Storyboard, a arte dos bastidores do cinema

Uma das funções mais complicadas da área de cinema é a direção e não porque ser um diretor é um cargo de chefia, mas principalmente pelo trabalho de decupar as cenas do roteiro. E o que seria exatamente uma decupagem? Nada mais que fazer um tipo de “recorte” das cenas descritas em um roteiro, para torná-las imagens quadro a quadro.

O termo surgiu a partir de uma palavra francesa “découpage” que foi abrasileirada e significa simplesmente “recortar”. Esse recorte de cena em linguagem cinematográfica sempre vai variar de acordo não só com as cenas, mas também em relação ao diretor. Porque um pode ler um roteiro e decidir por uma cena mais longa para sua narrativa, enquanto outro vai ler o mesmo roteiro e optar por algo mais curto. Só uma coisa é certa, tudo precisará ser dividido em planos para o planejamento da filmagem e uma das formas que Hollywood descobriu ser muito eficiente para ajudar, tanto o diretor como a equipe, a vislumbrar as cenas, é o uso do storyboard.

Foto: Divulgação

Um storyboard nada mais é que um enorme quadrinho do filme. Um tipo bem rudimentar, já que basicamente é uma espécie de rascunho de cada cena, mas dependendo de quem faça os desenhos, alguns storyboards se tornam verdadeiras obras de arte.

Por isso, a pergunta que não quer calar, especialmente quando se estudo tanto narrativa cinematográfica, quanto de quadrinhos, é o motivo de certas adaptações recentes de HQs saírem tão erradas e nada fiéis às histórias, já que a produção tem um storyboard pronto. Nesse caso, a história em quadrinho que estão adaptando. Talvez a questão nunca seja respondida, mas uma coisa é certa, infelizmente, ainda há muito preconceito em relação aos quadrinhos, já que muitos cineastas ainda acham que tratam de histórias e arte inferiores.

O preconceito quanto aos quadrinhos pode ser visto inclusive ao perceber que a arte do storyboard é pouco usada fora dos estúdios hollywoodianos, como se tal recurso pudesse macular trabalhos mais sérios.

No entanto, basta pegar filmes de sucesso da história do cinema mundial, como por exemplo os filmes ‘Cidadão Kane’, ‘E o vento levou…’, ‘Psicose’, ‘Tubarão’, ‘Star Wars’, ‘Aliens’, ‘Matrix’ e ‘Seven – Os 7 Crimes Capitais’, e ver que não importa o gênero, o storyboard ajuda na concepção das cenas de forma eficaz, sem dúvida. Se tornando depois, em alguns casos, uma obra de arte à parte. Porque da mesma forma que alguns storyboards são meros rabiscos com bonequinhos magrelos com cabeça de bola, outros são detalhados e podem ser apreciados como pura arte.

Alguns artistas de storyboard de filmes de sucesso inclusive se destacaram depois, como foi o caso de Joe Johnston que assina o storyboard do primeiro filme de ‘Star Wars’, produção de 1977, o qual iniciou a carreira como artista de efeitos e hoje é um renomado diretor de cinema, contando com sucessos no currículo como ‘Jumanji’ de 1995 e também o clássico infantil ‘Querida, Encolhi as Crianças’. Ele também é responsável pela refilmagem do clássico monstruoso da Universal ‘O Lobisomem’ e pelo primeiro filme da Marvel do Capitão América, ‘Capitão América: O Primeiro Vingador’. Além do aclamado drama ‘October Sky’.

Por

Ex-repórter redatora da editoria de Cultura do webjornal O Estado RJ, atualmente colunista (Curtindo Adoidado).

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