Sucesso nos EUA, série sobre sereias estreia no Brasil

Junto com 'Siren' a febre das sereias ganha espaço no país com a autora brasileira Mirella Ferraz

Foto: Yuri Milicevic

Estreou no mes passado no canal Sony Brasil a série fantástica ‘Siren’, que nos Estados Unidos bateu recordes de audiência, ao mostrar um lado mais sombrio das lendárias sereias através da personagem Ryn (Eline Powell) e suas desventuras em Bristol Cove, uma cidade pesqueira famosa pela lenda da sereia.

Com o sereísmo se tornando um estilo de vida no Brasil, a série não podia ter estreado em melhor hora, conquistando fãs a cada novo episódio.

No entanto, com o culto a Yemanjá, sereia rainha do mar para as religiões de origem africana, tão grande no país, a febre das sereias também ganhou destaque com a autora fantástica brasileira Mirella Ferraz que escreveu os livros ‘Sereias: O Segredo das Águas’ e ‘Quando as Sereias Choram: A Lenda Será Contada’, publicações da editora Novo Século. O jornal O Estado RJ entrevistou a autora com exclusividade.

O Estado RJ: Com a estreia na TV brasileira de ‘Siren’, um tipo mais sombrio e lendário de sereia é apresentado. Qual seu tipo de sereia favorita: das lendas ou a versão Disney?

Mirella Ferraz: É difícil responder isso, porque na verdade há milhares de lendas de sereias pelo mundo todo. E nem todas as sereias das lendas são sombrias ou assassinas. Muitas lendas de sereias pelo mundo afora trata-as como protetoras dos mares e dos animais, ou como entidades, elementais. Pra mim, eu gosto de pensar nas sereias dessa forma, como uma força da natureza que protege os mares e os cursos d’água. Entretanto, como espectadora, gosto de ambos os jeitos: tanto as boazinhas como as da Disney, e também das mais sombrias, como as de Siren.

OERJ: No Brasil o culto a Yemanjá é grande. Como surgiu seu interesse pelas sereias?

MF: Sim, o culto a Yemanjá (que eu amo de paixão) e também temos nossos folclores baseados em sereias e outros seres das águas, como a Iara, a mãe d’água, o boto, o negro d’água. Todos esses fazem parte de nosso folclore, mas diversas regiões do Brasil também apresentam algumas lendas locais com sereias e outros seres das águas. E o mais impressionante é que elas estão presentes também em religiões, como as de matriz africana, ou até mesmo a católica, com a presença de uma “santa popular”, a Santa Murgen, e com a presença de figuras de sereias dentro de inúmeras igrejas pelo mundo todo. No Brasil, há duas igrejas (uma em Pernambuco e outra na Paraíba) onde a figuras de sereias estão esculpidas dentro “da casa de Deus”. Acho isso fantástico!
Meu interesse pelas sereias começou desde que nasci. Eu não consigo explicar de onde veio, e nem mesmo a minha família consegue. Foi antes de qualquer desenho ou filme que eu possa ter assistido. Eu simplesmente nasci assim, dizendo que eu era uma sereia e me sentindo uma. Desde os 5 anos eu já nadava com minhas caudas improvisadas (na época com meias-calças da minha mãe), eu chorava porque eu não tinha uma cauda. E esse amor doentio que eu sentia pelas sereias e esse desejo de ser uma não me abandonou nem quando entrei na fase adulta, pelo contrário, parecia que uma parte de mim faltava.

OERJ: Com 2 livros com o tema sereia, como decidiu reunir ambos os assuntos?

MF: Na verdade são 2 livros, 3 contos com o tema de sereias e mais 3 roteiros para cinema. Eu venho de uma família de escritores e sempre foi uma paixão escrever. Quando comecei com o interesse em escrever e publicar livros, é claro que o tema “sereias” foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça. Desde que fui alfabetizada eu consumia toda a leitura que encontrava sobre sereias. Há muitos anos pesquiso sobre sereias, então quando resolvi finalmente escrever minhas histórias, é claro que elas estariam presentes.

OERJ: Atualmente você tem o título de sereia brasileira, isso ajuda ou atrapalha o trabalho como autora de literatura fantástica?

MF: No meu caso ajuda, pois muitos seguidores e simpatizantes do sereísmo,  já me conhecem pelo meu título e pelo meu trabalho como Sereia Profissional, se interessam em adquirir e ler minhas obras.

OERJ: Há planos futuros para novas histórias de sereias?

MF: Sim, atualmente estou escrevendo meu terceiro romance, e, claro, terá as sereias como personagens principais.

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