O melhor lugar é aqui?

Atendo o telefone e me deparo com uma notícia que não queria ouvir. Meu melhor amigo querendo ir embora. Voltou faz pouco tempo e já não consegue se adaptar. Não sei se consigo ou mesmo quero convencê-lo de que aqui é o melhor lugar

Estava aqui com meus botões quando recebo uma ligação inesperada. Era meu amigo Juarez Botelho. Fazia uns dias que não nos falávamos. E cada vez que conversamos sempre temos assuntos e o papo rende ótimos minutos. O Juarez é o meu melhor amigo. Sempre temos algo para falar um para o outro e em muitos casos, somos confidentes. Amizade é isso. Um dia você fala e no outro, escuta.

Dessa vez fui o ouvinte. Sua ligação chegou um tanto melancólica e trazia uma densidade peculiar. Logo pensei: terminou o relacionamento que mal começou. O que devo dizer? Foi o que me veio à cabeça. Mas que bom que não era esse o assunto. Dizia ele que estava triste devido a sua falta de perspectivas no seu futuro. Isso porque faz alguns meses que ele decidiu ficar em definitivo no Brasil. Primeiro por causa de sua mãe, que já tem certa idade, e também por conta da pandemia, que assustou a todos nós e o fez repensar sua vida, pois longe de sua mãe e seu país, achava que era chegada a hora de voltar.

Diante de tudo isso, vez em quando, ele fica meio deprimido. Não é para menos, afinal, tinha uma vida bem mais confortável na Europa. Mas em 2020, durante o pior momento da pandemia, percebeu que o melhor a fazer era estar com os seus familiares nesse momento. Apesar de hoje estarmos em situação melhor, ele ainda não se acha confortável para voltar a sua antiga vida.

Nesse momento percebi que é muito importante cuidarmos de nossos sentimentos, mesmo que para isso, precisemos abrir mão de algumas coisas. E Juarez, nesse momento, precisa rever seus conceitos e valores. Dias difíceis. Todos os dias nos deparamos com situações que precisamos optar entre o certo e o errado. mas nesse caso do Juarez, o que seria o certo? E será que existe algo errado?

No meio da ligação, ele me disse que chegou a pensar um largar tudo aqui e ir embora. E eu perguntei: mas e a sua namorada? E sua mãe? E o que ele me respondeu me deixou um tanto preocupado. Ele disse que estaria disposto a levar as duas se quiserem ir. Fiquei em silêncio. Eu sei que sua mãe jamais sairia do Brasil. Ela sempre disse que nunca deixaria o Brasil por nada desse mundo. E pouco tempo atrás, chegou a dizer que mesmo que as coisas por aqui não ficassem boas politicamente, ela não iria embora, pois nasceu e viveu aqui e quer morrer aqui. Diz ela: o Brasil tem jeito. Vai melhorar. Precisamos ter fé e acreditar.

Gil deu a letra: O melhor lugar do mundo é aqui. E agora. 

E agora? Não sei o que dizer a ele. Meu pensamento ficou congelado na possibilidade de perder meu amigo novamente para o mundo. Perder não, pois uma amizade de verdade nunca morre, mesmo com a distância. Mas saber que o Juarez Botelho está por aqui é muito mais saudável. Saber que quando eu precisar de sua ajuda, seu apoio, basta eu ligar ou mesmo ir à sua casa me tranquiliza. Mas não posso ter um pensamento egoísta. O que fazer?

Quando desliguei o telefone, pensei: não posso interferir na vontade de ninguém. Não posso exigir que minha vontade prevaleça. Não posso querer que as pessoas tenham a mesma vontade e ideia que eu. Preciso aceitar e respeitar as decisões. Seja qual for a decisão que tomar, eu estarei aqui para apoiá-lo. Afinal, é para isso que serve um amigo. Ainda acredito que esse momento passará e que ele continuará por aqui. Sei que está difícil para ele, mas para quem não está?

Precisamos buscar conforto e esperança em dias melhores, em ações que nos tragam paz, em atitudes benevolentes, em ser feliz e amar a vida. O mundo necessita de dias melhores e eles virão. O sol brilha todos os dias e nos permite acreditar e confiar. Vamos acreditando que um dia acordaremos e descobriremos que aqui é o melhor lugar para se viver.

Por

alexandre.mauro@oestadorj.com.br

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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