Quem é e o que quer a jovem ativista Greta Thunberg

Com apenas 16 anos de idade, a sueca é uma das principais influências mundial na luta pela salvação do meio ambiente

De origem europeia, a jovem ativista sueca tem planos para o mundo. Pode parecer ambição desmedida, mas Greta Thunberg fez de suas concepções ações concretas e consegue, através de discursos e protestos, atingir cada vez mais um número maior de pessoas que, assim como ela, acreditam na capacidade humana de reverter a atual situação ambiental do planeta.

Com apenas 16 anos, a adolescente é responsável pela realização de greves globais pelo clima, sendo uma grande inspiração para movimentos estudantis mundo afora.

Sua movimentação começou desacompanhada, com apenas alguns cartazes e publicações em redes sociais. O movimento, porém, foi ganhando adeptos aos poucos, sendo disseminado sobretudo por canais online.

A garota, diagnosticada com Asperger aos 11 anos, discursa hoje nos principais eventos e conferências climáticas do mundo, atingindo um grandioso grau de influência. Atualmente, volta-se à questão dos incêndios na floresta amazônica, repudiando os atos e apresentando queixas formais à ONU.

Educação como pontapé inicial

Aos 8 anos, na escola, Greta assistiu a apresentação de um filme sobre os impactos negativos do despejo de resíduos (em destaque os plásticos) nos oceanos, e de como o aquecimento global afeta a vida de milhares de ursos.

O conteúdo sensibilizou a garota, que passou a enxergar uma nova relação entre o consumo humano e sua influência nas questões climáticas. Ela afirma que todos os alunos ficaram sensibilizados com as imagens, porém, diferentemente dos outros, ela não conseguiu esquecer o conteúdo e a mensagem da obra.

Alguns anos depois, um quadro de depressão foi examinado no comportamento da menina, no qual a preocupação com o futuro era fator determinante. Entre consultas e análises clínicas, a ativista, aos 11 anos de idade, foi diagnosticada com Asperger, uma manifestação de autismo – ela afirmou que a síndrome contribuiu para seu foco máximo na proteção ambiental.

Durante esse conturbado período, a ativista deixou de frequentar o ambiente escolar, recebendo total apoio dos pais. Foi nessa época que a jovem começou a ler e pesquisar sobre o aquecimento global, tema que mais a afligia.

Ela conta que a virada veio quando os pais deram ouvidos às suas explicações, que acabaram por convencê-los sobre uma crise climática mundial.

O início dos protestos

As mudanças começaram dentro de casa: a família deixou de consumir carne; a mãe, Malena Ernman, renomada cantora de ópera, abriu mão das viagens aéreas para reduzir as emissões de gases; desperdícios são inexistentes e os produtos utilizados são todos de procedências legais e estudados.

Com 15 anos, e o total apoio familiar, a garota decidiu faltar um dia aula para ir protestar sozinha em frente ao Parlamento sueco. O tímido movimento, apenas com a ativista e um cartaz, durou mais de um ano.

O plano inicial era sentar na entrada do Parlamento durante três semanas, mas ao fim desse período, Greta decidiu continuar. “O fato de ninguém parecer se importar ou fazer qualquer coisa sobre isso parecia absurdo pra mim. Então eu decidi agir eu mesma”.

Durante esse ato, a garota conseguiu chamar a atenção de apenas algumas pessoas da região. A reviravolta começou depois de publicações no Twitter e Instagram, impulsionando a atitude e a necessidade concreta de protestos.

Fridays For Future

Foi dessa iniciativa, fomentada pela redes digitais, que nasceu o Fridays For Future (“sextas pelo futuro”, em tradução livre). O dia da semana é consequente da data escolhida por Greta para praticar seu dever de cidadã do mundo, em frente ao Parlamento.

A sueca inspirou jovens de todo o mundo a aderirem ao movimento, que culminou, em 15 de março deste ano, na primeira greve global pelo meio ambiente.

O ato levou milhares de estudantes a ocuparem as ruas de diversos países, que, por meio de palavras de ordem, exigiram medidas efetivas para o combate à crise climática e ambiental – sobretudo pela mudança de postura governamental frente à questão. Aqui no Brasil a ação foi registrada em diversas cidades.

Uma voz a ser ouvida

Em setembro, a sueca cruzou o Atlântico em um veleiro (uma vez que não realiza viagens de avião, pela mesma finalidade da mãe) fornecido por Pierre Casiraghi, filho da princesa Caroline, de Mônaco. O “Malizia II”, moderna embarcação com zero emissão de carbono, foi responsável pela travessia.

Greta desembarcou diretamente em Nova York para participar da Conferência Climática da ONU. Com discursos diretos, a jovem criticou o fracasso das nações em cumprirem com as promessas e acordos acerca da defesa ambiental e consequente proteção das gerações futuras.

“No ano de 2078, vou celebrar meu 75º aniversário. Se eu tiver filhos, talvez eles passarão esse dia comigo. Talvez eles perguntem sobre vocês, talvez eles perguntem por que vocês não fizeram nada enquanto ainda havia tempo para agir”, inferiu durante seu discurso na conferência. “Vocês dizem que amam seus filhos acima de todo o resto, e mesmo assim estão roubando o futuro deles bem na frente de seus olhos. Até vocês focarem no que precisa ser feito ao invés do que é politicamente possível, não há esperança”, completou.

Indicada ao Prêmio Nobel da Paz, Greta Thunberg se pronunciou em eventos como a COP 24, a Conferência do Clima da ONU e o Fórum Econômico Mundial.

Consultando especialistas em clima, geógrafos e diversos outros profissionais, a ativista sueca escreve seus próprios discursos e tenta, por meio deles, alterar e adaptar concepções de passadas, presentes e futuras gerações.

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