O homem da capa de chuva

Em tempos de pandemia ficamos sabendo de casos e histórias que dariam um livro. Hoje venho aqui contar uma que me chegou através de um amigo muito especial, o Juarez Botelho. Ele estava fora do Brasil fazia uns bons anos e voltou agora por conta da COVID-19. Veio ficar com os seus e esperar essa onda passar, pois ninguém sabe ainda quando e como isso vai acontecer. Mas enfim, ele está de volta ao Brasil e, como uma pessoa muito experiente, sempre nos conta algo que se torna muto interessante quando vem se sua imaginação fértil e equilibrada.

Veio ele outro dia me contar que um vizinho de sua mãe no condomínio que ela mora, anda deixando os moradores com uma pulga atrás da orelha. Isso porque ele toda vez que tem que sair para buscar alguma encomenda na portaria ou jogar o lixo fora, ele aparece de capa de chuva e máscara, ficando igual a um astronauta ou mesmo um extraterrestre. As pessoas já o estão chamando de “O homem da capa”. Há alguns anos atrás isso poderia dar cadeia, pois lembraria o político carioca famoso na década de 50 e 60, chamado Tenório Cavalcanti. Atuava na Baixada Fluminense que desafiava os poderosos da época.

Mas acho que esse homem da capa de hoje está mais para “O perigo mora ao lado”. Pelo visto, ele tem muito medo de se contaminar. E, continuando a história desse combatente, Juarez me disse que um porteiro já falou com sua mãe que, quando chega alguma encomenda para ele, ela já vai avisando para o entregador que vai demorar um pouco, pois o morador precisa se revestir e isso leva um tempo. Quando ele aporta no elevador, ele já vai avisando ao rapaz da entrega que o “Homem da capa” está descendo. Muito engraçado. Ele me disse que isso já acontece faz uns dois meses. E eu fico imaginando como deve ser todo esse procedimento. Juro que tento, mas não consigo chegar a uma imagem.

É verdade que essa doença está nos tirando a paz, mas será que ele não está exagerando? Não sei. O fato é que o Juarez Botelho também já presenciou uma situação um tanto quanto engraçada a respeito desse cidadão. Certa vez estava chegando para visitar sua mãe e se deparou com ele na portaria pagando uma compra de farmácia. E ele puxou assunto com o entregador e também com meu amigo. Disse o seguinte “Eu venho todo equipado porque minha esposa é muito neurótica com esse negócio de coronavírus. Ela diz que eu tenho que trocar de roupa e tomar banho toda vez que eu desço para pegar algo. E tem dias que isso acontece mais de uma vez. Já imaginou fazer esse procedimento todas as vezes? Daí resolvi o problema, agora toda vez que venho aqui eu pego a minha capa e me protejo todo, só assim eu não preciso tomar banho e nem trocar de roupa quando chego em casa.”

Belo argumento, mas será verdade ou ele está querendo colocar a culpa de seu excesso de preocupação em não se infectar e levar o vírus para seu apartamento? Bem, não saberemos a verdade. Mas de qualquer forma é uma situação inusitada no mínimo. Sei que o período requer muito cuidado e atenção com a pandemia que insiste em nos fazer companhia, mesmo sem que queiramos.

A verdade é que o momento inspira cuidados e apesar do exagero do “Homem da capa de chuva”, precisamos nos cuidar e cuidar de quem amamos. Gosto das resenhas com esse eu amigo, o Juarez Botelho, pois sempre saem histórias que dariam um livro. Estou agendando com ele para, assim que passar essa pandemia, marcarmos um almoço para matar as saudades, pois ele voltou para o Brasil e ainda não nos vimos pessoalmente. Tudo por conta do inimigo número 1 do “Astronauta de condomínio” ou como é conhecido o novo herói da pandemia “O homem da capa de chuva”.

Por

Jornalista e comentarista esportivo. Moro em Niterói há 22 anos. Fã de cultura e esportes. Ex-editor em jornais na cidade do Rio de Janeiro. Atualmente me dedico à interatividade cultural. Acredito na importância da divulgação por todos os meios da cultura nesse país.

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