Qual a live de hoje?

O momento é de ficar em casa, se cuidar e cuidar de quem se ama contra esse vírus chamado coronavírus, que insiste em permanecer entre nós. Pesquisas avançadas e vacinas em testes tentam encurtar sua estada por aqui. Estamos todos torcendo para que o mais rápido possível chegue a tão sonhada vacina que proteja a todos nós. Mas enquanto isso não acontece, parece que o mundo encontrou uma forma de se distrair e ao mesmo tempo se proteger através das “lives” na rede.

Já antes da pandemia se instalar no planeta, víamos o crescente número de lives que começavam a tomar conta da internet em vários momentos. O mundo do entretenimento chegou de forma avassaladora durante esse isolamento social. Agora temos lives de todos os gêneros e para todos os gostos. De shows a autoajuda, passando por  academias, aulas, resenhas, O crescimento pela busca por transmissões ao vivo na internet não tem precedentes. Segundo a revista Exame, a procura conteúdos ao vivo subiram 4.900%  durante a quarentena. Dá para imaginar. E não é só aqui no Brasil, isso é uma tendência mundial. Só no youtube, o crescimento foi de 19%. Estamos entrando numa nova era digital.

Lembro-me bem da ascensão e queda do cd. Um um curto espaço de tempo se levarmos em conta o período de ouro do LP, não durou duas décadas. Logo substituído pelos arquivos de mp3, streaming, entre outros. Hoje quase ninguém tem mais cds, todas as músicas podem ser guardadas nas “nuvens” ou no computador. Isso foi sem dúvida uma mudança que atingiu o mercado fonográfico e os nele envolvidos. Ainda não se absorve muito dessa mudança e provavelmente ainda vai demorar para que todos se adaptem ao novo mercado.

Voltando às lives, na minha opinião, acontece a mesma coisa, ou melhor, o mesmo mecanismo. O mundo vem mudando ao longo das últimas três décadas e a tecnologia vem sendo o condutor desenfreado que não dá tempo de as pessoas entenderem o funcionamento da engrenagem, o resultado é que por muitas vezes, ficam pelo meio do caminho e voltam à sua zona de conforto. Eu quero é mais. Eu quero entender como funciona e quem sabe participar da mudança. Estamos tentando entender como viver no futuro. Isso é fascinante.

Nessa quarentena estamos presenciando lives de shows em casa de artistas que chegam a ter mais de 3 milhões de visualizações. Nada mal. O sucesso é tão grande que mais lives estão sendo feitas. Shows, aulas, autoajuda, personal trainer, muay thai, programas de rádio, resenhas esportivas e até reality estão virando lives nesse momento de isolamento social. Além das possibilidades que existiam antes, agora o “ao vivo” se tornou o menina dos olhos de todos. E não tenho dúvidas de que ao fim dessa pandemia ela estará consolidada. E não faltarão motivos para que as lives sejam o futuro do entretenimento mundial.

Eu mesmo faço uma live semanalmente (antes mesmo da quarentena) do programa musical que faço em uma rádio web. E posso garantir que o retorno é fantástico. A interatividade e receptividade do público é real e imediata, medida pela emoção. Você percebe que a live encanta por ser natural e buscar justamente isso. As pessoas estão descobrindo que podem atingir um número bem maior de pessoas ao redor do planeta através de um simples vídeo e algo a mostrar. O ser humano é curioso e atento. Quando se tem uma boa história e alguém para narrar, ela viaja o mundo e a cada pessoa leva uma perspectiva diferente. isso é vida.

Agora ficamos buscando na rede a agenda das lives do fim de semana e nos preparamos como fazíamos quando o cinema era a opção. Existem lives de vários tipos, a individual, a com várias pessoas (cada uma em sua casa, claro), a conferência… O que importa mesmo é o que ela vai te oferecer. Estamos vivendo esse tempo para nos aprimorarmos ao novo modelo do entretenimento mundial. Com um custo bem baixo e um alcance intangível.

Vamos precisar nos reinventar para superar a crise econômica que nos espera e o mundo das lives está apenas começando, portanto, é hora de aprender e aproveitar. Qual a live de hoje?

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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