O padroeiro dos sambistas

Na próxima terça-feira, 23 de abril, os católicos comemoram o dia de São Jorge, um dos santos mais populares e festejados para os brasileiros. Em todo o estado do Rio de Janeiro é feriado e em varias cidades as igrejas dedicadas a ele lotam de fiéis nas missas celebradas durante o dia.

Para os sambistas, São Jorge pode ser considerado um padroeiro. O santo guerreiro é intensamente reverenciado pelo mundo do samba e isto pode ser comprovado nos diversos sambas compostos em sua homenagem, nas inúmeras vezes em que já desfilou na avenida e nas imagens que se espalham pelas quadras das agremiações.

Isto também se deve ao sincretismo religioso que fez com que os negros vindos da África ligassem a imagem do santo guerreiro ao do orixá Ogum. Daí os seguidores das religiões afrobrasileiras passaram também a cultuar este dia, fundindo as duas figuras sagradas.

Um dos maiores sucessos de Zeca Pagodinho é o samba Ogum, de autoria de Marquinhos PQD e Claudemir, que tem inclusive a participação de Jorge Benjor, fervoroso devoto do santo. Antes, o mesmo Zeca já havia gravado “Pra São Jorge”, de autoria de Pecê Ribeiro.

No Carnaval, foram muitas passagens marcantes pela Marquês de Sapucaí, incluindo dois enredos exclusivamente sobre o santo. Em 2007 a escola de samba Império da Tijuca, no grupo de acesso, levou para a avenida “O intrépido santo guerreiro” , um desfile que empolgou o público e alcançou um surpreendente sexto lugar.

Já em 2016, a Estácio de Sá, no grupo especial, fez um desfile contagiante com “Salve Jorge, o santo guerreiro “, que entretanto não a livrou da sina da má vontade dos jurados com a escola que ascende do grupo inferior.

Além disso, outras aparições do santo na avenida tornaram-se marcantes. Em 1993, a Grande Rio apresentou a comissão de frente de Ogum, no enredo “No mundo da lua”. Em 2012, a União da Ilha desfilou com um enredo sobre a Inglaterra, por ocasião da realização da Olimpíada de Londres e levou São Jorge em seu segundo carro alegórico, como padroeiro do país homenageado.

A Beija Flor, em 2013, levou um tripé na comissão de frente com São Jorge, no tema sobre o cavalo manga larga marchador. Em 2017, uma das alegorias mais impactantes que passou na avenida foi a do dragão de São Jorge, da Mangueira, no enredo “Só com a ajuda do santo”, que versava sobre a religiosidade do povo brasileiro.

O Império Serrano, que tem São Jorge como seu padroeiro oficial, também levou uma ala inteira e um carro alegórico com o santo, no enredo “Silas canta a Serrinha”, em 2016. Aliás, a verde e branca de Madureira tem entre suas tradições a realização de uma procissão do santo guerreiro, que percorre vários locais, passa pela igreja, no bairro de Quintino, e termina na quadra da escola, com samba, cerveja e feijoada, a bebida e a comida reverenciado.

Enfim, na próxima terça-feira é dia de igrejas lotadas, cerveja e feijão nas quadras e batuques nos terreiros de todos os cantos do país.

Por

Jornalista, pesquisador de samba e compositor.

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