O que seriam das Mimosas se não fossem as suas manchas?

Cicatrizes, pintas, manchas. Nós as temos e às vezes as tememos

Seja para se sair bem numa foto ou numa selfie, todas as nossas marcas estão ali para servir de história, a nossa, única e singular. Nossa, pra sempre. Nada de Photoshop nelas. Quando não as temos ou quando temos outra nova história da vida, tatuagens são a grande pedida. Marcas são marcas, jamais sairão de cena.

E as marcas de sol, que nos rodeiam por toda a vida, indo e vindo? Tem também aquelas marcas de alianças de casamento que, mesmo desfeito, podem ainda durar uma eternidade para sumirem de vez. Elas somem, assim como um amor meio mais ou menos.

Cicatrizes não, essas são para sempre, mesmo que um cirurgião plástico as tire, elas continuarão lá na sua memória e nos seus apelidos. Marquinhas de biquíni, sempre tão desejadas, são as que somem antes de todas as outras. As da camiseta ou do chinelo não, essas ficam eternamente e nunca sairão do seu braço ou pé. A isso chamo de castigo. A solução é ficar sempre de tênis ou desencanar e viver a vida com essa marca ridícula de chinelos Havaianas, que não soltam as tiras, não têm cheiro e te deixam com o peito do pé marcado pra todo o sempre.

100% dos moleques têm, invariavelmente, uma cicatriz na cabeça e que ninguém vê. Duvido que você, ex-moleque, não esteja agora mesmo procurando uma cicatriz na parte posterior da sua cabeça. Também molecas, nós ex-meninas temos um monte de cicatrizes, mas duvido que alguma de nós tenha feito tamanho escândalo por causa de um cortezinho só.

Manchas? Essas são as piores, que já começam pelo nome: mancha. Melhor se dissesse que é um borrão, efeito de um parto traumatizante ou um banho escaldante. Pronto, manchou, já era. Ninguém consegue cobrir definitivamente uma mancha; inaceitável, ela poderia virar um case de sucesso.

Se todas as marcas fossem assim…

Anitta, a nova top10 do novo ‘top zero gosto musical’, fez da ‘mancha encardida musical’ dela uma marca indelével, por pior seja. Que isso não sirva de consolo (muito menos nos moldes da Anitta), mas é um alento para manchas menores que temos na vida. Veja Scarface: um ícone que, a partir de uma marca vergonhosa, um gângster, virou best-seller com todas as suas tramoias e cicatrizes. Se fosse uma mulher, não seria menos que a Mulher Maravilha. E sem (tantas) tramoias. Esses sim, são top10!

O que seriam das vacas se não tivéssemos as malhadas/manchadas? Não teríamos a Mimosa? Cachorros e gatos, todos seriam iguais? Não podemos deixar que essas marcas sejam relegadas ou ignoradas. Elas têm um porquê de existirem. Todos nós temos tombos, cortes, queimaduras, traumas. São muitas as marcas, com alto ou baixo grau, de estimação ou não, verrugas da sorte ou manchas.

Não são só manchas, são marcas da sua vida. Suas mascotes eternas. Seus patuás. Suas histórias. Sua identidade.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 3 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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