O Horizonte Geopolítico das Telecomunicações no Brasil (Primeira Parte)

É de conhecimento geral que o planeta vem experimentando mudanças rápidas e intensas nas suas mais diversas formas de correspondência e em seus níveis de importância. Embates são infinitamente realizados de maneira latente nas periferias do universo cibernético, isso porque as questões de interesse financeiro — principal coordenador das incumbências mundiais — necessitam que as informações sejam eternamente captadas e difundidas. No entanto, é preciso ter uma vasta e diversificada infraestrutura para enviar e receber o conteúdo que resulta destes novos panoramas que as relações sociopolíticas e socioeconômicas implementaram nos últimos tempos.

Entre tantos recursos, as telecomunicações possuem um altíssimo destaque nessa conjunção. Sua importância profundamente estratégica no tocante ao esteio e defesa do conceito de Nação encontra-se nas artérias tecnológicas que todo país é obrigado a desenvolver caso queira ter um Estado forte, técnico, útil e soberano.

Essa missão exige um governo composto por uma equipe capaz de visualizar o poder como um instrumento de ligação dos princípios que organizam a unidade nacional, tendo o desenvolvimento humano, a coesão social, a estabilidade macroeconômica, a valorização do conhecimento informativo e de sua praticidade, o apreço pela ordem que rege o bem comum e o respeito às normas constitucionais verdadeiramente justas como bússola.

Em uma projeção intermitente dos eventos históricos que mesclam as telecomunicações com os fatores socioeconômicos, é possível fazer uma divisão da mesma em três partes:

1. O primeiro ciclo definia que a representação capital, isto é, a moeda de câmbio, tinha sua validade associada aos objetos de maior peso ou qualquer outro material tangível e interessante. O conhecimento que isso facultava era praticamente nulo, até porque não havia alfabetização predefinida que viabilizasse o registro das operações, e o trabalho apresentava uma imagem essencialmente agrícola;

2. Na segunda etapa, o papel impresso foi transformado em unidade de valor, tivesse lastro ou não em seus artigos preliminares. A cédula já tinha grande destaque porque a alfabetização havia sido normatizada, permitindo a expansão da leitura e do cálculo. O trabalho ganhou a conformação manufatureira em diversos níveis, e o elemento fiduciário continuou sendo algo palpável;

3. Já no terceiro período, que segue em voga, as principais formas de recursos financeiros estão nas linhas cibernéticas, que emitem uma ampla quantidade de sinais que viajam para todos os lados instantaneamente. Com os valores eletrônicos percorrendo a Terra em uma velocidade fantástica, a informação — premissa do conhecimento — obteve relevância monetária acima do dinheiro.

De acordo com as circunstâncias nupérrimas, a produção laborativa global, ou melhor, a produção laborativa das nações desenvolvidas encontra-se na fase de transição do serviço físico para o trabalho cognitivo, que exige análise sintática, idoneidade semântica e estrutura psicológica. Neste advento da Quinta Revolução Industrial, o operário focado na produção em massa acabará substituído pelo trabalhador especializado no processamento de informações. O proletário sai de cena e o cognitário sobe ao palco.

Avaliando o conceito de evolução sob o prisma da sociologia contemporânea, que identifica no dinheiro a representação da prosperidade atual, obtido através do trabalho que acarreta em produção, fica evidente que tais preceitos vêm modificando inúmeros formatos de sociedades, inclusive a brasileira, desde a Primeira Revolução Industrial. Potencializar o arremate e gerenciar esses novos padrões instituídos têm o mesmo grau de emergência que o Brasil do Século XIX tinha na construção de sua malha ferroviária, isso porque a ideia de nação desenvolvida estava associada às grandes ferrovias se estendendo por todo o país a fim de conectá-lo.

Diante das remissões já feitas, é válido destacar o importante papel exercido pela Telebras na administração do plano nacional de banda larga e por ter sido a principal instituição a dar continuidade no processo de desenvolvimento da fibra óptica no Brasil, com outras estatais adotando o seu projeto de infraestrutura setorial, como Petrobras e Eletrobras. Já nas áreas correspondentes à telefonia e telegrafia, implementou avanços fundamentais na reta final do século XX em parceria com a Embratel, Correios e o Exército Brasileiro.

Ainda sobre o projeto de expansão da banda larga feito pela Telebras, é importante ressaltar que um dos objetivos desta medida — independente do governo que estivesse no poder — era o de viabilizar situações que pudessem impulsionar a velocidade do desenvolvimento socioeconômico da nação. Isso poderia, sem dúvida:

• Expandir a autossuficiência tecnológica do país;
• Determinar a importância geopolítica do país mediante o dinamismo da soberania;
• Proporcionar a inclusão digital;
• Instruir os cidadãos a utilizar corretamente as ferramentas de informação e tecnologia;
• Simplificar o acesso aos serviços públicos;
• Medrar a concorrência do setor industrial para gerar mais empregos;
• Aumentar a renda;
• Fiscalizar os Três Poderes;
• Reduzir os terríveis efeitos das injustiças sociais.

Sempre que o Estado assumiu a direção de um projeto desta magnitude, os níveis de evolução sináptica do eixo nacional de telecomunicações ultrapassaram todas as expectativas com facilidade. É válido tabelar esse progresso como sinapse porque a globalização transformou os computadores e telefones em dispositivos comuns, universais e indispensáveis. Todavia, essa coalescência de máquinas e pessoas reduz a capacidade do ser humano de pensar espontaneamente que tais aparelhos conectam o mundo, pois agora estão todos cada vez mais interligados a uma vasta rede occipital que dirige as sociedades contemporâneas.

Mesmo assim, isso não significa que as ponderações antropogênicas ou filantrópicas se extinguiram; apenas foram transportadas para uma outra dimensão. Sabendo disso, o Estado nacional tem a obrigação de elaborar políticas que continuem inovando os sistemas digitais para fornecer meios de acesso cada vez mais eficientes aos cidadãos, se destacando automaticamente por coordenar a distribuição do alcance das conexões de Internet de maneira ordenada e por ratificar o anteparo territorial com uma vigilância estratégica, utilizando a fenomenal infraestrutura pública de telecomunicações que detém para socializar as informações e o conhecimento com milhões de indivíduos.

Isso é diametralmente oposto àquilo que é feito pelos cartéis que dominam tal esfera no Brasil, dado que estes não possuem a menor preocupação com o desenvolvimento social caso não seja um negócio hiperbolicamente lucrativo. Tal fato está diretamente inserido no péssimo condicionamento dos recursos virtuais, o que acaba prejudicando o desempenho setorial de áreas indispensáveis ao povo, como a educação, a saúde, a segurança, a justiça e os transportes.

Um programa tão abrangente como este precisa ser iniciado o quanto antes, pois sua unicidade tropológica é algo bem maior que a simples conjunção de suas partes. Na atualidade, essa holística tecnológica começaria pela implementação de um núcleo axial de fibras ópticas, habilitando o Estado a resolver as demandas indispensáveis à boa performance da administração pública e à clareza das medidas governamentais em todas as instâncias. Devido ao assunto possuir utilidade cidadã, torna-se fundamental relatar, e com acentuações macroscópicas, que essa iniciativa também poderia aprimorar e expandir as funções eletrônicas nos portais das prefeituras, dos governos estaduais e das páginas ligadas ao Palácio do Planalto e a União. É algo profundamente capaz de multiplicar a inclusão digital, estabelecer a competição no mercado de ofertas, defender a soberania nacional em todos os níveis e dar um fim nas propagandas artificiais que enganam a população com falsas promessas de desenvolvimento e avanços forjados.

Por

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