Que bons ventos soprem pelo ano todo

Acordei com o céu limpo e lindo. Abri as portas e senti fundo o ar da manhã. O vento da manhã é o meu preferido

Adoro ventos, me dão a sensação de que lá vem mudanças e eu adoro mudanças. De clima, de sensações e o vento vem sempre me avisar que nada é estático. Tirando aquelas ventanias de inverno geladas, e que ninguém venha discordar disso, porque frio é gostoso só dentro de casa, das cobertas, abraçado com alguém.

Mas o vento… Meus cachorros têm opiniões contrárias sobre ele. Um tem medo, outro tem pavor e a outra nem liga. Mulheres, sempre são mais maduras. Oras, é só um vento, não é nada. Não é nada desde que não destelhe sua casa, leve as árvores pra longe, arraste casas. Agora é um furacão ou tornado. Continua vento e é dele o mérito. Impossível empinar uma pipa sem vento. Vento é o ar em movimento. É o deslocamento frequente e contínuo do ar na superfície terrestre. Exista muito mais vento no nosso cotidiano que acabamos nos esquecendo: ventoinha, biruta, catavento, cabeças de vento.

Cachorros Ao Vento
O prazer de sentir o vento no focinho.

Animais normalmente se apavoram, porque é vento e vento não tem controle, não tem cheiro; decerto não esgarçam nem soltam as tiras. Mesmo assim, eles continuam com a cara pra fora no carro pra sentir o “cheiro” novo do vento. E quando se apavoram têm toda a razão, afinal, ninguém controla essa lufada de vida que, de uma hora para a outra, vai embora. Ou derruba seus sonhos.

Vento, afinal, é vida que sopra no seu ouvido, nos seu cabelos, na sua roupa. Às vezes o vento vem e mostra o que ninguém viu. Em outras ele mostra o que você não tinha coragem de levantar. Às vezes revela, noutras esconde. Vento faz nuvens se formarem como carneirinhos, cachorros, aves, carruagens.

Vento mostra seus delírios, sua imaginação, suas histórias escondidas. É ele que libera as asas para que você possa criar, ver, sonhar. E vai embora assim, como um sopro. Se viu, sorte sua. Quem não viu, que fique de janelas abertas e espere a próxima lufada para ver o quanto a vida pode ser leve e deliciosa, só num arzinho fresco da manhã. Vento era o nome da minha avó: Bárbara Vento. Vento é bárbaro, aprecie sem moderação, solte o cabelo, abra a camisa, ria dele, ame com ele. Viva o ano, novo ou velho, não se importe com isso. Abra as janelas da alma.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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