O Rio de Janeiro de leitores

A Zona Norte carioca também gosta de literatura

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No Rio de Janeiro, como em boa parte do país, ideias pré-concebidas continuam a impedir o desenvolvimento cultural de brasileiros. Ideias que tornam uma minoria de especialistas em áreas da cultura nacional, ditadora do que todos devem consumir. Únicos julgadores dos gostos popularesestigmatizam um povo tão eclético como o brasileiro de só gostar de futebol, samba e novela.

O que prova que essas afirmativas, geralmente, são opiniões pessoais, é o fato de que basta algo novo chegar ao conhecimento do brasileiro que ele assimila e logo incorpora a sua vida. Não falando somente de novidades, mas é graças a essa facilidade de assimilar que o Brasil se tornou a nação de hoje, que culturalmente tem tradições herdadas de várias partes do mundo.

Tanto é verdade que Juliana e Djan Skwara, do grupo virtual Novos Escritores, tornaram o projeto físico, produzindo eventos literários, comuns na zona sul carioca, para zona norte. Contrariando a afirmativa que evento do tipo na região não é bem visto, pois ninguém lê nessa parte da cidade.

O que ocorre é que os leitores da zona norte costumam ir a zona sul para participar dos eventos e, por isso, o projeto Novos Escritores chamam a atenção dos fãs de literatura da região e começa a motivar os autores a participar. Eventos que estão ocorrendo em uma livraria de um dos maires shoppings da zona norte do Rio, como também em algumas escolas, ou mesmo no Complexo do Alemão.

Como podem afirmar que o povo não gosta de algo que ele não conhece?

Quem mora no Rio sabe que a cidade é culturalmente dividida. Enquanto a Zona Sul tem os melhores programas culturais, a Zona Norte é restrita ao que acham que o povo da área gosta.

também acontece na Zona Oeste, que se divide entre Barra da Tijuca, repleta de atrações culturais, e Jacarepaguá, que praticamente só tem a Bienal do Livro. Então, falar que um grupo só gosta de uma determinada coisa é muito fácil quando ninguém dá a oportunidade de conhecerem algo novo.

O jornalista e escritor Edson Gomes falou animado sobre os eventos dos Novos Escritores que participou. Além de sempre prestigiar os colegas autores indo aos eventos, mesmo que não esteja participando, Edson Gomes já fez parte de vários produzidos na zona norte, como o que aconteceu a algumas semanas no Alemão, junto com o Recicla Leitores

O evento aconteceu no Teleférico do Complexo do Alemão e foi uma comemoração de aniversário do Recicla Leitores, que arrecada livros para serem entregues em comunidades do estado (RJ), com o objetivo de despertar a paixão pela leitura. Teve distribuição de livros para crianças e adultos, apresentação musical do grupo Cantando Livros, teatro de palhaços, poesia e a presença de outros autores, como Roxane Norris.

Edson Gomes é um dos autores no Novos Escritores, que busca aproxima física e virtualmente leitor e escritor, e também faz parte do Fantastiverso, todos escritores de literatura fantásticas, do qual 6 participaram de um evento com apoio da Nobel do Norte Shopping.

O grupo Novos Escritores já reuniu na livraria grupos de autores parceiros, como o Fantastiverso, para esses eventos literários, mas nesse em especial tiveram a primeira transmissão ao vivo, via web, possibilitando a interação de leitores de fora do Rio.

Velasco, que também faz parte do Fantastiverso, falou sobre o grupo, que tem como lema “juntos somos mais fortes”. A autora comenta que, ao se unirem, há a ampliação da rede de pessoas e meios, aumentando significativamente os recursos e tornando mais fácil divulgar os trabalhos.

Velasco, também fala da amizade que fortalece o grupo, que auxilia nos momentos difíceis e de desânimo. Revelando que não há necessidade de hostilidade entre os escritores, que há espaço para amigos e não precisam ser hostis e competitivos uns com os outros, pois possuem os mesmos objetivos, contar uma boa história e incentivar à leitura.

organizadores do projeto Novos Escritores, Juliana e Djan Skwara, sempre gentis e animados, falam da dificuldade de conseguir lugares para a produção dos eventos e que seria interessante um espaço também fora de livraria, para dar mais liberdade para os autores.

Situação que se complica no caso da Zona Norte, que nem há muitas livrarias qualificadas, como há no Norte Shopping. Isso também acontece em Jacarepaguá. Autores como Lu Piras, Ben Green, Jéssica Anitelli e Lívia Lorena, que também fazem parte do Fantastiverso, junto de Edson Gomes e Elaine Velasco, falam de suas interessantes histórias.

Mas assim como a maioria dos escritores nacionais fantásticos, eles sofrem com a falta de apoio e crítica que resiste ao novo na literatura brasileira, não aceita que os escritores da atualidade inovem, ao seguir as tendências mundiais.

Lívia Lorena e Jéssica Anitelli são autoras que se aventuram pelo mundo dos vampiros, com séries de livros dos eternos queridinhos da literatura fantástica mundial. Elaine Velasco conta uma história com foco em anjos, assim como Lu Piras, que inclusive tem o Rio de Janeiro de cenário em sua história. Enquanto Ben Green mostrar os primórdios do mundo, numa época que o fogo era sagrado.

Já Edson Gomes se inspira com os conhecimentos espíritas e escreve uma fantástica história inspirada nos livros de Allan Kardec como pano de fundo, mostrando que não é só a Bíblia que pode inspirar boas narrativas; mencionando lugares no Rio de bairros da Zona Norte e Oeste carioca pouco lembrados, como Campinho e Praça Seca.

Os eventos dos Novos Escritores na Zona Norte variam desde lançamentos, como o de ‘Immortales’ de Roxane Norris, a eventos comemorativos. E assim reunindo autores para apresentarem suas obras aos leitores e divulgar grupos de autores dos mais variados. Como aconteceu no mais recente do Ciranda de Escritores, que contou com a presença de autores de longe como o Maurício Gomyde de Brasília (DF), além de Roxane Norris, Adriana Igrejas, Uole da Silva, Chaiene Barboz e Thayane Gaspar.

Autores estes que possuem histórias que vão desde conteúdo sobrenatural ao autobiográfico, do drama ao romance. São talentos literários nacionais que precisam de respeito, motivação e divulgação adequada, pois boas histórias sempre agradam seu público-alvo. Mas para isso precisam ser bem divulgadas.

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