Que venha o Carnaval!

Chegamos ao fim do ano. O segundo consecutivo em que o mundo vive sob o temor de uma pandemia

Embora, diariamente os meios de comunicação não nos façam esquecer da Covid 19, principalmente com notícias dessa nova variante ômicron, a verdade é que os números permanecem sob controle no Brasil. As hospitalizações e mortes diminuíram e quase 70 por cento da população está completamente imunizada.

Para o mundo do samba, a melhor notícia desta semana foi dada pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que garantiu a realização dos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Porém, há uma ponderação. Garantia, por enquanto, somente para os desfiles do grupo especial e do grupo de acesso, que são realizados naquele local.

Quanto aos desfiles das divisões inferiores, na Avenida Intendente Magalhães, nada ainda foi confirmado.
Há uma lógica nisto, principalmente pelas questões de protocolos sanitários, muito mais fácil de serem planejados e controlados no Sambódromo principal. Na Sapucaí, o público só entra através da compra de ingressos  e logicamente, para o acesso, será obrigatório  a apresentação de comprovante de vacinação e teste negativo da doença.

Na Intendente Magalhães é muito mais difícil este controle, pois é uma avenida aberta, com acesso livre de público. Um Carnaval verdadeiramente popular, por onde circulam milhares de pessoas nos dias de folia.

Além disso, outra situação também delicada e indefinida é a de centenas de blocos de rua, que atraem muito mais gente do que as escolas de samba. Para estes, o controle sanitário é impossível. Não há como cobrar comprovante de vacina ou teste negativo num bloco como o Cordão do Bola Preta ou o Monobloco, por exemplo, que arrastam milhões de pessoas por vias públicas da cidade.

Ou seja, pelo menos, por enquanto, a cautela correta das autoridades só garante o Carnaval das grandes escolas de samba. Para essas agremiações, é praticamente irreversível o Carnaval. A não ser que nos próximos dois meses haja uma nova catástrofe de crescimento da pandemia.

Resta torcer para que os números da doença continuem caindo e as escolas menores e os blocos possam também fazer a festa. Principalmente, porque este é o carnaval onde a maioria da população pode participar, de forma gratuita, com pouco dinheiro. Depois desses dois anos de restrições de encontros sociais e com o país em crise econômica, o povo merece ter um pouco de diversão e alívio. Mesmo quem não gosta de sair e prefere ficar em casa ou frequentar lugares mais tranquilos, também é contaminado pelo clima de bom astral dos dias de folia.

Enquanto isso, as escolas de samba já se preparam intensamente. Os ensaios de quadra e de rua estão a todo vapor. Nos barracões, alegorias e fantasias tomam forma. Os sambas começam a ser conhecidos e cantados por um público maior.

Enfim, que este clima de final de ano possa realmente celebrar o fim de um ciclo trágico. Que 2022 venha no ritmo de festa e de folia. E que depois de dois anos, possamos ter de volta a felicidade que o Carnaval proporciona.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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