Para quem não me conhece…uma piña colada

Acordei com vontade de cantar e sair por aí abraçando as pessoas e dizendo o quão feliz sou por ter amigos e estar vivo. mas lembrei-me que não posso. Então liguei meu aparelho no volume mais alto e ouvi em casa as músicas que me fazem bem

Tem dias em que você está propenso a ouvir as suas músicas preferidas e aquelas que faz tempo que você não as ouve. Hoje em dia é fácil matar saudades sonoras. Basta apenas clicar um botão e pronto, sua música está ao alcance de seus ouvidos. mas nem sempre foi assim. E para um amante inveterado das notas musicais como eu, não se pode imaginar como sobrevivi a essa façanha tecnológica. E olha que para mim soou como uma eternidade.

Na década de 1970 eu ganhei meu primeiro radinho de pilha colorido (era moda na época) com direito a fones de ouvido e tudo, presente de minha tia Vanda. Na verdade meu irmão e eu fomos agraciados pelos coloridos e potentes rádios de pilha que me acompanhava todas as noites na hora de dormir. Era com ele que eu ouvia as minhas músicas preferidas. Um detalhe que me lembro em minha memória afetiva é o cheirinho de componentes eletrônicos que ele exalava pelos seus potentes alto-falantes.

Foi nessa época que eu comecei a me interessar por rádio e sonhar com o microfone. Época de boas músicas e melodias consistentes capaz de sensibilizar o mais duro dos durões. As estações de rádios que eu aprendi a gostar eram nada mais nada menos que Rádio Tamoio e Rádio Mundial. Grandes sucessos “navegavam” pelas duas emissoras mais ouvidas no Rio de Janeiro. Fizeram história e marcaram uma geração. Na época ainda não existia a Rádio Cidade FM que mais tarde viria a ser o ícone da minha geração. mas A Mundial tinha o Big Boy. “Helo My Crazy People”. Quem não esperava por esse comprimento na abertura de seu programa? Outro dia falamos mais sobre esse mito do rádio.

“Veveco, Panelas e Canelas” está no álbum “Maria Solidária” de Beto Guedes

Mas voltando às músicas que as vezes sentimos vontade de ouvir de novo e não sabemos o porque, eis que hoje acordei com duas músicas “martelando” em minha cabeça. Uma delas é de um artista que eu sempre gostei, mas que só fui a um show seu em 2018, trata-se de Beto Guedes, mineiro arretado. Tímido por natureza, mas poeta por gentileza. Todas as suas canções trazem um traço especial e nos invoca a momentos totalmente íntimos. Para mim a sua melhor música é “No céu, com diamantes”, música que fez em homenagem a Elis Regina. Agora a que eu acordei hoje em minha mente como aquela música chiclete foi “Veveco, Panelas e Canelas”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Ela tem o poder de nos fazer acreditar no amanhã. Nos impulsiona ao poder maior de orgulho por ser brasileiro e acima de tudo nos remete a um momento único que é nossa infância. A alegria permeia toda a estrutura da obra. Magnífica! perfeita! Apesar de a música não ser de sua autoria, ela me faz ter a liberdade poética de o colocar entre os autores, pois sua interpretação o conduz a esse patamar. Queria fazer agora uma canção alegre. A canção foi feita em homenagem a três amigos de Fernando Brant e cada um com seu apelido que dá origem ao título da canção. Alvaro Hardy é o Veveco, Tavinho Moura, o Panelas e Chico Canela, o Canelas. Outra hora posso contar mais detalhadamente a história desse clássico brasileiro.

Muito amor, com muito, muito calor. Um coquetel inesquecível

Já no fim da tarde, enquanto trabalhava em meu estúdio e vendo o fim da tarde chegar, me deparo com outra música que mais uma vez se transformou no chiclete que minha mente se negava a cuspir fora e nem podia, pois a elegância melódica impossibilitava quaisquer boicote aos meus ouvidos. Dessa vez o “culpado” foi Rupert Holmes. Que no início dos anos 1980 ficou conhecido por aqui com o grande sucesso “Him”, que tocou direto nas rádios FMs do Brasil. Só que a música em questão é “Escape” o som da piña colada.

É uma música de pegada forte e intensa. Sua melodia é forte e nos faz viajar atrás da piña colada e de seus poderes afrodisíacos. Quem nunca viajou em busca de algo que o fizesse acreditar no sonho que uma bela canção pode lhe proporcionar? Pois é exatamente isso que precisamos, de uma escapada a fim de fazer com que nossos neurônios funcionem a favor da vida, do amor e da paz. O dia que todos os seres humanos se preocuparem um pouco com seus ouvidos e sua mente para captar sons e melodias que os encantem, enfim, teremos alternativas de uma vida melhor.

Existem inúmeras canções que eu acredito fazer parte da conspiração da paz e do amor, infelizmente as pessoas ainda não se deram conta que para todos os males do mundo, a melodia é uma das armas mais consistente e capaz de penetrar nossos corações e mudar trajetória. Vamos viajar pelas canções e deixar que elas nos levem aonde quisermos e desejarmos, pois aí sim, saberemos entender a vida de outra forma. E viva a piña colada!

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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