Se pudéssemos mudar o passado, qual seria o impacto disso nas nossas vidas?

Uma condicional desse calibre não pode simplesmente fazer com que os nossos erros sejam apagados

E se pudéssemos apenas mudar o caráter daqueles que foram escolhidos por nós para que gerenciassem nosso futuro? Melhor ainda, e se pudéssemos ver, de verdade, quem são os que deveriam gerenciar nossas escolhas e fazer exatamente o que e para que foram escolhidos? Não digo isso religiosamente, afinal temos o dom do livre arbítrio, mesmo que alguém venha – sempre – tocar na nossa ferida.

Digo isso pelo tempo em que nos arrependemos de escolher – ou não – quem está no andar de cima e, de novo, não digo isso espiritualmente, mas democraticamente. Quem é capaz de escolher um lado para ser vice já nasceu perdedor. É aquela máxima do “se só tem tu, vai tu mesmo”. Perdedor desde que nasceu, deve ter caído do berço assim que viu as tetas da mãe vizinha e achou que o leite de lá deveria ser melhor.

Não gosto de me meter em política ou políticos, mas esse caso é sui generis e deve ter a ferida tocada. Sem band aid ou merthiolate. Quem, em sã consciência, muda de um sapato 40 para um 35 e quer que caiba sem incomodar, deve ir direto para um manicômio. A sã consciência não deixaria que isso fosse sequer pensado. Mas, quem se candidata a vice? Quem quer começar já no “pode ser”?

Fogos de artifício silenciosos: o espetáculo que não agride os animais -  GreenMe Brasil
Os fogos sem susto são lindos, Use-as com moderação

Deixando a fúria de lado, penso agora apenas no gran finale de 2021, com nenhuma bomba machucando os ouvidos de ninguém, tampouco os dos meus animaizinhos amados, moramos agora num lugar de paz e livre dessas torturas que não agradam ninguém e só machucam ou matam. Hoje estamos em uma zona livre de bombas. Agora é crime, mas que nunca dão cadeia.

Muito se engana quem pensa que a tortura é só essa, temos ainda a Retrospectiva da Globo, com todas as mazelas e algumas vitórias desse ano, de pandemia, corrupção, mortes de famosos e nascimento de estrelas num futuro próximo, medalhas e troféus.

Tudo meticulosamente selecionado, avaliado e posto em pauta para ver se dará audiência. E tudo encaixado com os já formatados programas de 10 horas de música, incluindo aí a indefectível playlist do Roberto Carlos, tão esperado para alguns e tão aguardado para que se mude de canal para outros.

Ainda resta a Hora da Virada, com os repórteres do mundo todo e em muitas chamadas ao vivo o tempo todo, alimentando a ansiedade e desespero para quem vem vai dar o primeiro rojão de Ano Novo. Obviamente antes vêm as homenagens aos que se foram, as confirmações ou não das previsões da Mãe Dinah ou de novos videntes, astrólogos, polvos e tartarugas sensitivas que brotam nessa época. E que vão por água abaixo dias depois. Como todos.

E se, nesse fim de ano, pudéssemos, afinal, apenas aguardar quietinhos num canto, sem alardear o tanto de vitórias que tivemos e o tanto de derrotas do ano que se foi, só ficando ali no quintal, bebendo um pouco e olhando no horizonte os fogos da festa?

Uma boa hora para planejar em que lado ficar, para que lado pender ou, para quem gosta de começar perdendo, em que sombra encostar o burro.

Viva 2022 e só ele. 2021 já acabou, man. Game over.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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