Playlist animal, referências para a vida ficar mais leve

Músicas também são mascotes, mas da nossa alma

Escutando umas músicas, acabo me lembrando de coisas passadas que, pela memória musical que tenho, não saem de minha alma. Às vezes isso chega a ser um castigo, já que não são só os momentos lindos que restam no meu calabouço cerebral. As ruins e as tristes também.

Quando pequena, tinha problemas de insônia aos domingos à noite, já que tinha que dormir cedo para ir à escola no dia seguinte. Minha irmã tinha um rádio-relógio, o qual quebrava meu galho insone tocando sempre as mesmas coisas. Êxtase, de Guilherme Arantes, me assombrou por muitos anos. Foi pra minha gaveta memorial.

Neil Young, com Sugar Mountain e Led Zeppelin, com Stairway to Heaven, claro, foram o ápice de minha adolescência, assim como Clube da Esquina, Supertramp e outras tantas que não caberiam aqui.

Dito isso, quero fazer também um inventário musical animal – uma playlist para alguns premiados, como a minha rottweiler Suriá, que ganhou uma música referência, a The Hoochi Coochi Coo, de Hank Ballard, tão parecida com ela, tão feliz e chacoalhante quanto. Dudu, outro premiado, com Raul Seixas e a minha escolhida pra reverenciar esse cachorro maluco beleza: Eu Nasci há Dez Mil Anos Atrás. Exato, sucinto, muito Dudu. Quem o conheceu sabe.

Sua versão atualizada é o Barbosa, que também pode ser o novo cachorro maluco beleza, mas ainda acho – e prefiro – que ele seja um novo Odair José, uma surpresa para minha audição psicótica de lembranças. Gostei de escutá-lo durante uma entrevista numa rádio de São Paulo. Cara sensato, decente, me explicou de onde vem essa expressão “brega” que todos falam. A cara do Barbosa, mas com a rebeldia de um descendente direto do Dudu.

Barbosa, o maluco mais amado e sua coleira roída, como todo rebelde

Poderia ficar aqui horas, marcando músicas e pessoas, mas isso me traria saudades de quem já foi, lembranças que não deveriam ter acontecido, fatos que sujaram a vida. Além de não fazer páreo pra esses jingles-chiclete, tipo PLOC de quinta categoria, que grudam no dente e não saem mais. E de dar munição pros inimigos.

Bem fazem nossos amigos de quatro patas, que não fazem mal a ninguém e ainda ganham uma playlist na alma. Ao menos na minha. E que não precisam de jingles para não serem esquecidos.

Por

Jornalista, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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