Skate também é para meninas

Esporte radical inibe mulheres e pode atrair o preconceito, porém elas não estão se preocupando com estereótipos

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Em tempos de “marola”, ou seja, mar baixo e sem ondas, surfistas californianos procuraram uma outra forma de se divertir. Ao invés da água, o local para deslizar passou a ser o asfalto e as quilhas foram trocadas pelas rodinhas. A prancha teve seu tamanho reduzido e passou a se chamar shape, feito em madeira.

Dessa forma, na década de 1960, surgia uma nova modalidade esportiva: o skate, que na maioria das vezes é praticado por homens. Essa situação, muitas vezes, atrai um certo preconceito em relação às mulheres que o praticam. Myra Luara, por exemplo, que começou a andar de skate quando tinha nove anos, conta que gostava das manobras feitas por um amiguinho de seu condomínio e logo quis aprender também. “Eu não gostava dessas brincadeirinhas de casinha e boneca. Então, comecei a andar de skate, andar com os meninos. Não tinha menina e as crianças falavam mal”, afirma Myra.

Preconceito com as skatistas

O desporto, que consiste em deslizar em uma prancha de rodas sobre o asfalto, logo foi ganhando adeptos. Em princípio, piscinas foram esvaziadas para tornarem-se locais de manobras, além das ruas. E hoje há diversas pistas próprias para o skate em vários lugares do mundo e do Brasil. Os praticantes sofrem alto risco físico e, por isso, o esporte é considerado radical.

Segundo o presidente da ONG SBR Rocinha Radical, Rubens Carvalho, explica que o fato de o esporte ser radical inibe as meninas. Entretanto, ele diz que o preconceito não existe dentro de grupos skatistas. “Esse pensamento está mais nos amigos e nos familiares. Na pista, rola muita amizade”.

Skatista Myra Luara

A versão é confirmada por Myra Luara, que afirma que os meninos sempre a incentivavam. “Até hoje, quando vou para uma pista de skate e tento uma manobra nova, eles me ensinam e me ajudam”, diz. Myra também incentivou sua amiga Marcela Morais, que há seis meses anda de skate. Depois, ela ainda animou outros amigos, todos os homens. “Desde que comprei, eu consegui incentivar outros meninos que conheço e eles compraram skates iguais ao meu”, conta Myra. Além disso, Marcela em momento algum sentiu qualquer tipo de preconceito por praticar o esporte.

Segurança no skate

O presidente da ONG SBR, Rubens Carvalho, também chama atenção para o uso dos equipamentos de segurança. Em sua ONG é obrigatório o uso de capacete, cotoveleiras e joelheiras. Fora o risco, ele aponta as conquistas da prática do esporte: “O principal ganho é a retirada de crianças e jovens de um mundo que pode levar às drogas. O foco passa ser o skate. Além disso, muitas crianças que caem à toa e não têm muito equilíbrio adquirem isso aqui. Elas aprendem a cair e se machucam menos”.

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