Ricardo Salles requenta cadeira com pouco conhecimento

Revestido de polêmicas, novo ministro ainda tem muito a entender

O Estado e o Meio Ambiente, de inteira responsabilidade do Governo do Presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro (PSL), em parceria com os Governos Municipal e Estadual, têm sido motivo de controvérsia entre a sociedade civil em geral e de defensores da nova gestão governamental, principalmente após as mudanças do Ministério do Meio Ambiente, depois da última nomeação da equipe ministerial, Ricardo Salles.

“Esse governo é realmente um desgoverno em matéria de ecologia, comenta Dayse Chioquetta, ex-delegada do Orçamento Participativo em Porto Alegre, representante de Ecologia e Meio Ambiente. Ela enfatiza que “é lamentável realmente, em se tratando de ecologia, que esse governo não esteja fazendo nada e ainda está tirando toda a fiscalização”, quanto ao Serviço Florestal Brasileiro, responsável pelo Cadastramento Ambiental Rural (CAR), instrumento esse que auxilia no processo de regulamentação ambiental de propriedades e posses rurais que foi transferido para o Ministério da Agricultura.

Ricardo Salles, escolhido em dezembro de 2018, foi secretário na Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, com acusações na Procuradoria Geral e tornou-se réu no Superior Tribunal Federal (STF), teve caso ligado diretamente na área da pasta que assume, ao ser apontado por falsear mapas das matas ciliares do Rio Tietê, afluente que corta todo o Estado de SP.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participa de reunião da Comissão de Meio Ambiente do Senado para apresentar as diretrizes e os programas prioritários da pasta.

Ele também mudou de pasta a área de Pesca e Licenciamento do setor para o Ministério da Agricultura. “A priorização dos interesses do agronegócio e mineração, em detrimento da preservação ambiental e das comunidades locais, demonstram pouco conhecimento sobre a gestão de recursos”, diz Lenah Sakai, empreendedora de negócios inovadores e fortalecimento de ecossistemas. Ela acredita que “o novo governo está focando muito a geração de recursos financeiros e esquece que todos os recursos naturais são finitos e a diminuição de outros recursos”, diz.

Agência Nacional de Águas

Já a gestão de políticas de águas e de serviços hídricos da Agência Nacional de Águas fará parceria com o Ministério do Desenvolvimento já anunciado, Sobre a diminuição de recursos como água, Sakai declara que “traz grandes impactos na vida de todos os seres vivos. Um grande exemplo, a falta de água limpa para o consumo da população”. Ainda afirma que, “claramente prejudica os interesses de proteção ambiental e fortalece os interesses econômicos. E o que mais chama a atenção nas alterações é o afastamento de profissionais de todas as estruturas que estavam ligadas ao órgão do Meio Ambiente”, sinaliza.

Algumas áreas precisam de mais atenção, como a agricultura: “Ela está relacionada com o problema do desmatamento e do agrotóxico. As queimadas e as apropriações de terras para a criação de gado têm como consequência, além da emissão de gases estufa e destruição de florestas”, explica Sakai.

Mesmo com a polêmica sobre as declarações do presidente Bolsonaro sobre as mudanças do clima, o Acordo de Paris e sobre as multas do IBAMA, o economista e ex-suplente do chefe de gabinete do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) em São Paulo, Luiz Carlos Bosio, que hoje trabalha como responsável pelo Gerenciamento de Projetos Governamentais, Projetos Financeiros, Pesquisas Econômicas e Sociais, Consultoria Governamental, comenta sobre seu apoio às medidas tomadas: “a desoneração de impostos de empresas cria condições para uma Economia Reversa”.

Com um quadro que traz mais críticas do que adesões, o governo de Bolsonaro mostra suas convicções quanto ao papel do que o Meio Ambiente tem para criar melhores condições para a Economia, ao transferir várias pastas para o Ministério da Agricultura. “Tem muita coisa do governo que eu apoio, aquilo que é bem para o país, que tem amparo legal e constitucional, eu vou apoiar sempre”, enfatiza Bosio. “O governo brasileiro não será signatário do Acordo e não significa que não cumprirão os acordos anteriores. Até porque existe uma pauta de trabalho no Meio Ambiente, uma pauta técnica que leva a isso.

Mesmo que o ministro esteja hoje bastante contrariado com algumas posições da área econômica do governo, os acordos anteriores deverão ser cumpridos, envolvem uma série de razões: uma melhor administração de florestas, redimensionamento de áreas de pastagens e de plantio”. complementa Bosio.

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