga Texas Ann Buroughs.

Wes foi educado na escola St. John’s School, que mais tarde serviu de locação para as filmagens de seu segundo longa-metragem, ‘‘Rushmore’’ (1998), ingressou na Universidade do Texas, onde estudou filosofia e viria a conhecer seu maior parceiro cinematográfico, Owen Wilson.

Ainda no período universitário, os dois produziram curtas e entre eles estava ‘‘Bottle Rocket’’ (1994), estrelado por Owen e seu irmão, Luke Wilson. Este curta-metragem foi muito bem recebido no Festival de Sundance e deu origem a um longa de mesmo nome, que em nosso país foi lançado em 1996, com o título de ‘‘Pura Adrenalina’’. O filme não se tornou um campeão de bilheterias, mas ganhou uma audiência cult, a ponto de ter entre seus admiradores o lendário diretor Martin Scorsese (Taxi Driver, 1976).

O cineasta é conhecido por ter criado uma realidade paralela em seus longas-metragens, facilmente reconhecível por maneirismos visuais como a centralização e pelas cores vibrantes da paleta usada por ele. Seus filmes compõem um universo próprio e possuem muitas coincidências na concepção das narrativas textuais aplicadas aos roteiros originais desenvolvidos por ele, essas coincidências são diretamente responsáveis pelo o que diferencia a obra dele de outros cineastas estadunidenses ou de qualquer outra parte do mundo.

Suas técnicas são distintas de qualquer outra produção já produzida em Hollywood, podemos perceber isso no enquadramento, nos planos de filmagem, direção de arte, figurino, cenografia, fotografia, roteiro e até mesmo na direção e produção de elenco.

Com o tempo, seu trabalho foi amadurecendo e a admiração da crítica reconheceu o talento do diretor, refletindo indicações em prêmios importantes. O texano foi indicado cinco vezes ao Oscar, respectivamente, na categoria Melhor Roteiro Original foi nomeado três vezes: por ‘‘Os Excêntricos Tenenbaums’’ (2001) escrito em parceira com o ator e amigo pessoal Owen Wilson, ‘‘Moonrise Kingdom’’ (2012) e ‘‘O Grande Hotel Budapeste’’ (2014), este último lhe garantiu uma indicação a estatueta de Melhor Diretor. Wes também concorreu ao Oscar de Melhor Animação por ‘‘O Fantástico Sr. Raposo’’ (2014).

Para ajudar você a imergir completamente no mundo criado por esse texano excêntrico, organizamos uma lista com os principais filmes da filmografia dele:

‘‘Os Excêntricos Tenenbaums’’ (2001):

Primeira grande obra do diretor – e seu terceiro longa -,Os Excêntricos Tenenbaumsconta de forma narrativa a história de uma excêntrica família, os Tenenbaums. Royal Tenenbaum (Gene Hackman) é um advogado respeitado e casado com Etheline Tenenbaum (Anjelica Houston). Pais de três filhos prodígios (Ben Stiller, Luke Wilson e Gwyneth Paltrow), o casal se separa e a ex-esposa resolve cuidar sozinha da criação de suas crianças. No entanto, tanto elas quanto os pais passam por situações angustiosas e suas glórias do passado já não mais existem no presente.

A princípio, o filme trata de uma história básica, não muito imprevisível e quase inocente para o espectador mais desatento. Na verdade, o caráter fantasioso que Wes Anderson e Owen Wilson (co-roteirista) dão ao enredo é, de certa forma, uma alegoria da família média americana (apesar dos Tenenbaums viverem uma vida abastada) e uma crítica à incessante busca pela felicidade e sucesso, elementos tão arraigados no american dream.

A habilidade de Anderson de roteirizar a vida dos Tenenbaum de maneira tão intrincada os torna quase organismos vivos, que pulsam com tristeza, arrependimento e um pouquinho de resiliência. Talvez o sobrenome Tenenbaum seja um sinônimo de fracasso, mas o filme é uma afirmação da instituição familiar e como ela pode ajudar a lidar com os inevitáveis desapontamentos da vida.

‘‘Moonrise Kingdom’’ (2012):

Moonrise Kingdom é o filme que mais espelha as características substanciais de Wes Anderson. Funciona como um caleidoscópio filmográfico, onde é possível identificar elementos tais, como a fusão entre o cômico e o existencial nas personagens, a alta saturação das imagens em termos de cor e as cenas de fugas “impossíveis”, que sempre dão certo. O filme procura retratar as emoções exacerbadas do primeiro amor. Anderson contrasta a pureza do sentimento entre Sam e Suzy com o caos das relações adultas entre os pais de Suzy (Bill Murray e Frances McDormand) ou o chefe dos escoteiros (Edward Norton).

‘‘O Grande Hotel Budapeste’’ (2014):

Aqui mergulhamos em um cenário ficcional, dessa vez o Grande Hotel Budapeste, situado em Zubrowka, suposto país da Europa Oriental. Encarrapitado no topo de uma montanha, o prédio é uma ode ao serviço e arquitetura impecáveis. Apesar de ter uma vibe dos anos 1960 e possuir elementos que nos remetam à mansão Tenenbaum, o diretor ambienta sua história nos felizes anos pré-Segunda Guerra Mundial.

Zero, o concierge, é a reprodução natural do diretor para o cara dos bastidores, aquele que cuida de toda a operação do hotel e faz todo o possível para agradar os hóspedes, mesmo que isso inclua colocar octagenários na cama. Analiticamente, o filme é um bom exemplo de direção assertiva alinhada à narrativa estruturada. Os diversos personagens, com suas histórias e timelines, se cruzam de forma harmônica e coesa. Prova disso foi a indicação do longa na categoria de Melhor Filme no Oscar de 2015.

‘‘O Fantástico Sr. Raposo’’ (2014):

O flerte de Anderson com a animação em outros longas tornou a concepção de O Fantástico Sr. Raposo inevitável. Mais ainda, eram esperados personagens astutos e formas animadas extravagantes, se pensarmos nas experiências que o diretor fez com o gênero anteriormente (e também nos intérpretes das obras precedentes).

Adaptado da fábula ‘‘Raposas e Fazendeiros’’ (2000), de Roald Dahl (1916-1990), a ação gira em torno de um casal de raposas que se apaixonam enquanto jovens e depois de roubarem muitas galinhas de grandes fazendeiros, resolvem viver uma vida idílica em uma árvore. Porém, o Sr. Raposo – já casado, com um filho e um sobrinho, hospedado devido à doença de seu pai – não consegue se ver livre de seus instintos e resolve voltar à sua vida de delitos.

O Fantástico Sr. Raposo é mais uma prova da imprevisibilidade de Wes Anderson. O longa, gravado em stop-motion – técnica de animação quadro a quadro que gera movimento com a junção de fotogramas –, vai de encontro às super-produções estadunidenses, através de seu caráter artesanal, intensificando as emoções dos personagens em cenas-chave.

Por

vanderlei.tenorio@oestadorj.com.br

Colunista e comentarista de cinema de alguns veículos de imprensa, atua em dois jornais e em um portal. Paralelamente, é editor da página Cinema e Geografia e colaborador de um site de notícias de Maceió. Atualmente integra o quadro de associados correspondentes da União Brasileira de Profissionais de Imprensa (UBRAPI).

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