Quinteto em Branco e Preto – Um mix gostoso de se presenciar

A terra tremeu dias antes (25/11) num tremor de 5,9° que deu um sustinho no pessoal de Lima. O que não se esperava, era que essa fosse a antecâmara para o Quinteto em Branco e Preto que vinha à Lima para comemorar seus 15 anos de carreira no Festival Perú-Brasil.

Não é de ontem que a proximidade dos dois países vem criando um espaço ideal para o intercâmbio, não só comercial, mas principalmente cultural.

Peru e Brasil possuem ambos uma riqueza cultural muito ampla. E foi nesta busca de promover a integração, cooperação e colaboração, através da cultura que apoiaram projetos de sustentabilidade sob o lema: “UNIDOS PELA AMAZÔNIA”, o projeto do empresário Bono X, que apresenta o I Festival Peru-Brasil 2013.

O projeto baseia-se em três eixos fundamentais: desenvolvimento sustentável, buscando ser, em todo momento um evento ecológico; social, oferecendo um espaço cultural de qualidade com acessibilidade a todos os estratos sociais, incluindo ong’s que trabalhem com o mesmo foco; e, cultural realizando apresentações, concertos, recitais, exposições e oficinas que permitam o aprendizado e inter-relação de culturas.

Neste artigo, uma entrevista com o Quinteto em Branco e Preto, depois de um convivio com os artistas durante 3 dos 4 dias que permaneceram em Lima, e a música brasileira recebida pelo Império dos Incas!

Realmente a escolha não podia ter sido melhor, o grupo considerado como um dos principais continuadores da tradicao do samba e vencedor do 24° Prêmio da Música Brasileira como “O Melhor Grupo de Samba” em 2013, o grupo de samba Quinteto em Branco e Preto conformado por dois grupos de irmãos músicos (instrumentistas e compositores): Magnu Sousá (voz e pandeiro) e Maurílio Oliveira (cavaquinho), e os irmãos Everson Pessoa (violão de seis), Ivison Pessoa (tantã), e Vitor Pessoa (surdo), foram o primeiro Grupo de samba a se apresentar no Montreux Jazz Festival na Suíça, acompanhando a madrinha Beth Carvalho e divulgando a música brasileira em um workshop intitulado Musik in the Park, apresentou-se também no Symphony Space da Brodway em Nova Iorque, Africa do Sul, Itália, Portugal, Alemanha, Angola, França no Cité de la Music-França em companhia do mestre Riachão da Bahia e no Carré Du Temple com a cantora Beth Carvalho, aumentando a lista de países com Equador e agora Peru.

O Quinteto chegou a Lima para fazer o público vibrar e conseguiu que a platéia cantasse em alto e bom som várias músicas da MPB no primeiro dia de apresentação do grupo numa casa de Jazz em Miraflores, bairro tradicional da cidade de Lima.

O afilhado da grande sambista Beth Carvalho, batizado duplamente pela própria, primeiro com o nome Café com Leite e posteriormente como Quinteto em Branco e Preto, teve em seu repertório um leque variado que levou o público numa viagem pelos recantos do Brasil, através de gotas de som que passaram desde o samba de raiz, bossa nova, jazz, pagode, gafieira, samba & rock, samba & jazz, samba & pop, uma viagem que mostrou o mais rico da música brasileira e, como testemunhei o melhor primeiro contato que o público limeño podia ter com o Brasil.

O publico pôde ouvir e cantar músicas de sua autoria: como Xequeré (Magnu Sousá, Maurilio Oliveira e Nei Lopes), Maria não volta mais (Chapinha e Nino Miau), Ascendeu a Vela (Paqûera/Edvaldo Gadinho), Não é só garoa (Maurilio de Oliveira e Chapinha), como Partido Alto (Chico Buarque), Nunca (Lupicínio Rodrigues), Garota de Ipanema (Vinicius de Morais e Antonio Carlos Jobim), Canta Canta Minha Gente (Martinho da Vila), É preciso muito amor (Noca da Portela e Tião de Miracema), e muitas outras mais, num repertório escolhido especialmente show que durou mais de duas horas.

A CEREJA DO SORVETE!

A Prefeita de Lima, excelentíssima Senhora Susana Villarán, prestigiou o Quinteto com sua presença no primeiro show em Lima.

