TOC- Quando deixa de ser mania e passa ser doença  

Quando a mania deixa de ser apenas um comportamento e passa ser doença

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Divulgação

Conhecido popularmente como “mania”, essa manifestação atormenta milhares de pessoas em todo mundo. O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos, no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos pela sociedade ou por si próprio. Normalmente trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúde, higiene organização, simetria, perfeição ou manias e “rituais” que são incontroláveis ou dificilmente controláveis.

O jornal O Estado RJ convidou a Bióloga, Mestre em Psicologias, professora responsável pela disciplina de Neurociências do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, coordenadora de extensão da Faculdade Souza Marques, palestrante e pesquisadora de temas relacionados à memória, Norma Moreira Salgado Franco, para falar como esse transtorno pode afetar na vida do individuo, os desafios da doença e como é o tratamento.

O Estado RJ: Como é o diagnóstico de TOC?

Prof.Norma: O diagnóstico é clínico. Para  que seja estabelecido o diagnóstico de TOC é necessário que as obsessões ou compulsões consumam um tempo razoável do dia (por ex. lavar a mão por mais de uma hora) e por um período de pelo menos  duas semanas. Esse comportamento deverá causar um desconforto  clinicamente significativo e comprometer a vida social do indivíduo. Os sintomas obsessivo-compulsivos não podem ser atribuídos ao efeito fisiológico de um medicamento ou a outra condição médica como doenças psiquiátricas e neurológicas.

OERJ: Quais os principais sintomas que os pacientes com TOC apresentam?

Prof.Norma: São as obsessões e/ou  compulsões, como indica o próprio nome da doença. As obsessões são pensamentos, ideias ou sensações intrusivas, de cunho negativo, que causam angústia e para aliviar ou reduzir a ansiedade o paciente apresenta comportamentos compulsivos (compulsões), conscientes, padronizados e recorrentes,  com a finalidade de garantir que esses pensamentos (as obsessões) não ocorram. O paciente pode desenvolver compulsões como: contagem de objetos, lavar as mãos repetidamente, trancar e destrancar a porta de forma recorrente etc.

OERJ: Como e quando a doença se manifesta?

Prof.Norma: O TOC atinge a homens e mulheres na mesma proporção.  Normalmente, a doença surge durante a infância ou nos primeiros anos da adolescência, mas também pode iniciar na vida adulta.

OERJ: Situações estressantes podem desencadear os comportamentos compulsivos?

Prof.Norma: Sim, o estresse gera certa ansiedade que pode potencializar os comportamentos compulsivos.

OERJ: Qual tratamento é indicado para quem sofre desse transtorno?

Prof.Norma: Estudos demonstram que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é o tratamento mais indicado para pacientes com sintomas leves. Já pacientes que apresentam TOC com sintomas moderados ou graves  a terapia TCC em conjunto com o tratamento farmacológico (anti-depressivos inibidores da recaptação da serotonina –  ISRS) são mais apropriados. Em caso grave, em que o paciente  não consegue mais ter um convívio social, a cirurgia é uma das opções.

OERJ: É possível levar uma vida normal com Toc?

Prof.Norma: Sim é possível, quando paciente consegue responder bem ao método terapêutico. É muito importante procurar ajuda profissional e ter apoio familiar.

OERJ: Como a família pode ajudar?

Prof.Norma: É importante reconhecer o poder clínico que a família exerce no paciente, já que ela o conhece melhor que qualquer pessoa. Para isso, a família  deve ter conhecimento do transtorno, ter empatia, evitar julgar e criticar o paciente e entender que cada paciente reage de uma maneira diferente ao processo terapêutico. Hoje, grande parte  dos especialistas formam parcerias com a família para facilitar a melhora do paciente.

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