Sem interesse: adolescentes com título de eleitor em fevereiro é o menor já registrado

O cientista político e professor da FGV) Jairo Nicolau, destaca a falta de identificação partidária dos jovens como a principal barreira

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, no mês de fevereiro, o menor número de adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor da história. Foram contabilizados mais de 830 mil jovens com o documento até o momento. Nas últimas eleições gerais, em 2018, foram mais de 1,4 milhão de pessoas da faixa etária aptas para votar no mesmo mês.

Considerando as mais de 6 milhões de pessoas com 16 e 17 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de jovens com título de eleitor em 2022, até agora, representa cerca de 13,6% do total de habilitados para obter o documento. Em fevereiro de 2018, o percentual era de 23,3%.

Nas eleições de 2018, segundo o TSE, em outubro, período eleitoral, havia 1.400.613 adolescentes de 16 e 17 anos aptos para votar. São cerca de 30 mil pessoas a menos que as cadastradas em fevereiro do mesmo ano.

O cadastro eleitoral para novos eleitores será encerrado no dia 4 de maio. O requerimento pode ser feito online, no portal do TSE. É necessário enviar ou digitalizar documentos como identidade e comprovante de residência, além de informar um telefone de contato caso o cadastro esteja incompleto.

Em nota, o TSE esclareceu que há variações nos números avaliados mensalmente por conta de eventos como transferências, cancelamentos, revisão eleitoral ou processos para novos títulos. O número de eleitores para outubro só estará disponível após o encerramento do cadastro.

Para especialistas, o desinteresse dos mais jovens pela política é a força motriz para a baixa procura pela emissão do título. A queda, para o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Jairo Nicolau, não é algo novo e tem sido observada ano após ano. Ele destaca a falta de identificação partidária dos jovens como a principal barreira.

“De 1989 pra cá, vimos esse número cair bastante nessa faixa etária. Antes era algo perto de 70%, hoje chega a 40%, 30%, o que constata esse desinteresse. Os partidos estão bem envelhecidos, não há renovação etária, há dificuldade de diálogo e de atrair jovens para a militância. A expectativa dos jovens nessa idade também é muito diferente do que é debatido. Temas como diversidade, meio ambiente, mercado de trabalho e universidades não são prioritários”, explica o professor.

De acordo com dados do TSE, em 1992, os adolescentes de 16 e 17 anos representavam cerca de 3,5% dos eleitores. Hoje, o contingente não chega a 1%.

Para o cientista social e pesquisador em comportamento do eleitor, Guilherme Carvalhido, a tendência, caso não haja nenhum forte estímulo para que o grupo se engaje politicamente, é de que, no futuro, haja mais abstenções nas eleições.

“Já notamos um aumento gradativo das abstenções e votos nulos e brancos nos últimos anos. Sobretudo de abstenção, que tem um custo muito baixo, uma punição pequena, que torna o voto quase opcional. Quando se afasta do voto, se afasta da democracia”, pontuou Carvalhido.

Por

contato@oestadorj.com.br

Webjornal Oerj - O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e