Um instante, maestro

O dia em que o mundo daquele sapo parou

Poderia escrever hoje sobre ontem, mas faltaria imaginação para dizer o que todos os jornais, revistas, sites e redes sociais ainda não disseram à exaustão. Sem Whatsapp, Facebook e Instagram, como viver? Dia do Saci, 31 de outubro, além do Dia dos Animais, Dia da Natureza e, obviamente, Dia de São Francisco de Assis, 4 de outubro, ontem. Tudo isso só ontem. Falta de assunto não deixaria de ser. Foi falta de sinal.

Morar no interior tem dessas coisas. Passeando à noitinha pelas ruas de casa, olho uma pedra no meio do asfalto e estranhei, pois havia passado lá mais cedo e não tinha pedra nenhuma. Foi quando a mesma se mexeu, bem devagar, meio escorregando, e veio a minha ignorância de quem nasceu na Capital. Era um sapão que estava ali no chão de barriga cheia de tanto comer içás, siriri, cupins.

O chão parecia uma zona de guerra, forrado de asinhas dos coitadinhos. Mas, também, que sapo resistiria a um banquete desses? Impossível andar, pular ou coaxar discretamente, sem querer dar uma beliscadinha – com todo o respeito – antes do jantar! Isso me fez lembrar das aulas no primário – quando era primário – e os professores vinham com exemplos de batráquios e sua evolução até a vida adulta.

Ah, esses batráquios! Vivem em dois mundos, de preferência perto de lugares úmidos a encharcados, senão literalmente secam e morrem. Quem não aprendeu a metamorfose dos sapos até a vida adulta, teve um hiato de aprendizado na primeira infância. Sapo é uma designação genérica de anfíbios predominantemente terrestres, com pele rugosa, e glândulas parotoides semelhantes a verrugas. É usado especialmente em relação a membros da família Bufonidae, filo Chordata, ordem Anura, lembraram das aulas?

O sapo não lavou o pé porque não quis

Anfíbios, batráquios, qual a diferença? Nenhuma, Batráquio é o antigo nome da classe de vertebrados que hoje tem o nome de anfíbios. Classe dos vertebrados anfíbios, de pele nua e viscosa, que passam por metamorfoses e que constituem o grupo mais antigo de vertebrados terrestres. Isso me levou a um outro mundo, mas prefiro guardar só para mim a opinião a esse respeito. Os anfíbios são seres vivos que vivem tanto na água como na terra.

E sapo come o quê? Depende, os sapos normais comem desde insetos até aranhas, lesmas ou minhocas. Por terem a língua elástica, mal precisam correr atrás do almoço ou jantar. O banquete é praticamente servido no colo, ou na pança, como queira. Depende só do chef à disposição.

Quando chega a época de reprodução, os caras coaxam, coaxam e coaxam, até que uma perereca se aproxime. Se vai dar certo e constituir família é outra história, pois o sapo tem que saber a procedência da perereca, que é necessariamente uma perereca no sentido lato, pois perereca e sapo são seres diferentes. São da mesma classe, mas tem amigos diferentes. É como se você dissesse que ama um chimpanzé, quer casar com ele, mas ele não é um chimpanzé de verdade. Ou dizer que escolheu um político que vai fazer tudo pelo seu país, mas você também sabe que isso não existe.

A verdade mesmo é que os sapos não vomitam em cima de ninguém, o que eles podem expelir pelas suas glândulas parotoides (não são as parótidas humanas, pelo amor!) são apenas um líquido viscoso para se defenderem dos predadores. Mas não ponha na boca, criatura, aí sim esse líquido vai te irritar. Ninguém mandou você irritar o sapo primeiro. Bem feito.

Para terminar, deixo aqui uma mensagem para o sapo que vi ontem na rua. O cara foi atropelado hoje de manhã e estava ainda estendido ali no chão. O colocamos no mato, junto com as suas folhas secas e com os nossos sinceros pedidos de desculpas pelos outros seres desumanos que não veem um palmo abaixo do seu umbigo. Que São Francisco de Assis cuide deles também.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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