Oh, Paulo Gustavo! E agora, como vamos sorrir?

O Brasil aprendeu a amar Paulo Gustavo por ele nos representar com sua autenticidade, simpatia, amor pela vida e alegria de viver

O brasileiro foi pego de surpresa e Paulo Gustavo nos vez chorar. Estamos nos sentindo órfãos da alegria num país despedaçado pelo sofrimento.

“Adolescente acha que nada de ruim vai acontecer com eles. Eles acham que são imortais.”

Sentei para ver o filme “Minha mãe é uma peça 3” na Rede Globo na última quarta feira e não consegui ficar assistindo 15 minutos. Levantei e fui para o computador escrever. Nunca havia acontecido esse tipo de reação comigo. Me perguntei o porquê e me vieram várias respostas. A que mais me fez sentido foi a de que eu havia perdido alguém muito especial e que me fazia bem num mundo tão complicado e ruim. Vou ficar com essa para falar um pouco do que fez com que o Brasil entrasse num estado de tristeza coletiva com a perda de um artista que nos fez aprender a rir num momento que o mundo suplica por faz e alegria.

Paulo Gustavo, um talento raro e que nos deixou com apenas 42 anos. Morreu por complicações da Covid. Ganhou notoriedade quando estrelou a peça “Surto”, em 2004, foi ali que apresentou pela primeira vez a Dona Hermínia, sua personagem mais marcante e que foi baseada em experiências familiares. Em 2006 estreou o monólogo “Minha Mãe é Uma Peça”, que mais tarde, em 2013 virou filme com sequência de mais dois longas. Minha Mãe é Uma Peça foi o filme brasileiro mais visto daquele ano. O reconhecimento de Paulo Gustavo já estava garantido. mas para quem já o acompanhava desde o início pode vê-lo em produções como Vai que cola e 220 volts, programas produzidos pelo canal Multishow. Mas falar de sua obra e seu talento é como chover no molhado.

A verdade é que hoje, todo brasileiro se sentiu órfão da alegria. Estamos vivendo um momento onde parece que fomos jogados aos leões e nada mais pode nos alegrar. Num país dividido e cheio de ódio, ele nos uniu na alegria, transformando nossos dias mais felizes. Dona Hermínia nos representa. Hoje entendo o porquê todos nós nos identificamos com ela e sua família e é simples entender: Nós somos assim. Toda família é exatamente como a família de Dona Hermínia, vive numa tremenda confusão, mas no fundo o amor prevalece. A extravagância, os palavrões, as brincadeiras, quem nunca fez ou faz em seu meio social? Por isso ela nos ganhou e encheu nossos corações de emoção. Simples assim.

Quando ela dispara a falar dos outros numa crítica velada totalmente coerente, quem nunca quis falar essas coisas para aquela pessoa que nos irrita? Ela, enfim, nos representa. Fala o que pensa sem medo de críticas e se tiver também que se dane… É exatamente tudo que a gente gostaria de fazer, mas o politicamente correto nos impede. São esses detalhes que nos aproximam e nos identificam com essa mulher incrivelmente amorosa, apesar de não ter papas na língua é autêntica. Que falta nos fará as sacadas de Dona Hermínia. O que ela diria hoje para o momento que vivemos? Uma coisa é certa, ela sempre estará em nossos corações.

Já o Paulo Gustavo fará uma falta imensurável. Seu talento e acima de tudo seu lado humano deixarão uma lacuna que não será preenchido tão cedo. Ele ajudava a muitas instituições e tinha um engajamento social que muita gente desconhecia. O que nos conforta é saber que ele cumpriu seu papel em vida terrena, sua missão de nos alegrar em tempos difíceis e nos mostrar que até nos piores momentos de nossas vidas, sorrir, ser feliz é o remédio que nos dará forças para evoluir nesse planeta. Ele deixa uma família linda e feliz, dois filhos e um marido que enquanto passaram juntos, esbanjaram amor, felicidade e união. Parabéns.

“Quando uma mãe perde um filho, todas as mães perdem um pouco também…” Paulo Gustavo

Lembro-me de algumas vezes ter cruzado com ele na Moreira César, em Icaraí e ele era sempre a mesma pessoas que víamos na TV, alegre, feliz e com muito amor no coração. Espero poder em breve assistir aos seus filmes sem precisar sair por não conseguir. Ainda é muito recente e difícil de aceitar que ele não dará mais vida para Dona Hermínia e seus destemperos, ao malandro Valdomiro, que odeia o Méier, e sempre enrola seus amigos da pensão. Vou parar por aqui porque me lembrei daquele vídeo de final de ano em que ele fala um texto lindo de esperança e amor, não parece que ele estava se despedindo? 

Como diria Dona Hermínia: Vamos nos cuidar porque a coisa tá feia! Vamos sossegar a periquita e o periquito em casa!

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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