Uma vida mais lúdica e menos melancólica

Venho percebendo ao longo dos anos a simbiose criada a partir da cultura. Imaginar um encontro entre o velho e o novo que se misture talento e experiência é uma forma de amor. Não podemos deixar escapar de nossas mãos esse momento que é raro de acontecer. Não se deve temer pelo choque de gerações e sim pelo que ela pode nos proporcionar em qualidade de vida.

Entreter as pessoas é algo fascinante e, quando se juntam duas gerações distintas, com a mesma vontade e qualidade para nos mostrar a vida de forma empírica, é algo que devemos buscar. Não estou aqui querendo criar nenhum híbrido ao reverenciar a união de pessoas de gerações diferentes, não, longe de mim. O que quero e espero é que seja uma forma de unir conhecimento e vontade. Unir forças por um mundo melhor. Parece clichê, mas é a pura verdade humana.

Quero poder sonhar com um mundo onde o novo e o velho possam caminhar e navegar nas mesmas ondas, sem que para isso precisem perder suas características. Vamos viajar no tempo e mostrar algumas dessas parcerias que a princípio pareciam improváveis e que acabaram acontecendo e nos proporcionando momentos de raro prazer e beleza.

Comecemos por um trio formado por Kanye West, Rihanna e Paul McCartney, acho que ninguém esperava por uma formação dessas, mas aconteceu e foi muito bem aceita por todos e resultou num grande hit em 2015, “Four five seconds”. Foi criada uma expectativa de que o single seria o começo de algo maior, mas ficou por ali mesmo. Tivemos tantas outras parcerias que juntaram pessoas de personalidades completamente diferentes e que quando se misturaram o resultado foi interessante.

Outro momento que merece destaque é o do nosso eterno Stone, Mick Jagger e a princesa teen, Taylor Swift. Em um show da cantora em 2015, ela chamou o líder dos Stones para juntos cantarem “Satisfaction” e o resultado não poderia ter sido melhor.

No futebol vemos jogadores de 40 anos ou mais ainda atuarem ao lado de jovens promessas e esbanjando disposição e talento ainda hoje. Nos anos 90 tivemos o Júnior, ex-lateral do Flamengo e hoje comentarista esportivo, que ao longo de seus mais de 35 anos, foi campeão brasileiro junto à equipe Rubro Negra em 1993. Hoje com 41 anos completados essa semana, o lateral direito Léo Moura, do Grêmio, ainda joga em alto nível.

O fato é que o novo e o velho podem e devem trabalhar juntos para o bem da humanidade. A experiência aliada à juventude é de vital importância para todos. Não devemos em hipótese alguma achar que o velho é ultrapassado e que não nos é mais útil. A sapiência é soberana quando passa por todas as etapas de vida.

Quando somos jovens acreditamos que trazemos a verdade absoluta e a certeza de sabemos e fazemos melhor que qualquer outro mortal que esteve aqui antes de nós. Que tristeza esse pensamento. É prova concreta de que estamos vivendo sem aprender o básico. E isso serve para tudo.

O novo e o velho, o negro e o branco, homem e mulher, cristãos, espíritas, católicos, judeus, muçulmanos, enfim, não existe melhor nem pior. Existe diferença e não mais que isso. E viva a diferença! O diferente hoje é rotulado como a margem de uma sociedade falida que busca culpados pelo fracasso.

O diferente hoje é o réu de um júri que não enxerga seu próprio umbigo e assim joga a sujeira para baixo do tapete. O diferente sofre com uma perseguição que teima em não ter fim. Para muitos é como se a segunda guerra não tivesse acabado. Ou mesmo a escravatura ainda existisse (se bem que há controvérsias nesse ponto).

Ser diferente hoje precisa de coragem. Precisa de um remanso para que a mente e o coração sobrevivam a tamanha injustiça. Ser diferente hoje não está apenas em se destacar dos demais por ter uma habilidade ou um talento à parte, mas sim em pensar, agir, e crer em coisas que fogem do gosto da maioria.

Como estamos errados em nossos pensamentos. O diferente de hoje deseja apenas o respeito dos de ontem, hoje e sempre. Desejam apenas um tratamento normal, respeitoso e reconhecimento de que são seres humanos como nós. Sim, pois não me sinto diferente, mas adoro as diferenças.

Precisamos juntar o novo com o velho e ver o que vai dar. Precisamos juntar as pessoas, independente de suas opções. Quem não conhece a Saara (Sociedade dos Amigos e Adjacentes da Rua da Alfandega), no centro do Rio de Janeiro, deveria tirar um dia para passear pelas suas ruas e perceber como se pode viver com as diferenças e ainda assim não perder sua essência. Uma verdadeira aula de história, filosofia, religião entre outras.

Na Saara, considerada o maior shopping a céu aberto da América Latina, judeus e muçulmanos convivem em harmonia. Chineses, japoneses, coreanos dividem o mesmo espaço. Sonho com o dia que viveremos todos na mesma harmonia e sintonia e respeito.

Enquanto esse dia não vem, que tal ouvirmos “Ebony & Ivory” com Stevie Wonder & Paul McCartney? Estou ouvindo agora enquanto termino esta coluna de hoje. Que sejamos como as peças do piano vivendo lado a lado em harmonia.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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