A coisa não ficou por aí não! A alcaldesa sambou com Ivison Pessoa o samba do grande Martinho da Vila, Canta Canta minha Gente, e se despediu do Quinteto dizendo que sentiria saudade! Vejam só o Quinteto e o samba da Prefeita! 

1. Que referencias culturais vocês tinham do Perú? (Ivison e Vitor Pessoa)

Ivison:  Bom, tinha a do povo da cultura e o Império Inca, enquanto a música só Susana Baca.

Vitor: E sobre a Susana Baca, a referencia através da Fabiana Cosa, cantora brasileira, que faz pesquisa sobre música afro-peruana e citou-a. Mas a gente veio querendo conhecer mesmo a cultura. Chabuca Granda também, a quem vi em um vídeo na internet onde ela aparece, nossa, grande diva, maravilhosa, então são essas duas referências musicais que a gente tem.

2. Quando foram convidados, sabiam o quanto o país conhecia de Musica Brasileira?

Everson: Não, a gente imaginava que o Peru conhecia os clásicos da musica brasileira, Tom Jobim, Chico Buarque de Holanda, e nomes que representam o Brasil, Roberto Carlos.  Mas do Samba, a gente imaginava que não era tão conhecido assim, a parte do povo do samba, e se tratando de Quinteto e Branco e Preto, menos ainda, de saber que o Quinteto é um grupo que tem 15 anos de carreira, e agora atual vencedor do Prêmio da Música Brasileira; então viemos sabendo que iriamos nos apresentar ao Peru, e aí foi o que aconteceu, nós hoje estamos na intimidade com o Peru, e a partir de agora somos amigos intimos: Quinteto e o Povo do Peru, povo do samba.

3. Com que artista da MPB cada um de vocês se identifica, e qual, como grupo musical, acham que seja uma musica referencia do Brasil para os países de fala hispânica?

Vitor: Tom Jobim, Emétrio Pasqual, também, tem um grande cantor chamado Roberto Ribeiro, João Nogueira, em fim, tem muitas influências, na verdade a gente é um conjunto, cada um foi se criando no samba, Nelson do Cavaquinho, Cartola, então tem muitas influências, é difícil você nomear uma, né?

Everson: Os nomes que se destacam da MPB são Gilberto Gil, Djavan, João Bosco, Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, esses nomes, são os que fazem a MPB ter a linguagem que ampara todo um estilo musical de ritmos, Caetano Veloso, ritmos e formas de se fazer música no Brasil, e, quando a gente insere nessa MPB o Samba, ele é um universo imenso dentro da MPB, que é uma coisa que o Peru tem que saber que não pode-se separar o Samba da MPB; existe MPB e Samba, infelizmente há a separação, mas o Samba faz parte da MPB, e uma grande referência, que a gente pode citar também, junto aos outros, é o próprio Martinho da Vila, que é um cantor que atravessou diversas décadas cantando Samba, e também misturando linguagens com a África, América Latina e a Europa. Ele sempre se preocupou em levar a mistura de outras linguagens para dentro do Samba.

Isison: Eu tenho como referência um outro sambista, o Nei Lopes, é uma grande referência como escritor, compositor, pensador; fiquei sabendo que ele esteve aqui na semana passada, faz um trabalho de pesquisa sobre a diáspora africana, e como meus irmãos disseram, muitos artistas brasileiros são referência da MPB, a música peruana, fazem essa junção, procuram estar compondo e passando a mensagem para a América Latina. Nós estamos tentando agora fazer isso, fazer a América Latina consumir o Samba, em  forma de composição, em forma de intercâmbio, tentando se aproximar, não apenas como interesse de mercado, mas culturalmente falando, a gente necessita que o Samba esteja próximo da América Latina porque é uma vertente que é parecida à América Latina, tem tudo a ver!

4. O que o Peru, depois da apresentação de ontem representa para vocês?

Vitor: Ah, agora sim, representa uma espécie de pátria amiga, à qual queremos voltar, queremos regressar, eu acho que ficou uma relação de família agora, também fizemos grandes amigos aqui, e o público, acho que foi muito receptivo, então acho que tem muito espaço para a gente construir muito mais, mostrar muito mais do nosso talento, da nossa musicalidade, então acho que ficou uma grande impressão de uma primeira vez que vai ser referência sempre, vai ter esse gosto, de quero mais, né? Foi essa a impressão que a gente ficou tendo.

