Romancista Abdulrazak Gurnah é o laureado do Nobel de Literatura

A Academia Sueca anunciou nesta quinta-feira (7) o vencedor do Prêmio Nobel 2021 de Literatura. O romancista Abdulrazak Gurnah é o laureado deste ano “por sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes”, segundo a Academia.

Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar, na Tanzânia, e chegou à Inglaterra como refugiado no final da década de 1960. Até sua recente aposentadoria, ele foi professor de Inglês e de Literaturas Pós-coloniais na Universidade de Kent, em Canterbury, no Reino Unido.

Ainda refugiado, o romancista começou a escrever aos 21 anos. Autor de “Afterlives”, publicado em 2020, Gurnah constrói seu universo literário com ricas descrições sobre a África Oriental – evitando estereótipos, revelando conflitos e mostrando a diversidade cultural local.

“A dedicação do laureado à verdade e sua aversão à simplificação são impressionantes. Seus romances evitam descrições estereotipadas e abrem nosso olhar para uma África Oriental culturalmente diversificada, desconhecida para muitos em outras partes do mundo”, escreveu a Academia Sueca ao anunciar o premiado.

Grandes nomes e outros fatos sobre o Nobel de Literatura

Desde 1091, 113 Prêmios Nobel de Literatura foram concedidos. Destes, quatro foram compartilhados por duas pessoas. O mais jovem laureado em Literatura foi Rudyard Kipling, de 41 anos, autor do livro “The jungle book”, inicialmente publicado em revistas entre 1893 e 1894. Ele foi premiado em 1907.

Entre os contos do livro de Kipling, três revelam a história de um menino indiano criado por lobos – no Brasil, a história tornou-se conhecida como “Mogli: o menino lobo”.

Dezesseis mulheres já receberam o prêmio até hoje.

A escritora Doris Lessing é a mais velha premiada em Literatura. Ela tinha 88 anos quando recebeu o prêmio em 2007. Ernest Hemingway, autor de “O velho e o mar”, “Paris é uma festa”, entre outros títulos, recebeu o prêmio de Literatura de 1954.

Gabriel García Márquez, autor do clássico “Cem anos de solidão”, levou o prêmio em 1982 por seus romances e contos “nos quais o fantástico e o realista se combinam em um mundo de imaginação ricamente composto, refletindo a vida e os conflitos de um continente”.

Winston Churchill também foi premiado com um Nobel de Literatura por “seu domínio da descrição histórica e biográfica, bem como por sua oratória brilhante na defesa de valores humanos”. Ele foi premiado em 1953. Entre 1945 e 1953, Churchill obteve 21 indicações para o prêmio de Literatura e duas para o Prêmio Nobel da Paz.

A autora sueca Selma Lagerlöf (1858-1940) foi a primeira mulher a ser premiada, em 1909. Lagerlöf foi premiada cinco anos antes de ser eleita para a Academia Sueca, instituição responsável pela seleção dos ganhadores do Prêmio Nobel de literatura.

De 2007 até 2020, seis mulheres levaram a láurea de Literatura, incluindo a ucraniana Svetlana Alexievich, autora de “Vozes de Tchernóbil” – premiada em 2015. A Academia classificou seu trabalho como “um monumento ao sofrimento e à coragem em nosso tempo.”

A escritora Toni Morrison tornou-se a primeira mulher afro-americana a receber um Nobel de Literatura – ela foi premiada em 1993.

Outros premiados pelo Nobel 2021

David Julius e Ardem Patapoutian venceram o Nobel de Medicina, na segunda-feira (4), por suas descobertas sobre receptores e temperaturas de toque. “Em nossa vida diária, consideramos essas sensações naturais, mas como os impulsos nervosos são iniciados para que a temperatura e a pressão possam ser percebidas? Esta questão foi resolvida pelos ganhadores do Prêmio Nobel deste ano”, explicou a Academia no anúncio dos vencedores.

Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi receberam a láurea de Física, na terça-feira (5), “por contribuições inovadoras para a nossa compreensão de sistemas físicos complexos”. O trabalho ajudou a compreender como se dão as mudanças climáticas que afetam o planeta.

Benjamin List e David WC MacMillan ganharam a láurea de Química, na quarta-feira (6), “pelo desenvolvimento de organocatálise assimétrica”, uma ferramenta que é capaz de atuar na construção molecular. O trabalho da dupla tem ajudado na elaboração de novos medicamentos, tornando a química mais sustentável.

Veja o cronograma do Prêmio Nobel

Medicina: segunda-feira (4)

Física: terça-feira (5)

Química: quarta-feira (6)

Literatura: quinta-feira (7)

Paz: sexta-feira (8)

Economia: segunda-feira (11)

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