O samba segue retomando seu espaço

Esta semana, após três anos, voltei ao Samba do Trabalhador, roda de samba que acontece às segundas-feiras no Clube Renascença, no bairro do Andaraí

Desde o advento da pandemia, que resultou na paralisação de várias atividades culturais, eu não ia lá. Embora a roda de samba, promovida pelo compositor Moacyr Luz, já tenha retornado há algum tempo, só agora consegui ir lá.

E o Samba do Trabalhador continua o mesmo de sempre, considerado uma das melhores rodas de samba do Rio de Janeiro. Surgiu há cerca de 20 anos, como forma de reunir sambistas e músicos que trabalham nos fins de semana e só tinham a segunda-feira de folga.

Com o tempo, foi crescendo e hoje reúne gente dos vários cantos da cidade, da Zona Sul à Baixada Fluminense, além de turistas de várias partes do Brasil e do mundo. A excelência dos músicos que ali tocam e a qualidade do repertório fazem a diferença. E o melhor é que sempre aparece algum cantor e compositor para dar uma canja. Como na última segunda-feira, quando Toninho Gerais e Pedrinho da Flor apareceram por lá.

As rodas de samba são um patrimônio cultural do Rio de Janeiro e umas piores consequências trazidas pela pandemia foi a interrupção que esses eventos sofreram. Foram retornando aos poucos, mas muitas foram afetadas e ainda tentam reviver a boa fase de antes.

Uma que foi interrompida e que desde então nunca mais fui, mas certamente preciso voltar, é o Samba na Fonte, organizada pelo músico e compositor Pakato do Cavaco, às terças feiras, no botequim Vaca Atolada, na Avenida Gomes Freire, na Lapa. Ali, o diferencial são os sambas autorais, puxados por compositores que mostram  seus trabalhos, muito deles inéditos. Uma forma de divulgarem suas obras, num cenário em que o samba tem pouco espaço na grande mídia.

Lamentável foi o fim do Samba de Lei, que acontecia às sextas-feiras, na Pedra do Sal. Não resistiu ao período de interrupção das atividades e não retornou ao local. Era também umas das melhores rodas de samba da cidade, sempre lotada e com um público diverso, que misturava gente do subúrbio, universitários, trabalhadores do Centro e estrangeiros em visita ao Rio de Janeiro.

Enfim, com todas as dificuldades desse período recente, parece que aos poucos o samba vai retomando seu lugar. As escolas de samba retornaram plenamente e as rodas e pagodes, mesmo com alguns espaços encerrados, migram para outros lugares e assim vão resistindo.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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