Pantanal rima com Natal

Navegando pela internet outro dia me deparei com os dois últimos capítulos da novela Pantanal, exibida pela Rede Manchete, em 1990 e reprisada pelo SBT em 2009

Para os mais jovens, fica muito difícil o entendimento do que foi Pantanal para a cultura brasileira. Pantanal foi uma novela que mudou a forma de fazer novelas. É bom a gente acreditar que uma história bem contada não precisa de cortes e edição de imagens e Pantanal mostrou um Brasil que muitos não conheciam sem se preocupar com cortes nas cenas na natureza. Sua estreia foi em 27 de março de 1990. História contada em 216 capítulos. Seu último capítulo foi em 11 de dezembro de 1990. Durante quase um ano, os brasileiros se deliciaram as aventuras da comitiva esperança e seus “causos” contados nas noites e com moda de viola. A naturalidade como foi contada é o grande trunfo do sucesso.

Além de uma história recheada de misticismo, o folhetim alcançou números incríveis de audiência. Um elenco afinadíssimo, mesclando jovens talentos como Cristiana Oliveira, Marcos Winter, Luciana Adami, Andrea Richa, Carolina Ferraz, Paulo Gorgulho, Ângelo Antônio e velhos conhecidos do grande público como Cláudio Marzo, Jussara Freire, Marcos Caruso, Antônio Petrin, Ângela Leal, Cássia Kiss e atores consagrados como Nathália Timberg e Sérgio Brito. A Rede Manchete alcançou outro patamar naquele momento. E a trilha sonora, impecável. Marcus Viana assinou a trilha sonora e em questão de dias já estava na mente das pessoas.

Direção e produção da novela Pantanal farão visita técnica na região neste  final de semana - O Pantaneiro
Nossa eterna Juma Marruá, Cristiana Oliveira, a representação da mulher brasileira.

Eu sou um noveleiro de carteirinha, já assisti a várias novelas, mas em minha opinião, a teledramaturgia brasileira se resume em antes e depois de Pantanal. A melhor novela de todos os tempos. E para completar a dupla Sérgio Reis e Almir Sater deram o ponto que faltava para as resenhas de fim de tarde. Como disse, sempre gostei de interior e sonhava morar em algum lugar onde os pássaros cantam livremente e a brisa nos fazia sonhar.

Em uma época de transição, onde o politicamente correto e a globalização ainda não estavam enraizadas em nosso cotidiano muitas cenas hoje em dia teriam altas criticas de parte das pessoas. Quem nunca imaginou como seria se cruzasse um dia com o “Velho do Rio”, e um encontro com a “Juma Marruá”? Esse encontro eu deixo para os mais corajosos. Enfim, Pantanal será sempre lembrada como a melhor novela de todos os tempos. Cenas longas sem compromisso com publicidade, aliás, a única publicidade era mostrar o nosso país para todos. Mostrar como temos tanta coisa boa aqui dentro e que não conhecemos.

Não estou falando nenhum absurdo quando me refiro ao estrondoso sucesso da novela, pois não é de hoje que a Rede Globo de Televisão namora a obra. A princípio gostaria de ter comprado o folhetim e reprisado na íntegra. O SBT em 2009 reprisou a novela. A Rede Globo reivindicava os direitos de exibição. Alegava ter comprado direto de Benedito Ruy Barbosa. Por sua vez, o SBT havia comprado na íntegra a obra num leilão da extinta Rede Manchete. Foi uma briga judicial que só aumentou o poder da novela.

Eu a assisti em 1990, na Rede Manchete e depois, em 2009 no SBT e em ambas às vezes, me emocionei com tudo. Não há quem não se emocione com a história de José Leôncio e seu amor por Madaleine, e desse amor nasce Joventino. Madaleine foge do Pantanal e deixa José Leôncio sem notícias do filho. Ele se desespera e sofre com a ausência do herdeiro. O resto você já conhece. E você que ainda não a assistiu, está disponível no Youtube, os capítulos para matar saudades. Já para quem quiser esperar um pouco mais, a Globo lançará em 2022 um remake de Pantanal, mas duvido muito que será perto do que foi a versão original.

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A nova Juma Marruá, a atriz Alanis Guillen, de olhos claros

A começar pela protagonista, a Cristiana Oliveira, que trazia no seu biotipo, as características necessárias, além de representar a mulher brasileira. Já a atual, a atriz Alanis Guillen, muito bonita também, mas de olhos claros. Não dá. Se o autor do remake, o neto do Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi, disse que seria uma cópia fiel ao original, já começou errando. Que não traga consigo, um jogo de sete erros.

Deixei para publicar meu texto na véspera de Natal sobre a novela Pantanal simplesmente para trazer de volta a sensibilidade que anda faltando aos seres humanos. O amor à natureza e sua biodiversidade. As coisas simples que deixaram de importar. Os valores que independem de classes e raças. O respeito ao planeta e seus habitantes. Pantanal foi exibido faz 31 anos e até hoje não aprendemos a cuidar da nossa terra. Que possamos parar por alguns instantes e perceber que a vida só vai existir se coexistirmos com o planeta. Nossa terra. Nosso lar.

Enquanto isso não acontecer, precisaremos de mais “Velhos dos Rios” e “Jumas Marruás” para cuidar de tudo.

Um feliz Natal para todos! Muita luz, paz, amor e reflexão nesse dia.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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