Everson: E ficou pra nós também a missão de falar da cultura peruana pro Brasil, porque se olham para a America Latina como um lugar apenas de montanhas e um povo subdesenvolvido, então, a nossa  missão é essa! Nasceu essa luz em nossa cabeça em Quito, onde falamos: Poxa, tem lugares na américa Latina que o Brasil precisa saber! Não apenas assim, de olhar no mapa, e Lima, não é mais apenas uma cidade no mapa pro Brasil, tem que ser um lugar para se absorver cultura. Ouvir dizer de nomes de artistas e procurar saber mais,né? Tirar um pouco da ignorância das pessoas de olharem para países da América Latina como apenas um país.

5. O que esperavam e como foi o Festival de ontem?

Ivison: O Festival de ontem para mim foi um embrião, o início de um trabalho, pontos positivos como negativos, como um embrião, espero que a coisa cresça, estamos honrados de participar do primeiro Festival, e creio que virão mais. Tomara que os organizadores se empenhem para haver mais.

6. Que aprendizado levam consigo desta primeira visita ao Peru?

Vitor: O aprendizado da relação com o país que é um irmão, e a gente precisa também ter o diálogo constante entre Brasil e  américa Latina, porque a lingua e o idioma não permitem muito, esse, acho, é o maior aprendizado, fazer esse intercâmbio, e criar  essa relação e discutir vários assuntos, problemas e soluções, que eu creio que os problemas do Peru, também atingem aos problemas brasileiros e vice-versa, acho que um vai gerando o outro. Acho que o aprendizado, além da relação humana que a gente viu aqui do tratamento das pessoas, da forma, da hospitalidade como eles receberam a gente, a gente tem que ensinar isso lá! O brasileiro, ele é muito receptivo, porém, creio que falta algo que au acho que os peruanos têm, assim, uma coisa muito boa, muito positiva, então esse é um dos aprendizados.  Agora, tem uma lição de casa também! de você aprender várias coisas para voltar para cá sabendo muito mais da cultura peruana, e tal. Tem uma lista de aprendizados aí.

Everson: O aprendizado de falar mais castelhano, e desenvolver o idioma lá! Vai ser muito bom fazer isso!

7. E a comida? Qual a diferença entre a cultura gastronômica brasileira e a peruana, no pouco que vocês puderam experimentar aqui, tem alguma diferença que vocês tenham percebido tipo: no Brasil tem isto…

Bastante diferença, o tempero, os pratos, o Brasil tem muita variedade, demais, é muita mistura, cada estado tem sua comida e tem a variedade dentro do estado, então, é muita influência africana, indígena, do português, do italiano, do espanhol, infinidade de povos que influenciaram a culinária brasileira.

E aqui eu gostei! Foi um dos melhores lugares fora do Brasil que eu achei a comida boa. O pollo (frango), o peixe ótimo, coisas maravilhosas, pratos que… maravilhoso!, ceviche, tacu-tacu, lomo saltado, nossa senhora! Aqui tô apaixonado por essa culinária!  Tem que voltar para comer pronto!

Mas o Quinteto não ficou só na base de entrevistas e shows não! Um passeio pelo Malecón de la Reserva no tradicional bairro de Miraflores, e uma prova da gastronomia local, fez que os meninos se encantassem com a nossa comida!

Desde o já conhecido Ceviche, até o Tacu-Tacu, típico prato da comida criola, e uma sobremesa que não podia ter sido mais bem escolhida: Suspiro a la Limeña: uma sobremesa que, segundo conta a história, origina-se lá pelo século XIX, na cidade de Lima. O doce, batizado pelo poeta José Galvez, pela suavidade e doçura que assemelhavam a inocência e delicadeza da mulher Limenha, comparando-o com seu suspirar, é um doce preparado a base de Manjar Blanco ou Menjar Blanc, um genérico que veio ao Peru desde Espanha e que surpreende gratamente a quem o prova por sua suavidade e perfume de vinho do porto incluído na receita, um pecado para qualquer paladar!

Sim, podemos dizer que a integração cultura começou pra valer!

Vejam os vídeos:

Prefeita Susana Villarán num sama elegante com Ivison

Quinteto em Branco e Preto cantando às Marias!

Por

Webjornal O Estado RJ > No ar desde 28/05/2007 > Promovemos o Projeto Futuro Jornalista.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e