Sexta-Feira 13 ou Saci-Pererê?

Voltando ao assunto da semana passada, percebo que precisaremos de vários textos em várias semanas para colocar em dia todos os problemas que nossa cultura vive. Desde a época do descobrimento, dos índios, bem,  enfim, desde sempre procuramos um meio de aniquilar, destruir e acabar com a nossa história, nossa cultura. Como já disse aqui, pobre do povo que ignora sua origem, sua cultura. Vivemos num país que prefere admirar e vivenciar culturas de outros povos em detrimento da nossa. O que nos faz parecer um povo sem personalidade. É verdade que não é todo mundo, mas o pouco que se importa ainda é uma parcela pequena e não faz diferença diante do todo.

Valentine’s day e Halloween são algumas das datas que hoje aqui também merecerem comemorações. Dia de São Valentim ou Valentine’s day, é comemorado nos países de língua inglesa e representa uma crença inglesa muito antiga diz que é o dia em que os pássaros escolhem suas parceiras para acasalar e associado aos namorados que trocam cartões, bombons e amor. Já o Halloween, ou dia das Bruxas, é uma comemoração de origem celta que marcava a passagem de ano e a chegada do inverno. Os celtas acreditavam que no início do inverno os mortos regressavam para visitar suas casas e que assombrações surgiam para amaldiçoar seus animais e suas colheitas. Daí todo o misticismo que envolve o dia 31 de outubro. É assombração para todo mundo e todo gosto.

Falando do Halloween, é comum ver pessoas se preparando para festas comemorativas da data e se fantasiando das mais horrorosas personagens do terror. Jason Voorhees (sexta feira 13), Mike Meyers (Halloween) e Freddy Krueger (Hora do Pesadelo) são alguns dos mais temidos vilões do gênero. Eu particularmente sou fã do Jason e sua sede de vingança. Não que eu tenha isso em meu DNA, mas entre essas personagens ele é o que eu mais gosto. Acho um roteiro muito comercial e óbvio para atender o objetivo. Suspense, medo, luta do bem contra o mal e ao fim, a vitória do mocinho que sempre salva a mocinha. Perfeito para prender o público na poltrona do cinema. Não é à toa que a franquia de Sexta Feira 13 é uma das mais longas do gênero.

Já para os românticos de plantão, agora começam a fazer do dia 14 de fevereiro uma nova oportunidade para mostrar todo seu amor junto à pessoa amada. Agora para muitos casais existem duas datas para comemorar, dias 14 de fevereiro e 12 de junho. Haja presentes e mimos. Na verdade, o amor deve ser celebrado todos os dias de nossas vidas. Seja da forma que for e do jeito que for, amar é a coisa mais bonita que uma pessoa pode sentir por outra pessoa ou por algo que a torne mais feliz.

Hoje abordamos essas datas que de um tempo para cá se tornaram muito íntimas do brasileiro e que pelo visto foram inseridas no nosso cotidiano. Uma pena, pois em nosso calendário existem diversas datas e símbolos de nosso folclore que poderiam perfeitamente povoar o imaginário desse povo que prefere valorizar o de fora ao invés de conhecer nossa cultura. Saci Pererê, Cuca, Curupira, Mula sem cabeça, Boto cor de rosa, Iara mãe d’água, entre outros estão aqui, na nossa cultura.

Engana-se que acredita que as festas juninas são de origem brasileira. Elas surgiram na Europa antes de Cristo. No Brasil, as festas juninas tem como referência as festas de Portugal. O cavaquinho, sanfona, triângulo ou ferrinhos e reco-reco foram trazidos do país irmão para cá e utilizados nas festas. As festas juninas estão aqui há muito mais tempo, mas mesmo assim não nos pertence como cultura natural. Nossa história é muito vasta e com muitas possibilidades capaz de ilustrar um almanaque de diversidade. Não precisamos ir buscar algo fora para nos sentirmos parte de um contexto.

Não me vejo contrário às variações sobre o mesmo tema, não sou conservador e sempre busco a multiplicidade de informações e culturas. Apenas acho que a cultura de um país merece ser respeitada principalmente pelo seu povo. Não vejo motivo para que a cultura, o folclore e a história de uma sociedade seja esquecida ou mesmo destruída. Um povo é medido pela capacidade que tem de resguardar seu passado e sua cultura. Por isso, povo brasileiro, chegou a hora de fazer valer sua história. Vamos buscar mais o conhecimento de nossa história e curtir cada um dos nossos heróis. Afinal de contas, nossos antepassados nos contaram as histórias que lhes foram contadas e assim por diante. Precisamos dar continuidade as nossas histórias.

Que venham novas gerações para conhecer nossos Curupiras e Sacis Pererês.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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