O samba resiste, agora com melhores perspectivas

Há um ano a Organização Mundial da Saúde decretava oficialmente que o mundo vivia uma pandemia

Várias cidades brasileiras reconheciam o perigo que rondava o sistema de saúde e começavam a adotar medidas de fechamento de várias atividades sociais, visando deter a proliferação do vírus. Com isso as quadras das escolas de samba tiveram seus eventos paralisados.

No início, os mais otimistas esperavam uma interrupção passageira e que logo voltariam as feijoadas, as rodas de samba, os ensaios. Entretanto, passado um ano, nem o mais pessimista imaginaria que em março de 2021 a situação estaria ainda pior, sem a volta das atividades do samba tão cedo, pelo menos nesse primeiro semestre.

A previsão é que no segundo semestre, com grande parte da população já vacinada, as atividades possam ir voltando gradualmente. O mundo do samba aguarda esse momento ansiosamente.

Agora com uma gestão municipal mais preocupada com as vocações do Rio de Janeiro e que reconhece as escolas de samba e o Carnaval como essência da cultura da cidade, as perspectivas melhoraram sensivelmente. O prefeito Eduardo Paes já abriu um canal de diálogo com as diversas entidades representativas do samba, acenando, inclusive com a volta da subvenção pública às agremiações.

Esta mudança política, que reconhece inclusive a importância econômica do Carnaval, melhorou bastante o clima entre os sambistas e mesmo com a permanência da grave situação sanitária, todos estão mais confiantes.

A torcida agora é pela imunização rápida da maioria da população para que a partir de julho as atividades possam retornar. E que o próximo Carnaval seja realmente realizado, iniciando no dia 28 de fevereiro de 2022.

A maioria das escolas está com seus enredos e processo de escolha de samba em andamento. Tudo foi paralisado devido ao cancelamento dos desfiles este ano. Algumas retornarão ainda com as apresentações virtuais, por lives na internet, enquanto aguardam a liberação das quadras. A previsão é que as finais do concurso já possam ser realizadas presencialmente com público, a partir de setembro.

Enquanto isso, a Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – passou por eleição nesta última quinta-feira. Depois de 20 anos de gestão de Jorge Castanheira, a entidade renovou sua direção escolhendo Jorge Perlingeiro como o novo presidente. Perlingeiro é um velho conhecido do mundo do samba e fazia parte da entidade como diretor social.

A grande novidade na Liesa é em outros postos de direção, com a chegada de jovens dirigentes, como por exemplo a de Gabriel David, diretor de Marketing. Ele é filho do patrono da Beija Flor, Anízio Abrão David e vinha pregando há algum tempo a necessidade de modernização e abertura da entidade para os novos tempos tecnológicos que o mundo vive.

Por

amilton.cordeiro@oestadorj.com.br

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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