Quem sou eu?

Dias atrás, resolvi fazer uma faxina de modo geral em meus pertences de anos passados, muita coisa rasguei e joguei fora, mas foi nessa separação de o que serve e vai pro lixo, que encontrei um redação feita quando ainda era estudante na faculdade de comunicação social, na SUAM, no bairro de Bonsucesso. Na época, nos idos de 1984, em final de uma ditadura, quando o general Figueiredo era presidente da república, e o SNI – Serviço Nacional de Informações, vivia investigando a vida de muita gente que era contra o regime ditatorial daquele momento. Um professor, não lembro o nome dele agora, pediu aos alunos que fizessem uma redação sobre si mesmo. Não gosto de falar sobre a minha pessoa, e foi então que tive uma ideia de criar o texto com pitadas de humor sobre mim e o tal mestre, como gozação. Segue abaixo:

Nasci no Rio de Janeiro, no bairro de Laranjeira, filho de pais paraibanos. Cabras machos. Porém, por felicidade do destino, desde os quatros anos de idade vivo na Baixada Fluminense, no distrito de Nova Iguaçu, em Mesquita. (Obs: hoje município emancipado do qual fiz parte).

Durante toda minha infância fui um excelente jogador de futebol, bem melhor do que o Zito. Ficava sempre sentado no banco de reserva. Isso era para que eu não me machucasse. Como vê, sempre tive bons amigos. Preocupavam-se com o meu futuro.

O destino me foi cruel e não segui carreira no meu talento. Eu vivia sempre dividido; meus amigos queriam que eu fosse jogador de futebol, e meus pais que fosse advogado, assim como meu avô foi. Um grande homem, por sinal. Lembro-me quando minha mãe contava que, quando ele era delegado, os presos chamavam-no de pai e pediam bença. E eu queria ser matemático. Acreditava que depois de formado, conseguiria ser um grande cientista. Achava que os golfinhos poderiam se comunicar através de uma linguagem matemática. Sonhava em ser um grande homem. Seria um passo para a ciência.

Bem, acabei no Grajaú (alusão a uma peça teatral da época), digo, em comunicação social com especialidade em publicidade e propaganda. E, agora encontro-me fazendo uma redação sobre minha vida. Com medo, é claro do professor, pois acredito que ele é agente do SNI. Sou comunista, filho de Prestes.

E então, o professor respondeu:

É! Eu sou um profissional, um professor. Esta verdade me basta. Não me importo com o que os outros pensam.

Sua redação foi muito boa!

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