Quem me ensinou a nadar foi um peixinho do mar

Para mudar um pouco o cardápio de mascotes, vamos aos peixes, esses seres tão lindos e tão menosprezados no quesito sentimentos

Sim, os peixes têm sentimentos como medo e dor, além de todas as sensações que nós, humanos também temos. Tato, olfato frio, calor, são em sua maioria, muito melhores que os nossos, assim como também dos nossos amores de quatro patas.

Os salmões, por exemplo, podem percorrer milhares de quilômetros ao longo de suas migrações e, muitos anos depois, reconhecerem o cheiro do curso da água de origem. Desde que a origem ainda esteja lá. Em uma fração de bilhão de gota em 90m³ de água, um único odor detectado pode servir para que os peixes possam determinar a espécie, o gênero, a receptividade sexual ou a identidade do ser nadante. Com a vantagem de o peixe nem precisar preencher um cadastro, dizendo se quer ou não declarar sua opção de gênero, raça ou cor.

Os peixes reagem fortemente ao fato de serem tocados. No momento de paquerar, eles frequentemente se esfregam de maneira delicada uns nos outros. E a gente achando que a vida é chata no mar. Sem forró.

Quando são perseguidos, capturados, ou ameaçados de todas as maneiras, eles reagem como os humanos, com o stress indo às alturas pelo aumento da sua frequência cardíaca, do seu ritmo respiratório e por uma descarga hormonal de adrenalina. Tenso e verdadeiro, só queria saber como eles conseguem medir a frequência cardíaca deles.

Numerosos cientistas reconheceram ter induzido os peixes ao medo. Entre as observações do comportamento, motivado pelo medo nos peixes vermelhos feitos pelo Professor Associado de Psiquiatria de Harvard Quentin Regestein, encontrou-se um peixe assustado que pode se enlaçar avançando, ou fugir, ou se agitar no mesmo lugar, ou ficar simplesmente mole se ele não suportar a situação. Coitado do barbatanudinho…

E chegamos aos peixes de aquário, que não possuem nenhuma possibilidade de escapar das substâncias tóxicas que penetram em sua água. Numerosos poluentes domésticos podem lhes prejudicar, entre eles a fumaça do cigarro, vapores de pintura e gotas de vaporizadores. Dentro de um bocal ou reservatório, o amoníaco que eles mesmos excretam pode se acumular e chegar a um nível tóxico. O próprio cloro em pequena quantidade pode, como o amoníaco, induzir a dificuldades respiratórias e espasmos nervosos.

Os peixes são mais sensíveis à temperatura do que qualquer outro animal de sangue quente. Uma variação brusca de apenas alguns graus pode matar um peixe vermelho. No entanto, alguns são colocados em pequenos reservatórios, onde a temperatura pode variar rapidamente. Outra sacanagem, mas… que bonitinhos, né? Eles nadam o tempo todo pra lá e pra cá, olha que vida besta a deles… Não, eles estão pedindo socorro e você achando bonito. Besta é a sua vida, vá estudar um pouco de ictiologia antes de montar um aquário. E, ao montá-lo, faça isso com propriedade, faça isso sabendo exatamente do que seus peixes precisam. Faça com amor.

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Um aquário de respeito deve ter equilíbrio

O nível de cloro da água da torneira pode facilmente ser fatal. Daí a necessidade de um tratamento vip todos os dias, com todas as informações para que os peixinhos vivam bem, mas estão privados da vida natural. Eles não têm necessidade de atividades como a procura de alimento através da vida diversificada dos recifes de corais. Ao contrário, eles percorrem as mesmas dezenas e centenas de litros, e aceitam passivamente dia após dia a mesma comida comprada pronta. E nada de Mac Fish!

Peixes devem ser tratados como animais de estimação, então estime-os, ame-os, respeitem o espaço que eles precisam. Pode ter aquário, desde que tenha toda a infraestrutura para que eles não se afoguem de tristeza, afinal, quem diz que vida de peixe é sem graça, não sabe onde o anzol espeta.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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