Quem nunca fez “Glu Glu, Ié Ié” que atire a primeira pedra

Ligar o rádio antigamente e ouvir Sidney Magal ou Odair José era normal, era sucesso. Hoje em dia eles voltam ao cenário como "cult". Ainda bem que nossos ouvidos finalmente entenderam as mensagens enviadas há 40 anos atrás

Me lembro que há anos atrás, e põe anos nisso, existiam artistas que cantavam músicas criticas com leveza e davam seus recados. O brega era um gênero musical de baixa qualidade, apesar de ser muito popular, mas que não trazia relevância cultural. Seria um engano essa afirmação? Creio que sim. Existem muitos cantores bregas que até os dias de hoje ainda são sucesso em seus segmentos. A música brega é na verdade uma forma de exaltar o popular, criar uma raiz capaz de solidificar as emoções sem perder a personalidade. É falar com o coração o que está preso na garganta. E tanto faz se a música é romântica ou para dançar, não faz a mínima diferença, o que importa é a sensibilidade.

Nos anos de 1970, eu ainda menino, ouvia na rádio alguns sucessos que permeavam os momentos delicados que vivíamos. Muitos achavam que era uma música que não objetivava ideias, não se posicionava politicamente. Uma espécie de alienação cultural, já mencionada no auge da jovem guarda. A questão é que os tempos eram outros e qualquer que fosse sua posição, seria questionada. Os tempos eram outros? Será que entendi o que escrevi? Bem, deixa pra lá, vamos voltar para o cafona, termo também usado para definir a música brega. Sucessos como “Eu não sou cachorro não”, “Uma vida só” (Pare de tomar a pílula), “Sandra Rosa Madalena”, “Tá todo mundo louco”, entre outros, ainda estão em nossa memória afetiva e nos traz recordações e emoções que nos alimentam e criam sensações saudáveis com nosso passado.

Mallandro é Mallandro: só se salsifufu

Não existe gênero musical para a maioria das pessoas e sim música boa e de qualidade, aquela que toca a alma e nos faz viajar em esferas que só nossa alma é capaz de penetrar. Relembrar momentos e situações, fazer valer cada verso e estrofe da melodia é algo assustadoramente intrigante e mágico. Uma música pode nos fazer renascer e nos encher de força para mais um dia na batalha da vida. Pode nos deixar tristes e chorosos, pode muitas coisas e todas elas são marcadas por momentos. Da alegria a tristeza, temos um caminho intenso e a música brega entendeu isso e nos presenteou com obras imortais. Algumas já citadas aqui, mas tantas outras que não tocam mais nos rádios e poucas vezes ouvimos em festas e reuniões.

Com a chegada da internet e a globalização, finalmente pudemos conhecer e entender o movimento que arrastou multidões desde seu inicio, lá nos anos 70. Como não ouvir a dupla Pimpinela com o single “Siga seu rumo”, sem lembrar do Cassino do Chacrinha e tantas outras vezes em que a música tocou no rádio AM, porque era onde esse tipo de música fez história. As rádio mais ouvidas aqui no Rio de Janeiro eram Rádio Tamoio e Rádio Mundial. Duas das maioras rádios do Brasil. Precisaríamos de uma dia só para falar sobre elas e eu prometo que em breve falaremos.

Eis aqui alguns nomes que fizeram história na música brega: Reginaldo Rossi, Waldick Soriano, Amado Batista, Odair José, Sidney Magal, Ovelha, José Augusto, Wando, Agnaldo Timóteo, Nelson Ned, Cauby Peixoto, Genival Lacerda, Sérgio Mallandro, entre outros. Não podemos deixar de mencionar Falcão, que na minha opinião entrou na onda reverenciando o ritmo e resgatando o movimento para os dias atuais.

A verdade é que são tantos cantores do gênero brega que não cabem nessas linhas e já peço desculpas pelo que não foram mencionados aqui. Alguns não gostavam do rótulo, outros não se importavam, o fato é que a sua maioria ainda é lembrada de alguma forma e ainda bem, pois no fundo, todos nós somos um pouco “brega” de formação. Quem nunca fez glu glu, ié ié, que atire a primeira pedra.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e