Todo ser vivo deve ser tratado igual, em dignidade e respeito

A Unicef cuida dos seres humanos, mas quem cuida dos seres quase ou mais que humanos?

Depois de ler a matéria essa semana aqui no Oerj sobre maus tratos animais, vi que precisamos de mais leis que protejam nossos animais e fiquei até aliviada ao saber desse caso, com um final menos triste que outros tantos que existem por aí nesse Brasil.

Fui dar uma pesquisada e vi, apenas com uma pequena busca, que a Holanda se tornou o primeiro país do mundo, segundo os registros disponíveis atualmente, a não ter cachorros de rua. Claro que não dá pra comparar o tamanho da Holanda com o nosso Brasil gigante pela própria natureza, mas bem que podia ser belo e impávido pelo seu colossal tamanho, não só pelo hino maravilhoso que tem. E que ninguém dá a mínima bola ou entende-o por completo. Deveriam sabê-lo de cor e salteado, assim poderíamos discutir, argumentar, questionar tudo e todos. E votar com mais clareza de ideias.

Voltando à Holanda e seus nada maltratados cachorros agora com casa, essa proeza se deveu a incessantes planos de castração feitos, além de uma enorme conscientização e empatia da população. Nesse programa, batizado de CNVR (Collect, Neuter, Vaccinate, Return – coletar, castrar, vacinar e devolver), tanto animais de rua quanto os que já moram com famílias, são por ele atendidos. Devolver, ali, não significa largar na rua, mas você ter a certeza de que se quiser um animalzinho será atendido por mãos especializadas e que os deixou livre de maiores transtornos, castrado e vacinado de verdade.

Não quero dizer que não temos programas de castração e vacinação excelentes, válidos e atuais, muitas vezes até organizados, mas em se tratando de Brasil, com todas as suas mazelas e perfis religiosos diferentes, deveriam mesmo é ter alguém com pulso e coleiras firmes o suficiente para proteger quem nunca fez nada além de espalhar amor pelas ruas. Deveriam fazer uma cãonstituinte abrangendo toda e qualquer espécie animal, de hamster a elefantes, que os protegessem ad aeternum, com normas rígidas, impostos para quem os adota e multa para quem os abandona. E cadeia para quem os maltrata, sem direito a nada mais que castigo. Com direito a chapéu de burro no canto da sala, virado para a parede.

A Organização Mundial da Saúde estima que só no Brasil existam mais de 30 milhões de animais abandonados, entre 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães (dados de agosto de 2020). Somente vivendo em abrigos e ONGs à espera de um lar, são 4 milhões de animais. Só no Brasil. Só no Brasil mesmo que muitos não veem além do próprio umbigo e só notam outro umbigo quando o próprio é ameaçado.

Quanto ao cachorro mencionado no começo desse artigo, ao menos para um ser de quatro patas a justiça foi feita. Gostaria de ter a certeza de que, além da indenização, que foi para o tutor do cachorro, que outras garantias o agora cachorro cego de um olho terá? Uma aposentadoria, um plano de saúde animal, uma casa confortável, cuidados médicos até que tudo se cure? Ao menos nesse caso isolado, muito isolado, extremamente isolado, uma mascote teve um tratamento digno e quem fez o errado, por vias legais, pagou.

Alguém pode chamar aquela que sempre chora nas lives que não pode ser mencionada sem autorização e que fica cheia de nojo em off, ou algum ‘deputado pet’ que abrace essa causa? Alguém, além de mim, sem poder, sem nada além de um teclado e um espaço pequeno para que algumas coisas possam ser discutidas e, talvez divulgadas por um número ainda pequeno de conscientes. Quem sabe tenhamos sorte de, além da vacina de verdade, possamos escolher quem nos represente, do começo ao fim, dos pés à cabeça. De cabo a rabo. Mas que tenha um amor do tamanho do mundo por esses ‘serumaninhos’, de qualquer espécie, cor ou conta bancária.

O cachorro, a Holanda e todo o respeito que eles devem e merecem ter.
FOTO: Romy Arroyo Fernandez / NurPhoto via Getty Images

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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