Olha a chuva! É mentira! Vamos embarcar nessa viagem sem medo de engordar

Chegou o meio do ano e com ele o momento que a balança nos trai de forma escandalosa. É tempo das festas juninas e muita comilança nos aguarda. Canjica, arroz doce, cural, bolo de milho, cuscuz, maçã do amor, pé de moleque, paçoca e pipoca. E não para por aí não, tem salsichão, cachorro quente, caldo verde, caldo de feijão e muito mais.

É a veneração a São João, Santo Antônio e São Pedro. As Festas Juninas, muito tradicionais no Brasil, também conhecida como festa de São João, teve origem na Europa como uma festa pagã, em comemoração à fertilidade da terra e às boas colheitas. Na Idade Média, a festa se tornou parte do calendário cristão e uma festa da Igreja Católica em homenagem aos três santos: Santo Antônio (13 de junho, mas as comemorações já acontecem no dia 12), conhecido pelo santo do casamento, São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho) com simpatias e pedidos feitos aos santos para realizarem seus sonhos.

No Brasil, as comemorações foram trazidas pelos portugueses, durante o período colonial. As festas com barraquinhas, chamadas de quermesses, se tornaram populares em alguns locais com alimentos vendidos e consumidos nas festas para arrecadar fundos para a igreja. Além das barraquinhas, brincadeiras diversas são realizadas, tais como leilões, pescaria, argolas, tiro ao alvo, catar amendoim, etc. Vai uma bebida aí? Que tal um quentão ou um vinho quente? São as principais bebidas dessa festa que teima em nos engordar com seus quitutes de dar água na boca. Eu aqui, só de pensar, já engordei uns dois quilos. Meu Deus!

A popularidade das festas juninas no Rio de Janeiro ganhou proporções de eventos. Nos anos 80 uma onda de bailes nas ruas durante as festas juninas se estenderam por todo estado e mais tarde todo Brasil. Equipes de som colocavam as pessoas para dançar nas ruas e as quadrilhas também se apresentavam dando um brilho a mais à festa. Barraquinhas ao longo da festa nos envolve com seus cheiros e beleza capaz de subtrair qualquer culpa que podemos ter no dia seguinte.

Nesse momento percebo que minha camisa está um pouco apertada, não estou entendendo a transformação, mas acho que engordei mais uns três quilos. Tô ficando preocupado, pois ainda não cheguei nem na metade da festa. Espero que agora só encontre barracas de argolas, tiro ao alvo, ou mesmo de latas. Pescaria a essa altura seria ótimo.

Me daria a oportunidade de pensar e repensar se devo continuar essa travessia ou voltar para o início e sair correndo até a próxima maratona do Rio. Sinto que vou parar por aqui e tentar a sorte nas argolas. Bem, quando jovem sempre tive sorte nesses jogos. Certa vez cheguei a ganhar cerca de oito garrafas de vinhos e uma de cachaça em uma barraca de latas. Por um momento pensei que minha casa estava pegando fogo, mas isso é outra história que prometo contar aqui algum dia.

Mas não é que cheguei até o fim da festa e mesmo me sentindo um pouco mais gordo não paro de me sentir feliz em relembrar a época do ano mais gostosa e bacana. Meio do ano nos deixa uma sensação de que ainda estamos no meio da trajetória e ainda falta metade do ano para finalizarmos mais uma etapa. É o período em que faço aniversário (julho). Gosto do mês de julho, fonema parecido com o nome do meu pai (Júlio) e eu quando era pequeno achava que o mês tinha esse nome em homenagem a meu pai, coisas de criança, ou melhor, do fantástico mundo de Bob.

Voltando à festa junina e aos quilinhos a mais que acabei encontrando nesse passeio lúdico pela infância. A rua cheia de barracas que consome e ao mesmo tempo absorve toda alegria e felicidade de uma festa junina. Que venham mais em outros cantos do Rio e quiçá Niterói.

A tradição do pau de sebo, da corrida do saco e muitas outras que ainda povoam as mentes e os corações de todos nós. Quem nunca viveu esse momento é porque ainda irá viver. Mas não se preocupe, o seu dia está perto. Basta aproveitar um dia nesse mês e viajar numa das festas juninas da cidade. Você simplesmente vai ser feliz e não se preocupe com os quilinhos a mais, no final eles acabam se perdendo pelo caminho.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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