O nome é Webb. James Webb

James multitasking estudou Letras, foi fuzileiro naval, piloto e fez Direito. Nada mais justo que agora torne-se espacial

Muito tem se falado nesse telescópio pica das galáxias, com o perdão do trocadilho. E qual é sua função primordial? Diz a má língua digital que o James deverá pesquisar a luz das primeiras estrelas e galáxias que se formaram no Universo após o Big Bang. Estudar a formação e evolução das galáxias. Entender a formação de estrelas e sistemas planetários, entre outras coisas que ainda ninguém sabe. Nem ele.

Segundo o site Olhar Digital, o qual sou fã, “O telescópio espacial James Webb (JWST, James Webb Space Telescope) é um telescópio espacial desenvolvido por uma parceria entre a NASA e outras agências espaciais, projetado para observar os objetos e eventos mais distantes no universo, como a formação das primeiras galáxias há 13,5 bilhões de anos. Além disso, ele também é capaz de detalhar e caracterizar a composição da atmosfera de exoplanetas potencialmente habitáveis, em busca de informações sobre a origem da vida e, quem sabe, futuros alvos para exploração humana.” Lá vamos nós procurar um novo mocó pra chamar de nosso, porque esse aqui já deu.

E o que esse tal de James fez para merecer ter seu nome batizado no telescópio? Hubble II não seria mais adequado? Poderíamos chamá-lo de Hub, pra ser mais íntimo. James é nome de mordomo, quando não tem sobrenome. Mas esse tem. E não é Bond, que jamais seria homenageado para isso, mesmo tendo levar milhares de mulheres aos céus, ao Éden, até à Marte em alguns momentos. Mas também mandou muita gente pro espaço, sem chance de volta. Vivo.

Voltando ao mérito, James Webb foi diretor da Nasa na década de 1960, quando a corrida espacial estava começando. Muito tempo se passou para ser lembrado, mesmo que nunca tivéssemos ouvido falar dele. Veio a nova onda espacial e ele foi lembrado com louvor. Por ser uma homenagem tão grandiosa para uma missão nada simples, essa de desbravar territórios nunca antes vistos ou sequer analisados, foi ele, James Webb, que concretizou a viagem do homem à Lua.

NASA divulga imagens feitas pelo telescópio James Webb e fotografia inédita  do Universo - TudoCelular.com
Vê aquele planetinha ali no fundo? Não? James viu

Ele defendia o equilíbrio entre os voos espaciais tripulados e a atividade científica, porque isso fortaleceria o ensino universitário e a indústria aeroespacial americana. É claro que aqui no Brasil isso jamais daria certo. Por isso que continuamos a procurar pedrinhas e conchinhas na praia.

Durante o comando de Webb, a agência investiu no desenvolvimento de espaçonaves robóticas para exploração do ambiente lunar antes da chegada dos astronautas, enviando sondas para planetas como Marte e Vênus. E, como cultura ainda é de graça por aqui, ainda tenho espaço para comentar algumas talvez injúrias, talvez verdades, sobre o James, não o West, nem o Bond.

Ainda de acordo com a reportagem, durante seu mandato como subsecretário de estado dos EUA entre 1950 e 1952, na presidência de Harry S. Truman, Webb foi figura instrumental durante o “Pânico Lavanda”, uma série de medidas que resultou no expurgo de pessoas LGBTQ em todas as esferas do governo dos EUA. Estas medidas continuaram em vigor durante o período em que Webb era administrador da Nasa. Mas, pânico lavanda? Não tinha uma outra nomenclatura menos boba para um caso tão sério não?

Em março de 2021, em uma coluna publicada pela revista científica Scientific American, um grupo de astrônomos pediu a mudança do nome do telescópio espacial. Para esses cientistas, o legado de Webb seria a “antítese do sonho e da sensação que liberdade” que inspiram a exploração profunda do tempo e espaço.

Sem inveja, pequenez ou briguinhas, estamos diante de um aparelho que nos vai mostrar o que, como e até onde poderemos ir. Ou como o Super-homem sempre diz, “para o alto e avante”. Aos astros, sejam velhos conhecidos ou os novos que virão, ainda tenho na memória a primeira pisada nossa na Lua. Só por isso devemos nos curvar.

Pelo James nada West, nada Bond, só deixo uma pequena reverência com essa coluna ao cara que deu seu nome ao telescópio que já é minha nova mascote celestial. Just Webb. Just did it.

Por

paula.toom@oestadorj.com.br

Jornalista, tradutora, revisora e redatora. Tem 4 cachorros, 3 gatos fixos e mais um monte ao seu redor. Cuida para que eles não sejam abandonados pelas sarjetas. É editora-chefe das colunas que você lê aqui.

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