Os dias não são como antes, a Terra tem pressa

Rotação acelerada, dias mais curtos

Na minha infância os domingos demoravam tanto a chegar. Em minha mente só vem o programa do Gugu e a macarronada com o frango delicioso da minha mãe. Não contava o tempo como hoje. Ele parecia ir mais lento, não havia a pressa que conheço nos dias atuais. E eu não tinha também nenhuma pressa. Afinal, no meu tempo de criança não havia celular para fazer o tempo caminhar a passos tão largos.

Com o passar dos anos, talvez você tenha percebido que a distância entre janeiro e dezembro, está pequena. Eu já me peguei por vezes dizendo: já é julho, ou agosto, ou setembro. O ano parece ter começado ontem! Os dias estão cada vez mais apressados.  Medições feitas pelo laboratório físico nacional do Reino Unido, mostram que a Terra está girando mais rápido do que fazia há meio século. Isso tem tornado os dias mais curtos.

O dia 29 de junho deste ano foi o mais curto já registrado desde o início das medições. Isso porque a Terra levou 1,59 milissegundos a menos de 24 horas para realizar o movimento de rotação. O recorde anterior era do ano era de 2020, quando, segundo o instituto nacional de padrões e tecnologia, a rotação da Terra acelerou ao ponto de quebrar 28 vezes o recorde anterior de dia mais curto registrado em 2005.

Alguns especialistas acreditam que as mudanças climáticas, que provocam o derretimento das montanhas mais altas do planeta, estão contribuindo com a redução do dia através do aumento da velocidade de movimento do planeta. Já alguns cientistas alertam que se a taxa de velocidade de rotação da Terra continuar aumentando, talvez seja necessário remover alguns segundos dos relógios atômicos. Mas essa aceleração pode ter consequências graves por vários aspectos tanto da vida quanto da tecnologia.

Tais mudanças podem parecer muito sutis. Aos nossos olhos passam desapercebidas. Mas afetam e muito o futuro da humanidade. Que os dias sejam aproveitados intensamente, pois assim, caso continuem ficando menores, serão aproveitados com sabedoria.

Por

cristiane.lopes@oestadorj.com.br

* Jornalista e especialista em Gestão Cultural. Amante da cultura e das artes.

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