Que vejo flores em você

Como e onde uma mascote e uma bióloga se completam

Sempre gostei muito de plantas e de bichos. Meu respeito é tanto que às vezes extrapolo. Tenho amor igual por animais e plantas, o que me leva a respeitar os dois da mesma maneira.

Há uns quase 20 anos, fiz um excelente curso de jardinagem pela prefeitura de São Paulo, o qual me ensinou e fortaleceu minha conduta com as plantas como um todo. Nesse curso, fiz ótimos amigos, alguns para sempre, outros que se perderam no caminho. Mas sempre amigos. Uma das instrutoras é bióloga, me deu aulas inesquecíveis de jardinagem nesse curso e está entre os meus amigos.

Por uma incrível coincidência, seu nome é Assucena, um nome de flor que só confirma sua beleza. Outro dia, ela postou um vídeo, passeando por uma cachoeira, junto de sua fiel escudeira de quatro patas, a Nina. De acordo com Assucena, Nina é mateira e, quando entra na mata, se acha e se perde nessa felicidade verde.

Assucena, sempre vai para uma cachoeira em São Francisco Xavier, na Serra da Mantiqueira, São Paulo, seu ponto de meditação, oração e tranquilidade para se conectar com a vibração de sua mãe, Angelina, num lugar para chamar de seu. Nina, sempre junto, bebe a água da cachoeira e sai pelo mato atrás de novidades.

Nina, aliás, adotou Assucena, não o contrário, o que lhe deu o poder de fazer o que quiser com propriedade. Ninguém sabe quem é a mascote de quem. E não precisa, elas se completam.

Por ser mateira, andando pelo mato com toda a certeza, Nina encontrou flores lindíssimas e, bióloga que é, Assucena já soube que eram Justícias lilases raras, com aquele buquê que só vemos em sua plenitude na natureza exuberante e brasileira.

A partir dali, Assucena agradeceu à sua companheira pela descoberta e combinou: “se encontrarmos uma planta que ninguém viu antes, vamos chamá-la de Angelina, tal qual sua avó!” Quem tem cachorro sabe que esse laço vai além consanguinidade. Amor sem fronteiras.

E foi dada a largada. Nina saiu com a certeza de que já ia encontrar essa planta-avó.

Num certo ponto, Nina parou de correr e mostrou uma planta à Assucena, como que dissesse: “Achei! Era essa que você procurava?”

Assucena logo viu que era uma planta parecida com a Justícia lilás, mas essa era toda branca, com flores lindas e, depois de pesquisar, viu que não havia sido catalogada em lugar nenhum. Era mais rara. Obviamente que seu nome científico não é exatamente esse, mas para Assucena essa flor disse exatamente o que era sua mãe: cabelos brancos, beleza rara e que só queria a simplicidade mundial da paz. “Basta só alegria e paz”, ela dizia.

Assim como a Assucena, com nome de flor, a mãe Angelina também virou flor. Nada mais justo. Justícia foi feita. Justícia Angelina, pra ser mais exata.

Por

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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