Sob a Pele

Entre a ficção científica e a boa e velha metáfora.

A trama, que se passa na Escócia, narra os caminhos e ações de uma alienígena (Scarlett Johansson), disfarçada de humana. Enquanto ela dirige uma enorme van pelas paisagens gélidas de Glasgow, busca por suas presas. No caso, homens caminhando desacompanhados. Ela os aborda sempre com o pretexto de estar perdida e procurando um lugar, como por exemplo, os correios. O homem indica o local, ela puxa mais assunto pra saber se ele mora só, se tem amigos, etc. Ou seja: se ele morrer, vai chamar a atenção? O questão é que cada homem que entra em sua van, desaparece para sempre. O que, de fato, acontece com eles, prefiro deixar pra quem quiser ver o filme.

Pelo menos pra mim, a grande sacada é trocar o gênero do predador comum, no caso, homens. Afinal, acho que estatisticamente é muito mais comum ouvirmos sobre mulheres que sumiram em vans misteriosas e não o contrário, não? No entanto, em “Sob a Pele”, temos a utilização de uma criatura feminina, mas não humana para desempenhar este papel.

Ela é fria, calculista e embora pareça, discordo quando ouço que a personagem (sem nome) possui um apetite sexual voraz. Penso que ela utiliza a “pele humana” sob a qual se esconde, apenas para atrair suas presas. O foco então não é o sexo, mas o poder, a pele, o disfarce e, por que não, a total falta de empatia demonstrada pela personagem desde o primeiro segundo do filme. A morte é relegada à uma casualidade perdida entre a personagem e seus reais objetivos. Portanto, sim, ela mimetiza o comportamento do “macho alfa” para conseguir o que quer.

No entanto, quanto mais ela perambula entre humanos, algo vai mudando. A frieza de antes vai cedendo lugar à confusão, ao desejo e ao medo. É quando o jogo vira e ela descobre que ser HUMANA pode ser realmente algo perigoso e cruel.

Embora eu já viesse guardando este filme (pra variar!) e estivesse, naturalmente, ansiosa pra vê-lo, confesso que fiquei surpresa com o que assisti. Como não se trata de um filme tão novo assim, já havia esbarrado em alguns spoilers. Porém, pra minha total alegria, nenhum fez jus à obra. Aliás, mesmo sendo um filme excelente, alguns pontos técnicos me chamaram a atenção: fotografia e trilha.

Sob a Pele talvez seja uma das mais inteligentes metáforas dos nossos dias, colocada em 24 frames por segundo.

Por

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