Os hebetismos de um ministro saltimbanco

Se o oferecimento de presentes também fosse parte dos ritos carnavalescos, a virtual dispensa de Abraham Weintraub do cargo de ministro da educação seria como uma benesse celestial. Tal hipótese vem adquirindo consistência na medida em que a demissão dos principais assessores que integram a sua pasta ocorre através de um efeito cascata desde o fim de 2019. Esse caos no prédio situado no Bloco L da Asa Norte de Brasília é por conta de infinitos erros bestiais que Weintraub faz questão de cometer e que terminam justificando o seu título de “pior dirigente da história do MEC”, atribuído por diferentes profissionais do setor educacional.

Nenhum outro coeficiente é tão importante para que a cidadania seja impecavelmente formada quanto a educação. É dela que os critérios responsáveis pelo desenvolvimento ético; científico; trabalhista e até mesmo a cortesia derivam. É o método que permite o refinamento de inúmeros conceitos humanos a fim de beneficiar a sociedade em termos gerais. Sob essa perspectiva, o escabroso atraso do Brasil neste círculo é um fato cada vez mais incontestável.

Também é evidente que a atual coordenação do Executivo Federal colaborou bastante no agravamento do cenário educacional em todos os níveis; sobretudo com as farfalhadas de Weintraub, que utiliza a rede global de telecomunicações para ofender a honra de alunos e professores com altíssima frequência. O comissário deprecia as instituições públicas de ensino mediante acusações impertinentes de que os câmpus universitários são, de acordo com seus delírios crônicos, fábricas de entorpecentes e imensas plantações de ervas narcóticas. Outras de suas parvoíces correspondem a insultos contra os docentes, que foram equiparados à quadrúpedes obesos pelo dardanário por manifestarem insatisfação coletiva acerca da disrupção de subsídios que implodiu as pesquisas acadêmicas e pelas falhas grotescas que incidiram na última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Isso acabou se transformando em uma intimação do Senado para o ministro esclarecer o assunto em uma sessão extraordinária realizada no início desta semana.

Tentar compreender os objetivos deste mausoléu — se é que possui algum — é uma tarefa quase impossível. Weintraub se comporta feito um gaudério: passa horas no núcleo cibernético buscando arranjar conflitos desnecessários. É um sujeito imaturo, visivelmente transtornado e incompetente, sem a mínima noção dos seus deveres como emissário do Governo Federal. Em dez meses de ofício, jamais apresentou um estudo capaz de ajudar a resolver os problemas da educação brasileira. É famoso por ter o costume de publicar diariamente uma miríade de textos nas redes sociais, porém são tantas mensagens inúteis e repletas de paradoxos que recorrer a tais excertos para organizar um renque de artigos, por exemplo, já seria uma atividade completamente utópica. A composição literária, aliás, ficaria uma desgraça no contexto estético e semântico. É uma profusão de acintes; incorreções; rusticidades; contrassensos; malabarismos intencionais; discursos que incentivam a exclusão de direitos civis, tratamento hostil para com determinados grupos e uma quantidade incomensurável de polêmicas vazias. Essa displicência política tem infeccionado o setor de maneira atroz e, consequentemente, trará malefícios exorbitantes ao país.

O Ministério é uma entidade suprema e indispensável para que o funcionamento do Brasil transcorra de um modo racional e dinâmico. Suas repartições estão permanentemente conectadas à tríade administrativa que constitui a República brasileira e o Estado nacional, dado que é obrigação dos municípios zelar pelo ensino infantil e fundamental enquanto as unidades federativas precisam cuidar da instrução média e profissionalizante, e todo esse lateralismo depende dos recursos da pasta, em um sentido amplo, para operar sem turbulências. O regulamento indica que Weintraub é o encarregado pela condução desses temas e, por conseguinte, deve estar rigorosamente inteirado ao conteúdo da programação de seu gabinete. Todavia, isso não procede devido à sua trágica atuação na chancelaria educacional. O ministro aborda — com linguagem vulgar e que desrespeita as normas sintáticas do idioma português — uma gama de proposições alheias às incumbências cardinais de seu posto. O histrião é anedótico ao ponto de incomodar seus confrades no governo. Paulo Guedes, Luiz Eduardo Ramos e alguns outros capatazes do sistema financeiro alojados no Eixo Monumental reclamam de Abraham Weintraub ter praticado certas ações que lesaram suas glebas sem prévio aviso. Não existe articulação entre as tarjetas subordinadas ao Palácio do Planalto.

Há muitas inequações que necessitam ser elucidadas com urgência. Os elementos que configuram o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) requerem um novo esquadrinhamento até o prelúdio do quarto trimestre deste ano, prazo-limite da entrega do orçamento da União ao Congresso. Não obstante, Weintraub continua desperdiçando tempo e os impostos dos contribuintes. Verdade seja dita, o pelotiqueiro chegou a divulgar um plano de construção de escolas militares Brasil afora junto com o Presidente da República — e igualmente bufão —, Jair Bolsonaro. Nenhuma investigação técnica sustenta essa abstração como uma providência eficaz no que tange às reformas educacionais prescritas. Tais devaneios são meras suposições de uma caterva que prometia eliminar os distúrbios do país quando atingisse a cimeira da edificação localizada no flanco direito ao sul da Praça dos Três Poderes. Findado o escopo, a mesma facção se empenha para conservar o retrocesso político de épocas remotas e acredita no dogmatismo medieval da truculência hiperbólica como instrumento disciplinador.

Apesar das intempéries acarretadas pela esqualidez dessa camarilha, a qualidade temática dos itens análogos ao debate educacional ratificam um avanço expressivo neste perímetro, com seus pares fornecendo adjutórios de diversas ordens a fim de medrar a esfera, exceto Weintraub. Falta inteligência de múltiplas dimensões a este subalterno, especialmente no que condiz ao pensamento lógico; análise de conhecimento fatorial; sabedoria e decoro. Contudo, fracionar as alucinações deste manirroto com uma navalha heurística é transitoriamente inadequado, já que o pós-modernismo simboliza a gestão presidencial contemporânea — e o resto do horizonte brasileiro — por intermédio de suas cortinas de fumaça e notícias espúrias. Sendo assim, é verossímil que tanto alarido sobrevenha de propósito, mas o culpado original desse escarcéu é um alcoviteiro ególatra chamado Jair Bolsonaro, pois cedeu o jirau da educação a um proditório e está subtraindo o futuro discente das próximas gerações unicamente para se manter nos holofotes mercadológicos até o sufrágio de 2022.

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Jornalista literário no segmento metapolítico e sociocultural. Pesquisador de assuntos históricos, filosóficos e aspectos econômicos do Brasil e da Ásia Oriental. Colaborador de periódicos geopolíticos e podcasts. Tradutor, locutor e dublador ocasional.

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