Quem nasceu primeiro que olhe por quem está no fim da linha

O fim justificará os meios e não sobrarão pedras sobre pedras. Haja coquetel molotov

Ser caçula. Numa família, ser caçula significa que tudo o que sobrar, vai pra ele. No meu caso, pra ela. Rasgou, cansou, não cabe mais? Manda pra Paulinha, a caçula. Ela chegou por último, nem vem.

“Cheguei primeiro, você não tem chance.” Isso era na minha família; já em outras, o caçula é o mimadinho, aquele que nasceu normalmente temporão, só pode – e deve – ser paparicado. Isso tudo num mundo imaginário e talvez ideal, porque a realidade de nós caçulas, é outra e talvez você que não é, nunca saiba.

A Ucrânia, por exemplo. Uma caçula pra lá de esperta e que não deixa que ninguém sente em cima. Não ao menos sem uma boa briga e algumas baixas.

Putin é um irmão primogênito mimado, que não admite que a Ucrânia ande com seu próprio velocípede, já que ainda não tem experiência para pilotar uma bicicleta aro 29 sozinha e sem as rodinhas. Com o tempo ela se sobressairá, como todo caçula que se preze. E aí veio a vovó ONU, cheia de dedos, de colinhos e de tias que chegam junto para amenizar a criança primogênita, que deve ter nascido depois de um parto sofrido e complicado, querendo dizer ao mundo que tudo ao seu redor e dela e pronto. Nada mais, além do mundo.

Ficheiro:Matryoshka dolls (3671820040) (2).jpg – Wikipédia, a enciclopédia  livre
A regra é: os pequenos obedecem os grandes. Nem sempre

As matrioshkas que se cuidem, aqui só tem criança malcriada que vai fazer de tudo para desmontá-las de vez. A Rússia perdeu a União Soviética, cada irmão foi pra um lado. Sobrou pra Ucrânia, tadinha, caçulinha, que, querendo se livrar de ter que dormir no quarto da irmã mais velha, optou por se rebelar e querer sair de casa, mas que tem um gênio indomável e um povo porreta, não vai deixar pra lá, como querem as vovós.

Depois de um chazinho da tarde com todos os tios, padrinhos, amigos, vizinhos e chegados, ainda nada foi decidido e a caçulinha continua lá, com seu arsenal de caçuletes armados e prontos pra brigar, de foice, de molotov e até mesmo de pedras. Vai o que tem, joga o que dá. Mamãe nunca deveria apoiar isso.

E é por isso que somos caçulas, ninguém se meta conosco, que aqui é pau, é pedra, é fim do caminho. Minha mãe sempre disse pra mim: os últimos serão os primeiros. Aguardem e confiem, nóis é nóis!

Deixem o meninão ficar putin, que a gente resolve depois com um bom cafezin.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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