Riachão e o samba de roda da Bahia

Esta semana foi marcada pela morte do compositor Clementino Rodrigues, o Riachão, sambista icônico da Bahia, aos 98 anos. Autor de sucessos na voz de Gilberto Gil e Caetano Veloso, como “Cada macaco no seu galho ” e “Vá morar com o diabo”, com Cassia Eller, Riachão pode ser considerado o representante maior do samba de roda baiano, ao lado de Oscar da Penha, o Batatinha.

O ritmo denominado axé e a música oriunda dos trios elétricos do carnaval de Salvador foram fortemente influenciados por ambos.

O precursor de todos eles foi Dorival Caymmi, que desde os anos de 1930 conseguiu extrapolar do seu estado natal para chegar ao grande público brasileiro. Riachão também conseguiu furar esse bloqueio e ainda na década de 50 teve suas primeiras músicas gravadas, através de Jackson do Pandeiro.

Existe até uma certa polêmica histórica de onde o samba surgiu, se no Rio de Janeiro ou na Bahia, dado à forte tradição desse gênero nos dois estados. Alguns estudiosos apontam inclusive uma diferença estética no ritmo.

No Rio, o samba seria eminentemente uma criação urbana, a partir da região conhecida como pequena África, a Praça 11, depois definitivamente formatado pela geração de sambistas do Estácio, no final dos anos 20 do século passado. Enquanto que na Bahia ele preservaria ainda uma influência rural.

Descartadas essas polêmicas, nomes como o de Riachão afirmaram fortemente a importância do samba baiano na cultura brasileira. Outros compositores também contribuíram para preservar essa influência.
Atualmente vários sambistas baianos se destacam, como Nelson Rufino, autor de “Verdade”, gravada por Zeca Pagodinho, e “Todo menino é um rei”, na voz de Roberto Ribeiro. Roque Ferreira é outra presença certa nos discos de Zeca, como o seu “Samba pras Moças”.

Outros sambistas importantes da Bahia são Edil Pacheco, parceiro constante de João Nogueira, Tião Motorista, com vários sambas gravados por Martinho da Vila e Ederaldo Gentil, cujo grande sucesso “O ouro e a madeira”, foi gravado pelo grupo Originais do Samba, na década de 70.
Enfim, embora atualmente a música baiana que alcança a grande mídia seja mais conhecida pelos grupos de axé e por estrelas como Ivete Sangalo e Claudia Leite, é inquestionável que a tradição do samba baiano está fixada no cenário da música popular brasileira.

E autores como Riachão, sem dúvida, deixaram seu legado.

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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