Silvestre, selvagem, quem liga?

Animais de companhia existem. Bom senso também

Chico é uma capivara que, há uns anos atrás, foi para o Texas, EUA, e lá foi domesticada para ser um bichinho de companhia! Uma capivarinha, que com 2 míseros anos na época, foi pega, provavelmente num pantanal aqui no Brasil, e foi pros states ganhar a vida ilegalmente. Chico é um meninão, e lá fica assistindo à TV, roendo os móveis e tendo uma vida nada normal. Quem disse que isso é fofo é mais imbecil do que aqueles que fazem leis para poderem ter leões na garagem. Isso não é nada certo, é uma quantidade de aberrações dignas de um filme de terror. Até Freddy Krueger tremeria com tamanho pesadelo.

Enquanto isso, aqui na terra sem lei, ou cheia de leis, uma pressão política acontece para que se deixem de criar animais silvestres como pets vai vingar? Outro dia recebi um material muito interessante de uma ong e que deve ser analisado a fundo antes de um comentário raso ser difundido. Infelizmente quase nunca é assim. Modinhas e rodinhas de amigos se mobilizam, mas nada ou quase nada sai do papel ou das telas dos smartphones.

Pois bem: existe um projeto de lei. a PL 4.705/2020, para que se crie uma Lista Pet, a qual, de acordo com uma nota da Agência Câmara de Notícias, “autoriza a instalação no País apenas de criadouros de animais silvestres que tenham fins conservacionistas ou científicos, desde que devidamente regularizados, e proíbe qualquer tipo de comércio desses espécimes.” Certo? Válido? Justo? A meu ver, depende. Depende de uma série de fatores, obstruções, impedimentos, análise de bem-estar dos animais, etc. E principalmente de sanidade de quem foi eleito por nós, você se lembra?

Já se sabe que aqui no nosso Brasil quase nada muda, o tráfico só altera a sua forma e lá está ele, com a polícia pegando em flagrante um milhão de aves escondidas, amarfanhadas e, em muitas, inúmerasvezes, sem chance de sobreviver fora de uma gaiola. Milhares delas. E é aí que o bicho pega. Como podemos exigir liberdade para animais já tão sofridos? Não podemos, assim como não temos o direito de processar, chamar defensores da vida animal porque um cidadão bem esclarecido, totalmente a favor de tudo o que protege os animais, tenha que abandonar sua criação de cobras ou lagartos, por exemplo. Concordo sim, quando existe um grupo lúcido, que sabe exatamente o que deve ser feito e que não fica por aí gritando palavras de ordem, mas sem saber o que acontece na real. Essa é a minha opinião. E até ajudo a criar, se for o caso. Quem me conhece, sabe.

“A verdade é que uma Lista Pet será editada aceitemos, ou não. Então, de imediato, precisamos tentar salvar o máximo de espécies possíveis e garantir àquelas que forem inseridas na lista o máximo de bem-estar. Esta é uma visão imediata pensando nos animais que entrarão na lista sem perder a meta de médio e longo prazo por jaulas vazias, e não, jaulas maiores. Precisamos ser realistas. Se não agirmos de forma estratégica, com argumentos técnicos e políticos, as consequências para milhares de animais, assim como para a conservação da biodiversidade do Brasil, será imensurável. Seguiremos lutando e apoiando o PL 4.705/2020 que visa exterminar esse comércio de uma vez por todas! Este é o caminho, pelo comércio zero”, me alerta a nota da ong.

Animais em jaulas me remetem a um circo ou a um zoológico de quinta, lá na esquina da cidade que tem como desculpa o de “não ter nenhuma outra fonte de renda, a não ser a dos animais”. Maltratados. E é pra essas pessoas inescrupulosas, que a lei deve existir e ter sua mão forte, não para quem se preocupa em salvar animais para que continuem tendo uma vida digna. Sei que uma cobra, por exemplo, não é um pet comum, já que ninguém vai se exibir no parque com uma jiboia de coleira e focinheira, ou com uma onça de colarzinho antipulga.

Criadouro Onça Pintada – Site Oficial do Criadouro Onça Pintada
Uma anta irresistivelmente feliz, num criadouro irresistivelmente legal

Sejamos sensatos, quem cuida de verdade, cuida. E com tudo o que deve ser feito até mesmo domesticar, o que não significa abobalhar o ser em questão, só domesticar para que seja uma criatura afável o suficiente para que não saia pelas ruas apavorando os ignorantes que, vendo uma cobra na rua por exemplo, a atropele como se fosse o ser mais nefasto do mundo. E que continue sendo criado com todo o conforto, espaço real e num lugar tão lindo que ela nem queira mais sair. Sem jaula para confinar animal nenhum. Já temos presídios para isso. E são para humanos irracionais.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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