Os desafios de conviver com a síndrome do pânico

Doença pode limitar ações diárias, mas, se tratada a tempo, pode ser controlada e permitir uma vida normal

Garganta seca, mãos suadas, palpitações, tonturas e muitos outros sintomas estão presentes na vida de muitas pessoas que convivem com a incômoda sensação de pânico. Pode ser ao encarar um volante ou o pavor de entrar em um elevador ou ainda ficar em lugar pequeno, que aparenta ser menor do que é, com pessoas ao redor tirando o seu ar.

A síndrome do pânico é um dos cinco tipos de transtornos de ansiedade em que se encaixam 25% da população mundial segundo pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que inclui estresse pós-traumático, fobia social, fobias específicas e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Somente a síndrome do pânico atinge 2% da população, principalmente jovens e adultos por volta do 30 anos e as maiores vítimas são as mulheres.

Conhecida pelos especialistas como transtorno do pânico, esta é uma enfermidade que se caracteriza por crises inesperadas de medo e desespero, que podem afetar e muito a vida de quem passa por tais crises. A engenheira Pâmela Lemos sempre teve pavor de encarar o volante de um carro. Ela ganhou o primeiro carro aos 18 anos, mas o simples fato de se aproximar do veículo já lhe desestruturava. “Minhas mãos suavam, sentia palpitações e me sentia paralisada, só de me imaginar dirigindo em uma via expressa”, conta Pâmela.

As dificuldades quando a crise surge

Uma das características do pânico, a ansiedade é, talvez, a principal responsável por dificultar a vida cotidiana das vítimas do transtorno, pois é muito comum que ela surja quando a pessoa está em locais em que se sente exposta e desconfortável como uma estação de trem, um elevador ou em locais com multidões. Situações muitas vezes difíceis de serem evitadas.

“Uma pessoa diagnosticada com o Transtorno de pânico, caso não procure profissionais indicados para um tratamento adequado, pode ter alteração nas suas relações e ações diárias, pois o pânico pode limitar alguns comportamentos comuns para o indivíduo e desencadear situações desagradáveis como isolamento e alterações de humor”, explica Paula Pessoa, psicóloga clínica comportamental da USP.

Diferenças importantes

Embora a vida moderna, cada vez mais agitada e cheia de cobranças, traga grande pressão e insegurança, às vezes, ter medo é comum e nem sempre significa um sinal de desenvolvimento do transtorno do pânico. Sentir medo é natural do ser humano e funciona como um mecanismo de atenção quando nos arriscamos em algo desconhecido. Especialistas aconselham que é preciso ficar atento à fobias e medos constantes, pois estes sim podem ser sintomas do transtorno.

Quando a fobia é constante e começa a impedir a pessoa de fazer suas tarefas cotidianas e atrapalha relacionamentos, o indicado é procurar ajuda especializada o mais rápido possível. O tratamento é importante para frear sintomas como dores físicas, muitas vezes desencadeados por questões psicológicas. “O tratamento indicado é psicoterapia semanal para controle de ansiedade e muitas vezes é indicado na crise de pânico uma tratamento psiquiátrico com tratamento medicamentoso”, orienta a psicóloga Paula Pessoa.

O tratamento adequado vai ser aplicado por cada profissional de acordo com avaliação individual e seus métodos. No caso da engenheira Pâmela Lemos, um tratamento a base de controle da respiração e meditação tem surtido efeito. “Tem sido uma longa caminhada, mas, após dez anos do meu primeiro carro eu já consigo percorrer trajetos pequenos. Essa evolução faz eu me sentir mais segura em outros setores da minha vida”, conta a engenheira. O importante é não abrir mão do tratamento, pois as crises podem ser controladas e garantem o retorno a uma vida normal.

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