O samba não pode parar

Os bastidores do mundo do samba seguem agitados. Com o imbróglio do resultado do último carnaval no grupo especial ainda indefinido e entregue à decisão judicial, a Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – agora está envolta numa disputa de poder.

Por trás disso, dois grupos lutam pela sucessão do demissionário presidente Jorge Castanheira, que não aceita a virada de mesa e anunciou sua intenção de renunciar ao cargo.

De um lado, Beija Flor, Viradouro, Vila Isabel, Mangueira e Portela. De outro, Imperatriz Leopoldinense, São Clemente, Estácio, Mocidade e Salgueiro. Resta saber como ficarão União da Ilha, Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti, que na virada de mesa votaram com a Imperatriz, mas logo depois, diante da pressão do Ministério Público, mudaram o voto.

A entidade, que historicamente escolhia suas direções por unanimidade, dessa vez passa por uma renhida disputa que pode ter consequências imprevisíveis. Teme-se até a implosão da maior associação do carnaval carioca.

O próximo dia 10 será fundamental para os destinos da Liesa. Neste dia acontecerá a assembleia geral, que definirá seus rumos, com a eleição de um novo presidente e de qual grupo sairá vencedor.

Com tudo isto, as escolas tentam seguir a vida normal. Na semana passada, a Grande Rio anunciou o seu enredo “Tatá Londirá, o canto do caboclo no quilombo de Caxias”, que vai abordar a história do pai de santo Joãozinho da Gomeia, baiano que se fixou na cidade da baixada fluminense, virou celebridade nos anos 50 e 60 e fez do seu terreiro uma constante romaria de gente famosa.

A Estácio, que subiu do grupo de acesso e contratou a aclamada carnavalesca Rosa Magalhães, definiu a cidade paraense de Paraopebas como seu tema para 2020. A Paraíso do Tuiuti saiu na frente e já lançou na última terça-feira o seu samba enredo. Mais uma vez não houve disputa na azul e amarela e a obra foi feita novamente sob encomenda.

Enfim, com toda a confusão reinante, atrasos no cronograma, sem nem mesmo a definição da data do sorteio da ordem do desfile, as agremiações tentam seguir em frente, pois o samba não pode parar.

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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