Perfil: Wes Anderson

52 anos de um texano peculiar

Tenho apreço pela filmografia fantástica do excêntrico e peculiar diretor estadunidense Wes Anderson. Neste quesito, meus filmes favoritos são: ‘‘O Grande Hotel Budapeste’’ (2014), ‘‘Os Excêntricos Tenenbaums’’ (2001), ‘‘Moonrise Kingdom’’ (2012), ‘‘A Vida Aquática Com Steve Zissou’’ (2004), ‘‘The Darjeeling Limited’’ (2007) e ‘‘A Lula e a Baleia’’ (2005) (esse ele apenas produziu, a direção e o roteiro foram assinados por Noah Baumbach, um parceiro recorrente em suas mirabolantes produções comerciais com pegada de independente).

Wes dirigindo Ralph Fiennes

O estilo de Wes é totalmente único, próprio e de fácil reconhecimento, tanto que quando assistimos a um longa-metragem dele logo reconhecemos sua técnica, técnica essa muito difundida em todos os filmes que compõe sua dileta filmografia. O texano foi indicado cinco vezes ao Oscar, respectivamente, conta com três indicações na categoria Melhor Roteiro Original: por ‘‘Os Excêntricos Tenenbaums’’ (2001) escrito em parceira com o ator e amigo pessoal Owen Wilson, ‘‘Moonrise Kingdom’’ (2012) e ‘‘O Grande Hotel Budapeste’’ (2014), este último lhe garantiu uma indicação a estatueta de Melhor Diretor. Wes também concorreu ao Oscar de Melhor Animação por ‘‘O Fantástico Sr. Raposo’’ (2014).

Wes na cerimônia do Oscar

Tecnicamente falando, seus filmes compõem um universo próprio e possuem muitas coincidências na concepção das narrativas textuais aplicadas aos roteiros originais desenvolvidos por ele, essas coincidências são diretamente responsáveis pelo o que diferencia a obra dele de outros cineastas estadunidenses ou de qualquer outra parte do mundo. Suas técnicas são distintas de qualquer outra produção já produzida em Hollywood, podemos perceber isso no enquadramento, nos planos de filmagem, direção de arte, figurino, cenografia, fotografia, roteiro e até mesmo na direção e produção de elenco.

A simetria é uma das características mais lembradas dos filmes dele, seja em planos com um único ator em um cenário simples, ou muitos personagens em uma paisagem rica em detalhes. Certa vez, Wes revelou que se não fosse cineasta seria arquiteto, o que muito explica a metódica concepção estética de suas produções. Ele busca dialogar com o público deixando evidente, por meio da centralização (para obter esse efeito, utiliza a câmera parada e fixa com lentes mais abertas), quem é o mais importante em cena, todos os personagens e cenários estão sempre organizados visualmente desta maneira.

A Semetria

No quesito produção e direção de elenco, Wes costuma escalar e trabalhar sempre com os mesmos atores, os dirigindo de uma maneira bem original e diferenciada. As atuações são sempre precisas e excelentes, e, mesmo que soem teatrais e surreais, dá um ar totalmente novo ao método do ator, o que também torna as produções de Wes únicas. Na direção de arte podemos perceber o seguinte, os longas dele costumam ter uma paleta de cores saturadas ou pastéis, as quais acompanham todo o filme. Nesse contexto, as cores sempre ostentam um significado e servem como guia de condução cênica para o entendimento dos telespectadores. Quando falamos de um longa produzido por Wes Anderson, a fotografia, o design de produção e a direção de arte são pontos fortes que conduzem a trama tanto quanto o próprio roteiro.

Paleta de cores

Wes consegue converter todo um contexto simples em algo relativamente emblemático, belo e sensível aos olhos. Sim, há uma magia nas entrelinhas do argumento e na composição dos textos, os personagens são cheios de camadas, versados de forma poética (são únicos e originais). Wes tem esmero ao desenvolver os personagens, os roteiros são sempre construídos de forma impecável. Conflitos familiares, sexo, depressão, traição, morte, divórcio, carreira, sucesso entre outros assuntos, são temas e situações recorrentes nos roteiros dele. Nesse âmbito, Wes consegue ser perspicaz ao escrever textos onde ficam nítidos vários temas polêmicos e, é magistral a forma como ele consegue apresentar tudo isso de forma natural. Wes é um tipo de diretor que gosta de controlar todas as etapas de produção. Tanto que ele escreve o argumento, o roteiro, dirigi, produz, edita e participa da direção de arte, cenografia e fotografia. Isso é uma característica muito repetida nos filmes dele, o que acrescenta muito na dinâmica da narrativa dos longas-metragens.

Personagens de Anderson

Contudo, o que me deixa imensamente apaixonado são os personagens desenvolvidos por ele. Em sentido mais exato, os personagens da galeria de Wes Anderson são desajustados no que se refere aos padrões de vida da sociedade normativa, ultrapassam seu autotransformar e diferenciar, o que fornece dinamismo a todo movimento de composição geral e singular de cada um, vivenciam uma luta constante, a luta contra a própria forma, contra o próprio sentido da forma. Para compreendê-los é necessário codificar as situações paradoxais do cotidiano e interpretar às relações inconstantes, pedíeis, insistíeis e anormais que a trama aprofunda. Tanto que os personagens dele costumam ser perturbados, excêntricos, peculiares, singulares e perdidos com a incoerência da vida. Mas para eles resta tentar dar um sentido nas coisas da vida, em meio às insanas situações irracionais do cotidiano e com as relações instáveis entre as pessoas. Eu particularmente acredito que sou um de seus personagens.

Os personagens

Por

vanderlei.tenorio@oestadorj.com.br

É editor da página Cinema e Geografia, comentarista, colunista e repórter de cinema. Escreve para 4 portais e 1 site.

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