Pantanal está em chama com fogo invisível

A única forma de combater as chamas subterrâneas é cavar uma trincheira ao redor delas

O Pantanal está em chamas, mas o fogo às vezes é invisível. A vegetação que fica sob pântanos durante a temporada de chuvas se torna seca à medida que lagos e lagoas evaporam, deixando depósitos inflamáveis no subsolo, que continuam a queimar muito tempo após os incêndios visíveis terem sido controlados.

Bombeiros estão lutando simultaneamente contra incêndios na floresta amazônica e no cerrado, mas o fogo é um desafio particular no Pantanal. A única forma de combater as chamas subterrâneas é cavar uma trincheira ao redor delas.

“Mas como fazer isso se você tem uma linha de fogo de 20 quilômetros? Não é viável”, comenta o tenente do Corpo de Bombeiros Isaac Wihby.

Os incêndios no Pantanal em agosto de 2020 são os piores em 15 anos. As chamas ameaçam a biodiversidade da região, que inclui antas, onças, capivaras e a maior densidade de onças-pintadas do mundo.

À medida que os incêndios se aproximaram das equipes de emergência no Pantanal esta semana, agentes usaram tratores para cortar árvores e arbustos ressecados, deixando um rastro de terra marrom para conter o fogo.

Mas os ventos fortes podem fazer com que as chamas passem por cima deles, ou o fogo subterrâneo passa por baixo.

“Às vezes ele passa por baixo dos aceiros e pega os bombeiros de surpresa”, disse o tenente-coronel Jean Oliveira, que está liderando os esforços. “Às vezes você controla o fogo, mas ele não está morto realmente, só dormindo”.

Bombeiros e agentes florestais têm trabalhado 24 horas por dia, há semanas, tentando apagar as chamas que destruíram centenas de quilômetros quadrados de Pantanal.

Até agora, o Pantanal registrou 4.677 focos de calor em agosto, na pior sequência de incêndios desde agosto de 2005, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

As chuvas trouxeram alívio temporário à região sul do Pantanal na semana passada, mas os incêndios voltaram a aumentar esta semana. “É nosso pior ano do fogo aqui. Nunca ficou seco desse jeito”, disse Edmilson Rodrigo da Silva, bombeiro de Mato Grosso. CNN

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