Você é uma mulher chorona?

Até a ciência já deu o aval: choramos quatro vezes mais do que os homens. Choramos mais em quantidade, qualidade e até em volume.

Não é nem preciso dizer: Todas as mulheres choram. As ricas, as pobres, as mais simples, as mais poderosas, todas derramam lágrimas no seu planeta. E chora muito, chora sem pudor, chora seja qual for o seu habitat. Choramos, aliás, em nossas mesas de trabalho. Se esta redação for um microcosmo do universo feminino e ela é mulher de fato chora até trabalhando. Sem vergonha, sem culpa ou desculpa. Ao redor, enquanto rapazes lançam sobre nossas lágrimas olhares de medo e perplexidade, outras mulheres nos resgatam e oferecem colo. Enquanto nosso pranto tem a capacidade de paralisar o sexo oposto, atrai a cumplicidade das nossas colegas. Mas será que toda essa sensibilidade, traduzida em lágrimas, ajuda ou atrapalha a nossa vida pessoal e profissional? Afinal de contas, ser mais delicada, intuitiva, vulnerável é bom ou ruim? 

Qualidade, quantidade e volume

Há questões culturais, históricas e até hormonais que explicam por que gastamos tantas lágrimas no nosso dia a dia. De acordo com um pesquisador voraz do assunto, o oftalmologista espanhol Juan Murube Del Castilho, da Universidade de Alcalá, em Madri, as mulheres choram mais que os homens em qualidade, quantidade e até em volume. “Quando criança, meninos e meninas choram quase com a mesma frequência. Com a adolescência, o choro diminui muito mais nos homens do que nas mulheres. A razão para isso é simples. Historicamente, o homem foi educado para defender a tribo, para caçar. Qualquer demonstração de fraqueza colocaria o grupo em risco”, explica. “Consequentemente, homem reprime até hoje demonstrações de necessidade de ajuda. Mesmo quando chora a duração do choro é muito menor. No meu estudo, em que analisei 1100 episódios, concluí que o choro masculino dura quatro vezes menos do que o choro feminino.” Por isso, quando se deparam com a cena de uma mulher chorando, nossos rapazes não sabem como operar e entram em pânico.

Benditas lágrimas

A nossa choradeira, como se vê, é fato comprovado até cientificamente. E devemos, sim, continuar o pranto. Devemos seguir chorando sem culpa, sem medo da exposição. E mais: os homens estão procurando os consultórios dos psicanalistas para aprender o que a gente faz com tanta naturalidade: chorar. Por quê? Estudos recentes comprovam que sensibilidade aguçada, intuição funcionando a todo vapor, lágrimas derramadas quando de fato tem necessidade, todas essas “coisas de mulher” fazem bem para a saúde. E fazem muito bem para os negócios.

Profissionalmente falando, sensibilidade pode ser uma arma poderosa, se aliada à intuição.

“Ainda existem poucas mulheres em cargos de comando.” Mas isso está mudando. Cada vez mais, o mercado reconhece a eficiência da sensibilidade feminina. Concordo com a tese em voga de que, quanto mais mulheres no comando, melhor o ambiente entre as pessoas e melhor o nível de criatividade.

A notícia chega em boa hora para uma geração que viu suas mães exercerem o controle do lar como profissão e que tenta, ainda e à custa de muito esforço, vencer algumas fronteiras.

Temos duas características fundamentais para pilotar o barco ou a frota: “empatia” e “senso de organização”. Trocando em miúdos, empatia, no vocabulário dos mundos dos negócios, significa sensibilidade, capacidade de se colocar no lugar do outro, aptidão para ouvir e entender os argumentos em prol do consenso. “A mulher faz isso muito melhor do que o homem, que é objetivo e tenta ganhar o jogo influenciando o outro”. E senso de organização dispensa explicações. Afinal fomos educadas para pôr ordem na casa. Mas não vá concluir, no entanto, que desabar quando bem entende é sinal de eficiência. Usar a sensibilidade e por que não? A vulnerabilidade com sabedoria, sim, é sinal de eficiência.

“No comando, as mulheres se comportam como se espera que se comportem. Isso à custa da repressão das emoções. Por isso, quando desabam, perdem o autocontrole, o que raramente ocorre com homens”. “As mulheres ficam chateadas com grosserias que os homens nem perceberiam. Perdem tempo. Há também a dificuldade de enfrentamento. Ficamos culpadas quando temos que apontar os erros dos outros.”

Biologia versus história

A eficiência ou não da sensibilidade depende do uso que se faz dela, sem dúvida. Esse poder feminino, no entanto, encontra respaldo até nos hormônios. Somos biologicamente mais preparadas do que os machos para gerir. Só temos que aprender a usar esse dom natural. “O estrógeno é mais gregário, induz algo em torno, já a testosterona é um hormônio mais competitivo, leva à maior objetividade.”

Em posições de chefia, a mulher consegue montar equipes, ter grupos mais coesos, trabalhando de forma mais produtiva, mais empática. E isso tem a ver com os hormônios femininos, progesterona e estrógeno. O homem não tem o hábito de dividir. Ele não tem gestação, não amamenta, não agrega. Além disso, a mulher tem um pouco de testosterona também, que lhe dá a condição de atividade. Temos um casamento de hormônios que nos dá características mais complexas.”

A conclusão é muito simples: a tal da sensibilidade feminina só é positiva quando a mulher administra sua capacidade para formar, organizar e perceber as necessidades das pessoas dentro de um grupo, uma empresa, uma comunidade. Resumindo, é preciso autoconhecimento. Biologia, claro, é só um lado da moeda. A construção cultural comanda boa parte de toda essa história. E os ventos estariam soprando em favor da chamada androginia. Os comportamentos masculino e feminino são fruto de 5000 anos de estrada, desde que a cultura patriarcal entrou em cena, impondo ao homem ideais como força, sucesso, poder, coragem, ousadia. E à mulher, sensibilidade, fragilidade, delicadeza, dependência. O patriarcalismo, sem dúvida, rachou o mundo em dois lados. Essa muralha, no entanto, vem desmoronando desde a invenção da pílula, dos movimentos feministas, da contracultura. O que se acredita é que estamos caminhando para o equilíbrio. O caminho ainda é longo, cheio de obstáculos, mas a fronteira desses dois mundos estaria virando lenda. “O que vem aí é uma cultura que independe do sexo. A cultura patriarcal criou pessoas mutiladas: homem não chora. Mulher não pode ser corajosa. Os mitos da masculinidade e da feminilidade estão por um fio.”

Choronas sim, fracas jamais!

Vamos ter uma semana maravilhosa e que as lágrimas sirvam para fortalecer ainda mais nossa capacidade de seguir em frente.

Eu Acredito em você!

Por

leny.espinola@oestadorj.com.br

* Radialista, Fotógrafa e Palestrante Motivacional.

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