Pergunta que eu respondo

Ligo a TV e me deparo com a seguinte pergunta: Zeca Camargo iniciou a carreira em qual emissora de TV? E a menina acertou a resposta. Aquilo me chamou a atenção e continuei assistindo

Esse começo de ano trouxe novidades na TV brasileira. Estávamos carentes de programas que nos fizessem participar, interagir e gostar. Me refiro ao programa “1001 perguntas”, da Band, antiga Bandeirantes. O Quiz comandado pelo experiente Zeca Camargo traz perguntas interessantes e instrutivas. Três duplas disputam o prêmio de 20 mil reais e a chance de permanecer no programa no dia seguinte e buscar mais 20 mil reais e assim sucessivamente. O jogo mescla assuntos gerais e curiosidades e nos prende em frente à TV a fim de testar nosso próprio conhecimento.

Existem alguns programas hoje na TV com essas mesmas características, mas talvez sem a pegada que o 1001 perguntas tem mostrado. Além do dinamismo do apresentador, as duplas entram no clima com leveza e descontração. São cinco etapas valendo pontos até que sobram apenas duas duplas para, enfim, disputarem os 20 mil da noite. Nesse momento, durante cinco minutos, uma série de perguntas são lançadas e cada dupla precisa acertar o máximo possível durante esse tempo para chegar à vitória.

Mas antes do Zeca Camargo entrar no ar, a Band emplaca com o “Faustão na Band”, o novo programa do Fausto Silva, que também está emplacando na audiência e tem surpreendido os telespectadores. O primeiro programa teve Zeca Pagodinho como atração. A cada dia ele nos brinda com grandes talentos para que nossas noites sejam mais leves. Depois de tanta coisa ruim que assola o Brasil e o mundo nos últimos tempos, um programa diário que nos traz artistas que nos prende em frente à TV em tempos de internet e streaming, é algo para se reverenciar.

As noites estão mais animadas na TV brasileira com esses dois programas. Pelo menos nesse início, as perspectivas são as melhores. Resta saber se manterão essa mesma pegada o tempo todo, principalmente o Faustão, pois para o Zeca Camargo, me parece mais fácil manter o interesse do público por mais tempo. A verdade é que nós há muito tempo já estávamos de saco cheio de mais do mesmo na televisão. São novelas que falam das mesmas coisas e acabam se repetindo. São programas que se repetem em vários canais, como realities e culinária.

Hoje na TV aberta, precisávamos de programas como os mencionados aqui. Podemos citar alguns outros programas que hoje estão crescendo na preferência do público, como “A Praça é Nossa” e até o “Programa Silvio Santos”. Formatos que já fizeram sucesso no passado e que hoje, diante de uma enxurrada de possibilidades, ainda assim, são preferidos do grande público. Será porque o novo às vezes nos parece um antigo mal acabado? Ou o entretenimento está refém do politicamente correto? Ou o talento estava lá e não cá? Ou simplesmente “secou” a fonte de inspiração? Não sei, mas que algo aconteceu, isso sim.

Aplausos, organizados ou não, sempre serão bem-vindos
Foto: Band UOL

Durante a pandemia, assisti a muitos canais e suas programações, percebi como existem programas iguais. Nos canais de filmes então, nem se fala. Zapeando, eu me deparava com o mesmo filme em vários canais. E fazendo uma rápida conta, descobri que existem milhares de filmes das últimas décadas que poderiam ocupar os espaços nas grades para que não se repetissem tantos filmes. É uma espécie de “vale a pena ver sempre”.

Para os atuais programadores de TV, o tempo é limitado, pois nada depois dos anos 1990 tem muita vez na programação. Alguns dos melhores programas e filmes estão justamente nessa época. Que problemas poderiam ter as pessoas que programam as emissoras? Eu tenho minha opinião, mas como diz a Copélia, prefiro não comentar.

Vou me despedindo com a certeza de que entretenimento é algo muito delicado e nem todos conseguem entender seus “meandros” e por isso acabam se perdendo. Hoje procuro programas que buscam leveza e distração. Me divirto e muito com a televisão. Como dizia um dos maiores comunicadores que o Brasil já conheceu, “Na televisão, nada se cria, tudo se copia”. A propósito, Zeca Camargo iniciou sua carreira na MTV nos anos 90. Apresentava o “Drops MTV”.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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