Parabéns Nação Rubro-Negra

Às vésperas de participar de sua segunda final no Torneio de melhor clube do mundo, o Flamengo já pode se considerar um verdadeiro campeão em 2019. Depois de mais de três décadas, o rubro-negro volta a ser falado no mundo por sua façanha e, claro, competência na temporada. Uma inspiração para uma nação de mais de 40 milhões de fanáticos súditos que ainda tem em seu maior líder, o Zico, a referência de uma história sem precedentes.

O Flamengo bate recorde atrás de recorde e sua torcida não casa de tanta felicidade. Foi o tempo em que nadava, nadava e morria na praia. Começava a temporada e sua torcida enchia a boca para gritar que já era campeã dos torneios que disputaria. Zoações com adversários e torcidas rivais. Vivia num mundo dela, o fantástico mundo rubro-negro. Só que não. No fim estava ela fora de todos os campeonatos e no máximo atingia o segundo lugar e lá vinha uma chuva de zoações dos quatro cantos do Brasil.

Entrava ano e saía e as coisas não mudavam. Torcida esperançosa e time não embalava. Seria culpa dos treinadores? Comissão técnica? Dirigentes? Ou dos próprios atletas? Que tal um mix de tudo? Sim, possível que sim. A cada início de temporada a torcida se via numa espécie de “Déjà Vu” e nada fazia mudar o triste fim que teimava em não mudar. Começo muitas vezes avassalador e ao longo do ano o gás ia acabando até que as turbinas paravam de funcionar. Desculpas das mais esfarrapadas alimentavam as resenhas esportivas e nada, nada justificava tamanha desilusão da maior torcida do mundo.

A única verdade é que mesmo com esse hiato gigantesco de títulos, sua torcida nunca em hipótese alguma deixou de estar ao lado do Mais Querido, da Nação. E talvez por isso, e por acreditar que o manto sagrado devesse voltar a flutuar no pavilhão, que em 2013 surge quem sabe o renascimento de uma instituição chamada Flamengo. Com Eduardo Bandeira de Melo, que no auge de sua altivez trouxe de volta o orgulho, a satisfação, a alegria de ser rubro-negro. Cante comigo, Mengão, acima de tudo rubro-negro.

Hoje, depois de arrumada a casa e sanada às dívidas, o Flamengo caminha a passos médios para o sucesso pleno e total. Conseguindo em um curto espaço de tempo montar um time competitivo e vencedor, dar às categorias de base subsídios para um trabalho de excelência que já desfruta de títulos nos sub15, sub17 e sub20. Time profissional campeão brasileiro de 2019 e da Libertadores 2019 e com grandes chances de ser pela segunda vez campeão mundial de clubes. Haja coração para tanta emoção. Ser Flamengo hoje é estar ligado a 220v e não querer parar. É cantar alto para todo mundo ouvir: nasci rubro-negro, não tem pra ninguém.

Parabéns ao Flamengo que está no caminho certo, buscando a hegemonia no futebol e nos esportes amadores também. Trabalhando com seriedade e devolvendo a sua Nação o orgulho de ser flamenguista. Carioca tem o orgulho de ser um povo que nunca chega na hora, deixa tudo pra última hora, tá sempre com um sorriso no rosto e claro, ou é Flamengo ou contra o Flamengo. É raiz, vem de berço. Toma aquele chopinho enquanto espera a hora do jogo começar. Quando não está no Maraca para assistir a mais um show de seu time, está num barzinho com amigos bebendo e zoando o adversário. Isso é ser flamenguista. Não tem hora, nem lugar.

O Rio de Janeiro não seria lindo se não existisse o Flamengo, pois ele dá a pitada certa para que a cidade se sinta desejada e amada. Maracanã, domingo à tarde, depois de um dia de sol e praia, assistir a um jogo do Flamengo com sua torcida cantando suas músicas não tem nada igual. É como Lamartine Babo que, em sua maior inspiração, escreveu no hino do Flamengo: “… Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo…”. Tá vendo, não sou eu quem está afirmando e sim o americano mais flamenguista que já existiu, Lamartine Babo, o famoso Lalá.

Parabéns Nação rubro-negra pelo maravilhoso ano que fizeram. Sim, porque a torcida foi peça importante e porque não dizer chave da campanha. Esteve batendo recordes de bilheterias. Viajou e ajudou a equipe em todos os lugares. Aumentou seu quadro de sócio torcedor que havia estagnado fazia anos. Quando escrevi esse artigo o mundial interclubes ainda não havia acontecido, mas tenho certeza de que a torcida do Flamengo já está satisfeita com todas as conquistas da temporada. Se o mundial vier para a Gávea será mais uma, mas se não vier, sua enorme torcida já pode dormir em paz. O ano foi satisfatório. E que venha 2020.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

Comentários estão fechados.

http://api.clevernt.com/0d18126b-b33f-11e7-bb95-f213f22ad24e