Super Escolas de Samba SA

Esta semana, o jornalista Leo Dias revelou, em sua coluna no jornal O Dia, os salários de alguns carnavalescos das escolas de samba do Rio de Janeiro. Algumas pessoas se assustaram com as cifras. Como a de Renato Lage, do Salgueiro (R$ 800 mil por ano) ou de Paulo Barros, da Portela (R$ 500 mil por ano) e questionam se tais valores estão de acordo com a nossa realidade.

Antes de tudo, se as escolas se dispõem a pagar tais salários é porque possuem receita e têm orçamento para isto, pois do contrário não assumiriam tais compromissos. Por outro lado, precisamos considerar que as agremiações do grupo especial do Rio funcionam atualmente como verdadeiras empresas, durante todo o ano. Seus recursos financeiros contam com verbas específicas de carnaval compostas por subvenções governamentais municipal, estadual e federal, de patrocínios da Petrobrás e de empresas privadas, receitas publicitárias, venda do direito de televisionamento e de ingressos dos desfiles.

Além disso, realizam eventos concorridos – feijoadas, ensaios, shows – e conseguem boa renda com bilheteria e  serviços de bar e restaurante em suas quadras, que hoje tornaram-se verdadeiras casas de shows, dispondo de conforto, segurança, estacionamento. Calcula-se que hoje uma escola de samba do grupo especial gaste, em média, R$ 10 milhões para colocar seu carnaval na Marquês de Sapucaí.

Na verdade, o salário dos carnavalescos corresponde ao topo de uma escala industrial como diretores artísticos, responsáveis pela atividade fim, que são os desfiles. O carnaval do Rio de Janeiro emprega também um grande contingente de mão de obra direta e indireta. Na linha de produção dos barracões na Cidade do Samba são ferreiros e carpinteiros que montam as estruturas dos carros alegóricos, escultores, desenhistas, pintores, aderecistas, costureiras, cozinheiras, faxineiras. Sem contar que a partir de outubro, quando se intensifica o trabalho, centenas de ateliês se espalham pela cidade para confeccionar milhares de fantasias das alas que compõe o desfile. Tudo isso também movimenta um intenso comércio de produtos carnavalescos: tecidos, plumas, paetês, pedras, penas de aves, fitas de galão etc.

Nas proximidades das quadras, em dias de shows e ensaios, proliferam barraquinhas de bebidas e comidas, guardadores de carros, vendedores ambulantes. O Carnaval é o período mais importante do turismo carioca, com intensa ocupação hoteleira de pessoas vindas de todos os estados e países, movimentando também bares e restaurantes.

Enfim, as escolas de samba alcançaram projeção internacional. E diante disso, Beto Sem Braço e Aluisio Machado foram proféticos no célebre Bumbum paticumbum prugurundum, samba enredo do Império Serrano de 1982: “Super escolas de samba SA / superalegorias….

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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